22/06/13

Mas e o céu?

Quando as dúvidas sobre quem sou me assaltam, e renasce em mim o medo de não saber viver sem me perder, deito os olhos ao céu e procuro-me na certeza de que, a haver algo ou alguém que saiba o que eu desconheço, esse algo ou alguém estará acima de mim. Acima de nós, para além de tudo aquilo que nos é dado conhecer, pelo menos a quem não tem olhos para ver mais além (e eu não tenho). Saber que o céu me conhece melhor do que tudo e todos lembra-me simultaneamente que, aqui em baixo, as únicas certezas são aquelas que decidirmos tomar como certas. Nada é seguro, nada é fácil, nada é concreto ou verdadeiro, senão aquilo em que decidirmos acreditar. E é fácil perdermo-nos quando a base de tudo o que existe é não mais do que uma crença, ou não fosse a crença, na sua essência, etérea e efémera, habitando-nos apenas o tempo suficiente até outra crença nos abraçar com novo fôlego. A crença é circunstância. É local e temporal. Familiar. Contextual. E agarramo-nos a ela como se não houvesse mais nada, e tudo em nós fosse o aqui e o agora e o outro que nos é dado viver. Estamos reduzidos ao espaço e ao tempo e aos que nos rodeiam e há quem viva uma vida inteira na crença de que a vida é isso mesmo. Só isso mesmo. Mas e o céu? E tudo o que está mais além? E tudo o que é tudo e é de todos, sem espaço nem tempo, nem o outro ou o demais? Olhar o céu é tudo o que me resta, quando quero recordar que, acima desta fragmentação de gente, a tentar sobreviver no seu fragmento, existe uma unidade maior que é a única verdade verdadeiramente sem limites.

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