Temos em comum com o céu cobrirmo-nos quando os problemas nos pesam. Às vezes trovejar de impulso.
Temos em comum com o céu chorar até nos despojarmos de tudo o que carregámos voluntária ou involuntariamente às costas.
E, se entre as nossas lágrimas nos desponta um sorriso, é como ver surgir em nós um arco-íris que traz de volta a cor à nossa vida.
Olhar o céu, é por isso perceber que tudo passa, como uma nuvem inquieta. Tudo é cíclico. Só temos de alcançar a serenidade da natureza...
Encaremo-nos por favor!
Tenhamos por favor a humildade de nos olhar enquanto espécie. Tornámo-nos capazes de construir, mas sentimos compulsão por destruir. Aprendemos a organizar-nos, mas à primeira brecha soltamos o caos. Aprendemos a criar relações, mas rapidamente deixamos de nos suportar. Esforçamo-nos por gerar vida, mas somos capazes de matar por nada. Tínhamos tudo para sermos felizes, e pomos fim à vida perseguidos por uma infelicidade que nos destrói de dentro para fora.
Contemplemos por favor as outras espécies que nos rodeiam. Somos nós mais merecedores da natureza do que elas? Quando somos capazes do melhor mas também do pior? Seremos dignos da superioridade que advogamos? Encaremos uma formiga e perguntemo-nos em que somos melhores do que ela. Ela constrói formigueiros que não destrói por ganância, sede de poder ou loucura. Ela organiza-se sem exigir o caos. Ela vive em comunhão perfeita com as da sua espécie, sabe o seu papel e respeita o do outro. Gera vida e não acaba com a do seu semelhante. Se uma formiga morre, as outras largam as suas bagas e vão resgatá-la. Talvez a formiga não sinta felicidade, mas não enlouquece de uma infelicidade sem qualquer sentido. Talvez o problema seja exactamente esse. Fizeram-nos ou fizemo-nos com a ilusão de um sentido. E a sua ausência – porque nenhum sentido teria de existir para simplesmente existirmos – é aquilo que, mais cedo ou mais tarde, nos destruirá.
Contemplemos por favor as outras espécies que nos rodeiam. Somos nós mais merecedores da natureza do que elas? Quando somos capazes do melhor mas também do pior? Seremos dignos da superioridade que advogamos? Encaremos uma formiga e perguntemo-nos em que somos melhores do que ela. Ela constrói formigueiros que não destrói por ganância, sede de poder ou loucura. Ela organiza-se sem exigir o caos. Ela vive em comunhão perfeita com as da sua espécie, sabe o seu papel e respeita o do outro. Gera vida e não acaba com a do seu semelhante. Se uma formiga morre, as outras largam as suas bagas e vão resgatá-la. Talvez a formiga não sinta felicidade, mas não enlouquece de uma infelicidade sem qualquer sentido. Talvez o problema seja exactamente esse. Fizeram-nos ou fizemo-nos com a ilusão de um sentido. E a sua ausência – porque nenhum sentido teria de existir para simplesmente existirmos – é aquilo que, mais cedo ou mais tarde, nos destruirá.
Despedidas
Recordo-me da primeira vez que perdi alguém. Olhei à volta, perdida, e constatei em choque que o mundo tinha continuado a girar. Só o meu é que tinha parado. Quando ganhei forças, corri, aos tropeções, atrás dos outros. Demorei algum tempo a apanhá-los, tive quedas, parei cansada muitas vezes. E quando os apanhei percebi que teria que aprender a suportar as perdas sem quebrar a engrenagem. Criei defesas. E quando voltei a perder alguém que me fazia falta, o meu mundo já parou menos. E hoje o meu mundo já não pára. O coração queixa-se, por dentro, mas as pernas continuam a caminhar, e o corpo deixa-se arrastar. Já não teima. Sabe que tem de ser. Um dia será ele a parar, e o mundo terá que continuar a avançar...
Não sei se isto é crescer. Não sei se isto é endurecer. Mas não pedi que a vida levasse quem me levou. Não posso culpar-me daquilo que em mim mudou.
Não sei se isto é crescer. Não sei se isto é endurecer. Mas não pedi que a vida levasse quem me levou. Não posso culpar-me daquilo que em mim mudou.
De que cor são as minhas asas?
Porque me olhas assim?
Um triângulo adormecido em negros sonhos de cetim...
Diz-me o que quero quando te olho!
Deixa-me só adivinhar para não ter que te negar...
Diz-me se sou o que escrevo, o que sou, ou a imagem que tens de mim.
Ah! Como é irónico esse teu Deus quando ri...
Não sei o que quero,
Mas sei que é mais do que aquilo que me podes dar
Ou mais do que aquilo que sei desejar
Mas não consigo agir sem duvidar, nem duvidar sem me esgotar...
Quero que me ajudes
Mas não sei querer-te!
Não quero que fujas
Mas só respiro quando adormeço e não te sonho!
Temes ser a rocha em que eu embata
Enquanto te trespasso sem que me sintas...
Se me odiares uma só vez sem que me mintas!
Pára! Foge!
Deixa-me não seu eu!
Deixa de ser tu!
Tranca-me onde me descobriste e esquece os olhos que te viram!
Mas não te destruas para me construir
Que eu já me habituei a viver sem existir...
A Sombra dos Anjos, 2001
Porque me olhas assim?
Um triângulo adormecido em negros sonhos de cetim...
Diz-me o que quero quando te olho!
Deixa-me só adivinhar para não ter que te negar...
Diz-me se sou o que escrevo, o que sou, ou a imagem que tens de mim.
Ah! Como é irónico esse teu Deus quando ri...
Não sei o que quero,
Mas sei que é mais do que aquilo que me podes dar
Ou mais do que aquilo que sei desejar
Mas não consigo agir sem duvidar, nem duvidar sem me esgotar...
Quero que me ajudes
Mas não sei querer-te!
Não quero que fujas
Mas só respiro quando adormeço e não te sonho!
Temes ser a rocha em que eu embata
Enquanto te trespasso sem que me sintas...
Se me odiares uma só vez sem que me mintas!
Pára! Foge!
Deixa-me não seu eu!
Deixa de ser tu!
Tranca-me onde me descobriste e esquece os olhos que te viram!
Mas não te destruas para me construir
Que eu já me habituei a viver sem existir...
A Sombra dos Anjos, 2001
Transcendência
Somos o único animal do planeta a quem não basta ter dedos para tocar nos outros. Só somos felizes quando conseguimos tocar ou ser tocados para além deles…
Somos o único animal do planeta a quem não basta ter olhos para olhar os outros. Só somos felizes quando conseguimos olhar e ser olhados para além deles…
Somos o único animal do planeta a quem não basta ter ouvidos para ouvir os outros. Só somos felizes quando conseguimos ouvir e ser ouvidos para além deles…
Somos o único animal do planeta a quem não basta a natureza. A nossa felicidade depende sempre da nossa transcendência.
Somos o único animal do planeta a quem não basta ter olhos para olhar os outros. Só somos felizes quando conseguimos olhar e ser olhados para além deles…
Somos o único animal do planeta a quem não basta ter ouvidos para ouvir os outros. Só somos felizes quando conseguimos ouvir e ser ouvidos para além deles…
Somos o único animal do planeta a quem não basta a natureza. A nossa felicidade depende sempre da nossa transcendência.
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