21/03/12

Porque sim

Cansada, doem-me mais as cabeçadas que dou. A cabeça é a mesma, a parede (bem escondida, lá em casa) também, mas há um Porquê que custa mais a ser respondido. Amanhã terei forças para recomeçar, refazer, melhorar, e o Porquê será novamente Porque Sim. Mas hoje... hoje só preciso de dormir!
12/03/12

A felicidade

Olho os meus filhos pequenos e admiro a forma como eles crescem, alcançam e conquistam todos os dias sem darem por isso, desfrutando de um esforço que lhes foi natural, porque é da sua natureza aprenderem a comunicar, a moverem-se e a serem autónomos nas suas acções. Acredito, por isso, que a única forma de continuarmos a crescer sem um esforço desmesurado e um sacrifício inglório, desfrutando, alcançando e conquistando sem dar por isso, é a fazer aquilo que, a cada um de nós, é natural. Uns dirão que foi aquilo para o qual nascemos. Outros chamar-lhe-ão vocação. Eu não tenho nomes para lhe atribuir, mas sei que é aquilo que nos pode fazer felizes...
27/02/12

No refúgio das palavras

Aqui, no refúgio das palavras, não há dor que não se cale em parágrafos, nem sofrimento que se sinta após o virar da página. Aqui se digere o que, lá fora, tritura o mundo e engole aqueles que, sem um refúgio, escrito, dito ou pensado, não têm forma de lutar contra a corrente.

É redutor, afinal, mas toda a tragédia não é senão palavras, e trespassá-la não mais do que reescrevê-la da forma que nos apraz.
25/02/12

Escrever um livro

Escrever um livro é contrair matrimónio com a nossa história.
Depois da paixão inicial, que nos cola à secretária, haverá dias de rotina, cansaço, e até momentos em que podemos perguntar-nos a razão da nossa entrega.
Mas no final, se formos resilientes para a levar até ao fim, voltará a serenidade e a certeza de que todo o tempo que despendemos nela valeu a pena, e teve o seu sentido.

Talvez não terminemos todas as histórias que começámos.
Talvez nem todas tenham valido a pena.
Mas o casamento perfeito com a história ideal, mais cedo ou mais tarde, acontecerá...
06/02/12

O livro que não escrevi

Vasculho, inquieta, as prateleiras em busca de um livro para ler. Tantos títulos e autores, que percorro como se fossem nada ou ninguém. Demoro-me num Nobel, que em tempos me encantou. Ah, esses títulos magníficos, que noutros dias me apetece devorar... Nada. Ninguém.
Tiro dois livros científicos que deixei a meio. Escolho outros dois de Filosofia que comprei não sei porquê. E por fim entendo a minha inquietude. Não estou à procura de um livro para ler. O que procuro, afinal, é o livro que ainda não escrevi...
30/01/12

Em comum com o céu

Temos em comum com o céu cobrirmo-nos quando os problemas nos pesam. Às vezes trovejar de impulso.

Temos em comum com o céu chorar até nos despojarmos de tudo o que carregámos voluntária ou involuntariamente às costas.

E, se entre as nossas lágrimas nos desponta um sorriso, é como ver surgir em nós um arco-íris que traz de volta a cor à nossa vida.
Olhar o céu, é por isso perceber que tudo passa, como uma nuvem inquieta. Tudo é cíclico. Só temos de alcançar a serenidade da natureza...
09/08/11

Encaremo-nos por favor!

Tenhamos por favor a humildade de nos olhar enquanto espécie. Tornámo-nos capazes de construir, mas sentimos compulsão por destruir. Aprendemos a organizar-nos, mas à primeira brecha soltamos o caos. Aprendemos a criar relações, mas rapidamente deixamos de nos suportar. Esforçamo-nos por gerar vida, mas somos capazes de matar por nada. Tínhamos tudo para sermos felizes, e pomos fim à vida perseguidos por uma infelicidade que nos destrói de dentro para fora.
Contemplemos por favor as outras espécies que nos rodeiam. Somos nós mais merecedores da natureza do que elas? Quando somos capazes do melhor mas também do pior? Seremos dignos da superioridade que advogamos? Encaremos uma formiga e perguntemo-nos em que somos melhores do que ela. Ela constrói formigueiros que não destrói por ganância, sede de poder ou loucura. Ela organiza-se sem exigir o caos. Ela vive em comunhão perfeita com as da sua espécie, sabe o seu papel e respeita o do outro. Gera vida e não acaba com a do seu semelhante. Se uma formiga morre, as outras largam as suas bagas e vão resgatá-la. Talvez a formiga não sinta felicidade, mas não enlouquece de uma infelicidade sem qualquer sentido. Talvez o problema seja exactamente esse. Fizeram-nos ou fizemo-nos com a ilusão de um sentido. E a sua ausência – porque nenhum sentido teria de existir para simplesmente existirmos – é aquilo que, mais cedo ou mais tarde, nos destruirá.