30/04/12

Lutar ou Aceitar

Às vezes pergunto-me se lutar é uma obrigação dos corajosos ou uma necessidade de sobrevivência dos mais fracos. Às vezes penso que a sociedade moderna sobrevaloriza a luta. Todos somos induzidos a lutar, por tudo, a qualquer custo. Porquê e para quê ninguém sabe. É uma luta pela luta, para satisfazer essa vontade induzida de conquistar não interessa o quê. Às vezes penso que a grande lição que a vida nos dá não é a de que é preciso lutar contra aquilo que a vida nos rouba, mas antes a de aceitar tudo aquilo que a vida nos dá. Mas o que pode fazer um único alguém que não quer lutar? Pode esse alguém ser um rastilho para a aceitação... sem se queimar?
21/03/12

Porque sim

Cansada, doem-me mais as cabeçadas que dou. A cabeça é a mesma, a parede (bem escondida, lá em casa) também, mas há um Porquê que custa mais a ser respondido. Amanhã terei forças para recomeçar, refazer, melhorar, e o Porquê será novamente Porque Sim. Mas hoje... hoje só preciso de dormir!
12/03/12

A felicidade

Olho os meus filhos pequenos e admiro a forma como eles crescem, alcançam e conquistam todos os dias sem darem por isso, desfrutando de um esforço que lhes foi natural, porque é da sua natureza aprenderem a comunicar, a moverem-se e a serem autónomos nas suas acções. Acredito, por isso, que a única forma de continuarmos a crescer sem um esforço desmesurado e um sacrifício inglório, desfrutando, alcançando e conquistando sem dar por isso, é a fazer aquilo que, a cada um de nós, é natural. Uns dirão que foi aquilo para o qual nascemos. Outros chamar-lhe-ão vocação. Eu não tenho nomes para lhe atribuir, mas sei que é aquilo que nos pode fazer felizes...
27/02/12

No refúgio das palavras

Aqui, no refúgio das palavras, não há dor que não se cale em parágrafos, nem sofrimento que se sinta após o virar da página. Aqui se digere o que, lá fora, tritura o mundo e engole aqueles que, sem um refúgio, escrito, dito ou pensado, não têm forma de lutar contra a corrente.

É redutor, afinal, mas toda a tragédia não é senão palavras, e trespassá-la não mais do que reescrevê-la da forma que nos apraz.
25/02/12

Escrever um livro

Escrever um livro é contrair matrimónio com a nossa história.
Depois da paixão inicial, que nos cola à secretária, haverá dias de rotina, cansaço, e até momentos em que podemos perguntar-nos a razão da nossa entrega.
Mas no final, se formos resilientes para a levar até ao fim, voltará a serenidade e a certeza de que todo o tempo que despendemos nela valeu a pena, e teve o seu sentido.

Talvez não terminemos todas as histórias que começámos.
Talvez nem todas tenham valido a pena.
Mas o casamento perfeito com a história ideal, mais cedo ou mais tarde, acontecerá...
06/02/12

O livro que não escrevi

Vasculho, inquieta, as prateleiras em busca de um livro para ler. Tantos títulos e autores, que percorro como se fossem nada ou ninguém. Demoro-me num Nobel, que em tempos me encantou. Ah, esses títulos magníficos, que noutros dias me apetece devorar... Nada. Ninguém.
Tiro dois livros científicos que deixei a meio. Escolho outros dois de Filosofia que comprei não sei porquê. E por fim entendo a minha inquietude. Não estou à procura de um livro para ler. O que procuro, afinal, é o livro que ainda não escrevi...
30/01/12

Em comum com o céu

Temos em comum com o céu cobrirmo-nos quando os problemas nos pesam. Às vezes trovejar de impulso.

Temos em comum com o céu chorar até nos despojarmos de tudo o que carregámos voluntária ou involuntariamente às costas.

E, se entre as nossas lágrimas nos desponta um sorriso, é como ver surgir em nós um arco-íris que traz de volta a cor à nossa vida.
Olhar o céu, é por isso perceber que tudo passa, como uma nuvem inquieta. Tudo é cíclico. Só temos de alcançar a serenidade da natureza...