04/05/12

Quem Sou

"A vida tem-me travado quando ambiciono demais, e tem-me surpreendido quando me rendo ao que tenho. Por isso sonho, claro, e sonho bem alto. Mas aproveito todos os dias em que lanço as minhas minhocas ao mar e espero pelo peixe gordo. E sobretudo divirto-me com as botas que me aparecem nos anzóis. Às vezes desesperam-me as esperas e os entraves, mas a vida, para quem anda sempre a correr como eu, é um exercício de paciência. Não sei se algum dia conseguirei ser aquela pessoa que às vezes sonho que serei. Mas se continuar a ser quem sou, ou mesmo se tiver que me reinventar qualquer dia, já valeu bem a pena ter passado por cá." (in Revista Mais Alentejo)
03/05/12

A liberdade

A liberdade começa por ser tudo o que não temos. Depois, é tudo aquilo que conquistámos. Até se tornar, novamente, em tudo aquilo que perdemos.
30/04/12

Lutar ou Aceitar

Às vezes pergunto-me se lutar é uma obrigação dos corajosos ou uma necessidade de sobrevivência dos mais fracos. Às vezes penso que a sociedade moderna sobrevaloriza a luta. Todos somos induzidos a lutar, por tudo, a qualquer custo. Porquê e para quê ninguém sabe. É uma luta pela luta, para satisfazer essa vontade induzida de conquistar não interessa o quê. Às vezes penso que a grande lição que a vida nos dá não é a de que é preciso lutar contra aquilo que a vida nos rouba, mas antes a de aceitar tudo aquilo que a vida nos dá. Mas o que pode fazer um único alguém que não quer lutar? Pode esse alguém ser um rastilho para a aceitação... sem se queimar?
21/03/12

Porque sim

Cansada, doem-me mais as cabeçadas que dou. A cabeça é a mesma, a parede (bem escondida, lá em casa) também, mas há um Porquê que custa mais a ser respondido. Amanhã terei forças para recomeçar, refazer, melhorar, e o Porquê será novamente Porque Sim. Mas hoje... hoje só preciso de dormir!
12/03/12

A felicidade

Olho os meus filhos pequenos e admiro a forma como eles crescem, alcançam e conquistam todos os dias sem darem por isso, desfrutando de um esforço que lhes foi natural, porque é da sua natureza aprenderem a comunicar, a moverem-se e a serem autónomos nas suas acções. Acredito, por isso, que a única forma de continuarmos a crescer sem um esforço desmesurado e um sacrifício inglório, desfrutando, alcançando e conquistando sem dar por isso, é a fazer aquilo que, a cada um de nós, é natural. Uns dirão que foi aquilo para o qual nascemos. Outros chamar-lhe-ão vocação. Eu não tenho nomes para lhe atribuir, mas sei que é aquilo que nos pode fazer felizes...
27/02/12

No refúgio das palavras

Aqui, no refúgio das palavras, não há dor que não se cale em parágrafos, nem sofrimento que se sinta após o virar da página. Aqui se digere o que, lá fora, tritura o mundo e engole aqueles que, sem um refúgio, escrito, dito ou pensado, não têm forma de lutar contra a corrente.

É redutor, afinal, mas toda a tragédia não é senão palavras, e trespassá-la não mais do que reescrevê-la da forma que nos apraz.
25/02/12

Escrever um livro

Escrever um livro é contrair matrimónio com a nossa história.
Depois da paixão inicial, que nos cola à secretária, haverá dias de rotina, cansaço, e até momentos em que podemos perguntar-nos a razão da nossa entrega.
Mas no final, se formos resilientes para a levar até ao fim, voltará a serenidade e a certeza de que todo o tempo que despendemos nela valeu a pena, e teve o seu sentido.

Talvez não terminemos todas as histórias que começámos.
Talvez nem todas tenham valido a pena.
Mas o casamento perfeito com a história ideal, mais cedo ou mais tarde, acontecerá...