07/06/12

Coisas de Espécie

Não consigo matar um insecto sem que o perigo me obrigue a esmagá-lo com a superioridade que me assiste. Se o vejo caminhar, livremente, mesmo que dentro da minha própria casa, imagino-o em busca de comida, em busca de um caminho, de um regresso à sua própria casa. Mas vê-lo a olhar os meus, aqueles que me importam, espécie da minha espécie, sangue do meu sangue, com desejo de os transformar em presas, acende o instinto que há em mim. A minha mão torna-se grande e certeira, o meu pé espesso e poderoso. Sou da natureza, protejo naturalmente os que respiram. Mas no perigo e na ameaça, tenho um clã. Sou dos meus. E, pelos meus, aqueles que verdadeiramente me importam, também eu sou capaz de matar. PUM.
02/06/12

Porque escrevo, porque sou

Escrevo desde que me conheço. Já o fiz por muitas razões. Por prazer, por dinheiro, para ensinar e para aprender. Hoje faço-o porque sinto que tenho que o fazer. Porque tenho algo para dizer. E é quando construímos um sentido sobre a nossa vontade que serenamos a nossa ambição e usufruímos realmente das nossas conquistas. Pode ser uma ilusão. Mas uma compulsão sem um sentido é dependência. Com um sentido transforma-se em missão...
01/06/12

A nossa Humanidade revela-se na morte

"Diferentes em muito, diferentes em tanto, não somos, perante a morte, afinal todos humanos?" (em "D. Estefânia - Um Trágico Amor")
22/05/12

A Beleza

Só somos belos, se o formos também aos olhos dos outros. Mas só o seremos aos olhos dos outros, se formos belos. A beleza não é, por isso, uma mera compreensão do olhar. É um intercâmbio de certezas.

O meu próximo livro

Ontem trouxe para casa o meu próximo livro. Aquele cuja gravidez e parto escondi de todos. Não por vergonha. Mas porque não foi planeado. Aconteceu por acaso. Tive que aprender a aceitá-lo. A não ter receio de o levar avante. E apaixonei-me por ele exactamente porque ele implicou e vai implicar de mim uma coragem mais madura, menos inconsequente. Ontem, quando o trouxe para casa, senti-me mãe de um filho muito especial. Trouxe-o com um orgulho imenso, mas também com todos os receios que um filho nos dá, ainda que não seja o primeiro, mesmo que seja um entre muitos. É novo, é diferente, é nosso. Até que ponto saberemos fazê-lo crescer? O que nos trará de bom? Que dificuldades nos imporá? Em que medida mudará a nossa vida? Nos próximos 10 dias estarei a olhá-lo, a criar laços com algo que agora é real, ganhou vida para além de tudo o que sonhei para ele. Depois... depois é altura de o mostrar ao mundo. E esperar que, apesar de todos os defeitos que possa ter, o acarinhem e o compreendam como eu, para que ele possa crescer nas virtudes que também terá...
07/05/12

EU E TU

O que me afastou de ti e tu de mim? Se a nossa única diferença é eu ser eu e tu seres tu...
06/05/12

Num baloiço ao luar

- Há quanto tempo aqui está? - Pergunte ao vento quantas vezes me embalou. O tempo depende sempre da velocidade daquilo que nos move...