Haja o que Houver
Antes de escrever um livro, escolho a banda sonora que me acompanha nessa aventura, talvez porque a música tenha essa capacidade de tocar em nós os sentimentos certos, de criar empatia com os outros (reais ou personagens), como se em todos nós houvesse a mesma pauta de ADN, 7 notas apenas, que com habilidade podemos combinar e tocar à mesma melodia (ainda que sempre à luz da nossa própria interpretação... e essa é a nossa riqueza e a mais-valia da música e dos livros).
Entre a minha Estefânia e D. Pedro V, houve um destino trágico. Mas houve também Madredeus: "Eu sei... Quem és para mim. Haja o que houver... Eu estou aqui." Também eu estarei com eles sempre que esta música voltar a tocar em mim.
Somos tão somente memória
- Quem és tu, minha filha?
É triste ouvi-lo da boca de alguém que, pelas mais diferentes razões, nos esqueceu. Não custa aceitar que pedaços da nossa vida em comum se tenham apagado das suas lembranças. Quantas vezes não apagamos nós próprios outras tantas vivências com outros alguéns. Custa, sobretudo, pensar que não importa o que fazemos ou o que somos, os nossos títulos ou façanhas. O nosso currículo de experiências só tem valor se deixar uma forte lembrança nos outros. Se os marcar de forma a que não nos esqueçam. Não somos, por isso mesmo, se não memória. E ser-lo-emos apenas e somente enquanto ela durar.
Coisas de Espécie
Não consigo matar um insecto sem que o perigo me obrigue a esmagá-lo com a superioridade que me assiste. Se o vejo caminhar, livremente, mesmo que dentro da minha própria casa, imagino-o em busca de comida, em busca de um caminho, de um regresso à sua própria casa. Mas vê-lo a olhar os meus, aqueles que me importam, espécie da minha espécie, sangue do meu sangue, com desejo de os transformar em presas, acende o instinto que há em mim. A minha mão torna-se grande e certeira, o meu pé espesso e poderoso. Sou da natureza, protejo naturalmente os que respiram. Mas no perigo e na ameaça, tenho um clã. Sou dos meus. E, pelos meus, aqueles que verdadeiramente me importam, também eu sou capaz de matar. PUM.
Porque escrevo, porque sou
Escrevo desde que me conheço. Já o fiz por muitas razões. Por prazer, por dinheiro, para ensinar e para aprender. Hoje faço-o porque sinto que tenho que o fazer. Porque tenho algo para dizer. E é quando construímos um sentido sobre a nossa vontade que serenamos a nossa ambição e usufruímos realmente das nossas conquistas. Pode ser uma ilusão. Mas uma compulsão sem um sentido é dependência. Com um sentido transforma-se em missão...
A nossa Humanidade revela-se na morte
"Diferentes em muito, diferentes em tanto, não somos, perante a morte, afinal todos humanos?"
(em "D. Estefânia - Um Trágico Amor")
A Beleza
Só somos belos, se o formos também aos olhos dos outros. Mas só o seremos aos olhos dos outros, se formos belos. A beleza não é, por isso, uma mera compreensão do olhar. É um intercâmbio de certezas.
O meu próximo livro
Ontem trouxe para casa o meu próximo livro. Aquele cuja gravidez e parto escondi de todos. Não por vergonha. Mas porque não foi planeado. Aconteceu por acaso. Tive que aprender a aceitá-lo. A não ter receio de o levar avante. E apaixonei-me por ele exactamente porque ele implicou e vai implicar de mim uma coragem mais madura, menos inconsequente.
Ontem, quando o trouxe para casa, senti-me mãe de um filho muito especial. Trouxe-o com um orgulho imenso, mas também com todos os receios que um filho nos dá, ainda que não seja o primeiro, mesmo que seja um entre muitos. É novo, é diferente, é nosso. Até que ponto saberemos fazê-lo crescer? O que nos trará de bom? Que dificuldades nos imporá? Em que medida mudará a nossa vida?
Nos próximos 10 dias estarei a olhá-lo, a criar laços com algo que agora é real, ganhou vida para além de tudo o que sonhei para ele. Depois... depois é altura de o mostrar ao mundo. E esperar que, apesar de todos os defeitos que possa ter, o acarinhem e o compreendam como eu, para que ele possa crescer nas virtudes que também terá...
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