02/12/12

Imprensa em bits

Em 1998 escrevi sobre o fim do jornalismo impresso - ensaio que, alargado, me valeu na altura o Prémio Ensaio Casa da Imprensa. Hoje, é o próprio livro em papel que vive ameaçado pelas novas tecnologias. As minhas "100 Histórias do Outro Mundo" já existem em versão e-book. E no outro dia, numa escola, um menino de 7 anos olhou para o meu computador e perguntou-me: "Tens os teus livros nessa tablete?". A mudança é incontornável. Mais cedo ou mais tarde, teremos que nos adaptar. A minha biblioteca será sempre a minha biblioteca, mas não sei que destino os meus filhos e os meus netos darão aos meus livros, quando a gigante biblioteca digital for uma realidade... http://www.citi.pt/estudos_multi/estudos.html
15/11/12

Sobre a liberdade

Tenho o maior respeito por quem lutou, em tempos, pela nossa liberdade. O que assistimos ontem, em frente à AR, tem outro nome, chama-se libertinagem. Tenho vindo a ensinar aos meus filhos que a liberdade é um direito que exige responsabilidade. Quem abusa da liberdade que tem para a transformar em libertinagem, não merece ser livre. Porque, em última instância, coloca em causa a liberdade de todos, ao legitimar a autoridade, ao apelar à repressão. Porque existem libertinos, existem punições, existem prisões. Há limites à nossa liberdade. E, quanto menos a soubermos exercer, mais as leis se tornarão rígidas e as prisões fechadas. É esse o país onde queremos viver? Um país onde seja necessários restringir a liberdade, em vez de a deixar exercer-se em todo o seu esplendor? Não poderá a liberdade, no caso concreto do país, ser a resposta? A liberdade de apontar o dedo aos culpados, sim, porque também esses abusaram da sua liberdade, colocando em causa a nossa. Mas também a liberdade de propor soluções. A liberdade de criarmos uma nova sociedade e sermos o Estado que queremos para nós. Não será esse o verdadeiro sentido da liberdade num Estado democrático?
12/11/12

O Olhar de uma Alemã sobre Portugal

Em dia de visita de Angela Merkel, recordo as palavras romanceadas de D. Estefânia, princesa alemã, sobre Portugal: "Pequeno recanto à beira-mar, defendido por homens corajosos que sempre aguentaram as fronteiras e as alargaram por mar, alcançando pela primeira vez mundos que o mundo desconhecia. Um povo forte mas pessimista, que constrói e destrói, que avança e recua, como se estivesse talhado para o sucesso, mas não soubesse ser bem-sucedido. Um contrassenso. Um fado." Como parte da solução, D. Estefânia apontava a formação das nossas crianças. Era preciso dar-lhes fé, sobretudo em si próprias, para transformar o pessimismo em optimismo e redescobrir a coragem que nos é inata. Gostava que também das nossas crianças se falasse hoje. Não apenas do seu número (a decrescer). Mas sobretudo da sua importância num Portugal em mudança, que um dia será o que elas construírem.
25/10/12

Entrevista ao blog de Mário Lisboa

Mário Lisboa criou em 2011 um blog sobre Televisão, Cinema e Literatura, onde publica mensalmente entrevistas a atores, guionistas, escritores... A entrevista que me fez, há uns meses, acaba de ser publicada em http://mlisboaentrevista.blogspot.pt/2012/10/mario-lisboa-entrevista-sara-rodi.html. Sendo um jovem estudante, não deixa de procurar quem quer conhecer e dar a conhecer, com iniciativa e determinação. Só por isso, já tem um enorme valor. Obrigada, Mário.

Faz o que te apetece

"Nunca deixes de fazer o que te apetece. Porque ninguém nunca saberá o que é certo ou errado. O que hoje é errado, amanhã pode ser certo, e vice-versa. Por isso a única verdade é aquilo que sentimos vontade de fazer. Fá-lo e não olhes para trás. Porque, independentemente do que faças, poderás terás alegrias ou sofrimento. As primeiras só te alegram se forem resultado da tua vontade. E o segundo, se fizeres aquilo que é a tua vontade, suportá-lo-ás melhor. Por isso sê quem és e faz o que tiveres de fazer. Tudo o mais são consequências inevitáveis da própria razão de viveres." (in próximo livro, ainda por desvendar)
22/10/12

Construção de personagens

Nunca soube fazer caricaturas (que tanto me divertem) nem trabalhar estereótipos (que tanto elucidam). A minha construção das personagens é sempre, involuntariamente, um exercício de tolerância para aceitar as suas (nossas) contradições reais. Como escrevia Espinosa: "Esforcei-me por não rir dos atos humanos, por não chorar por eles e por não os odiar, mas sim por compreendê-los". Assim o consiga, na medida das minhas limitações.
15/10/12

TVI Ficção

Parabéns à TVI pelo novo canal! Durante vários anos, a ficção foi a minha casa e a minha escola, onde aprendi sobretudo o respeito pelo público e o poder do trabalho em equipa. Nos livros, voltei a ser um "lobo solitário" (e é como me sinto melhor...), mas não consigo esquecer-me que escrevo para que me leiam, e que um livro é também o resultado do trabalho de muitas pessoas. E isso, sem dúvida, foi a TV que me ensinou...