Entre o milagre e a coincidência
Não interessa se no mundo ocorrem poderosos milagres ou arrebatadoras coincidências. É um mundo belo, apesar de incontrolável, imprevisível. Talvez não sejamos ainda suficientemente inteligentes para entender o seu caos. Talvez nos bastasse maravilharmo-nos, mas vivemos sedentos de explicações, buscando-as na matéria, quando elas podem estar tão longe daquilo que podemos manipular com as nossas mãos. Hoje chamamos ilusão ao que a nossa mente produz. Talvez um dia chamemos ilusão ao que vemos e tocamos. E talvez, nesse instante, o caos se transforme inexplicavelmente em ordem, e tudo volte a ser tão belo como sempre foi...
Olhar a Vida
Em Barcelona fui vizinha de um poeta que limpava casas para ganhar vida. Não era um poeta qualquer. Tão pouco um empregado da limpeza comum. Ele via imagens nos azulejos sujos, música nas carpetes a arejar ao vento, e poesia no vai e vem da vassoura pelo chão pisado. Sempre que colocava as suas luvas brancas para trabalhar, começava a nascer-lhe um poema. Perdi-o, algures na pressa de viver, mas ficou-me a ideia (ou quiçá apenas a saborosa ilusão) de que qualquer vida tem a sua poesia. E que a beleza das coisas - assim como a sua inquietude - não está nas coisas em si, mas nos olhos com que as vemos. São eles, em grande medida, a balança do nosso sentir.
Do tudo e do nada
Curioso que nada tenha a ver connosco e tudo dependa de cada um de nós. Fazemos parte de um todo que não pode dispensar-nos. E é quando descobrimos o significado da nossa aparente insignificância (ou talvez a insignificância de todo o significado) e a força daquilo a que todos chamam fragilidade (ou a fragilidade daquilo que julgávamos ser a nossa força) que nos tornamos verdadeiramente importantes para o que verdadeiramente importa.
Sobre a liberdade
http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=3019167
A questão da censura é transversal a toda a sociedade. Porque se teme (e se temeu sempre) tanto a liberdade individual? E que mundo teríamos se fôssemos efetivamente todos livres? Um mundo de caos ou de harmonia? Saberíamos nós, seres humanos, reconhecer os limites da nossa liberdade num mundo onde esses limites não nos fossem impostos por leis? Não creio que haja uma verdadeira fé no ser humano. Desconfiamos dos nossos limites. Temos medo das nossas liberdades.
Num mundo perfeito, os nossos 10 mandamentos seriam uma apologia à nossa liberdade: 1. És livre de pensar. / 2. És livre de acreditar. / 3. És livre de amar. / 4. És livre de fazer. / 5. És livre de partir. / 6. És livre de sonhar. / 7. És livre de opinar. / 8. És livre de aprender. / 9. És livre de ensinar. / 10. És livre de seres quem és.
No jornal i - "Faz-se Assim"
("Faz-se Assim" no Jornal i de 12/01/2013)
- Tem algum método de escrita, rotina ou truques?
Como tenho quatro filhos e um início de manhã atribulado, procuro a serenidade necessária para escrever numa pequena corrida pela praia. Não sei se a libertação de endorfinas pode ser considerada um truque, mas para mim é fundamental. Fora essa, existe método e rotina. Bastante. É a única forma de chegar ao fim.
- Faz muitas pausas?
As normais de um dia de trabalho: pausa para o almoço (e telefonemas necessários), para a família (com jantar incluído), para dormir. Se tudo correr bem, são apenas estas. Quase nunca corre assim tão bem…
- Espera pela inspiração?
A partir do momento em que a escrita se tornou na minha profissão deixei de poder esperar por ela. Tive de lhe dar horários, prazos.
- Escreve a computador ou à mão?
Ando sempre com um caderninho de notas e também escrevo ideias no telemóvel. Mas quando parto para a escrita já o faço no computador.
- Usa um tipo de letra específico?
Escolho uma letra legível, tamanho 12, espaço e meio, justificado... O banal.
- Tem manias como acabar sempre uma página, por exemplo?
Tento apenas que a última frase do dia me deixe vontade de continuar a escrever no dia seguinte.
- Pensa logo no título ou surge depois?
Já me aconteceu surgir logo, surgir a meio e surgir no final. Já partiu de mim e já partiu de alguém que leu o que escrevi. Não prefiro nenhuma das formas, desde que se encontre de facto um título que seja um bom rosto para o livro.
- Faz algum esboço das personagens e trama? (seja em papel, seja mental) Se não faz, como se processa a construção do livro?
Faço um esqueleto do livro. A minha história ganha, desde logo, um princípio, um meio e um fim a que me proponho, à partida. O que não quer dizer que não possa tomar outros rumos.
- A primeira frase mantém-se ou muda depois?
Geralmente mantém-se. Só depois de ter uma primeira frase é que consigo partir para a escrita do livro.
- Evita ler livros quando escreve?
Não evito. Eu gosto sempre de ler. O que acontece é que, quando estou envolvida na minha história, qualquer frase que eu leia noutro livro pode dar-me ideias para o meu. Não é que vá escrever nada parecido. Mas só o facto de estar tranquila e predisposta a receber em mim uma história já faz com que novas ideias.
- Ouve música enquanto escreve, ou prefere silêncio?
Prefiro a música. Ajuda-me a criar o ambiente, faz-me entrar na história e na pele das personagens. Põe-me “lá”. Antes de começar a escrever um livro, procuro o tema ou temas que me levem a sentir o que preciso: é a “banda sonora” desse livro. Pode ser jazz, opera, chill out, fado… Depois oiço esse tema obsessivamente até terminar o livro.
- Qual é a sensação que fica, quando termina um livro?
É semelhante a terminar uma maratona. Quando partimos estamos cheios de garra, com vontade de vencer. Depois temos momentos de desgaste, momentos em que nos perguntamos o que nos passou pela cabeça para fazer aquilo, qual o objectivo, questionamos tudo, apetece-nos desistir… Até que começamos a ver a meta, ao fundo (para mim a partir das 120-150 páginas). Entusiasmo-nos novamente e recuperamos forças. E é indescritível a sensação de chegar ao fim. Estamos exaustos, mas simultanemente com um sentimento de missão cumprida. Se vamos voltar a correr outra maratona daquelas, não sabemos. Mas pelo menos aquela já terminámos e, independentemente do lugar em que ficámos (o feedback que teremos), soube-nos bem.
- Trabalha em mais do que um livro ao mesmo tempo?
Geralmente sim. E por isso mesmo a música se torna fundamental. Trocar o CD é trocar de histórias e de estilos.
- Escreve em casa?
Sim. Por vezes pego no computador e vou escrever para outros locais, seja para sentir determinados ambientes, seja porque estou farta de estar em casa.
- O que é que não pode faltar na sua mesa de trabalho?
Papéis, CDs, livros, caos. Gosto de uma boa secretária desarrumada. Se estiver arrumada é sinal de que preferi arrumá-la a escrever.
- Em que é que está a trabalhar neste momento?
Tenho alguns projectos a decorrer, no "Livro da Minha Vida", trabalhos diversos para editoras... Mas estou sobretudo envolvida na escrita de um novo romance histórico, que gostava de lançar no próximo ano.
- Já deitou fora muita coisa que tenha escrito?
Não gosto de deitar nada fora. Tenho guardados até os meus escritos da adolescência.
Se um dia os meus filhos quiserem saber quem fui, terão que me ler.
- Como é que dá o nome às suas personagens?
Depende do livro. Nos romances históricos estou balizada pelas personagens reais e pelos nomes próprios da época. Nos livros infantis ou nos romances intemporais há outra liberdade. Já baptizei personagens com nomes de pessoas que conheço. Como também já escrevi um romance inteiro (o “Frio”) sem dizer o nome das personagens, para que elas pudessem ser qualquer pessoa.
Lançamento de "D. Estefânia - Um Trágico Amor"
O vídeo completo do lançamento de "D. Estefânia - Um Trágico Amor" na FNAC do Chiado, com apresentação de Maria Filomena Mónica. O meu obrigada a todos aqueles que estiverem presentes e a todos os demais que leram o livro.
http://www.culturafnac.pt/videos/?video_id=46284141#.UPE1o9X1V5A.facebook
O futuro do país
Falamos muito das crianças como as herdeiras da situação que hoje vivemos. Mas pouco do papel que elas poderão ter numa mudança efetiva. São elas os futuros líderes do nosso país. Os futuros cidadãos. Os futuros pais. Estaremos a educa-las para fazer diferente? Para fazer melhor?
O país não é só o que lhes deixarmos. Será também aquilo que lhes ensinarmos a fazer com ele.
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