Talvez a arte não sirva para nada. Ou talvez sirva para muito daquilo que importa: agitar o mundo, sacudi-lo de fantasmas, de preconceitos, de visões redutoras e sentimentos retorcidos. A arte vê para além do horizonte, além das nuvens, por debaixo do chão. Vê mais longe, vê mais alto, mais fundo e mais dentro do mundo, em geral, e de todos nós, em particular. Pode compor, pintar, dançar ou escrever ilusões. Mas não será ilusão também tudo o que não se vê completamente, para além do que existe e do que já é e do qual estamos todos cansados que seja?
Nem sempre o artista é feliz, é certo. Não pela incompreensão dos outros, como às vezes se diz, mas porque empresta o seu corpo à violência da mudança. Às vezes vê mais, mais do que lhe é suportável ver. Para rasgar, às vezes rasga-se. Para quebrar, às vezes quebra-se. Sorte do artista que, ao permitir a reescrita do mundo, se reescreve também, sem se desfazer na ausência de sentido, na loucura que nem sempre consegue ver-se como missão.
A minha utopia
Não acredito em guerras, se aqueles que sobreviverem, de um lado e de outro, não entenderem o que é a paz.
Não acredito em lutas pela justiça, se aqueles que vierem depois não entenderem o que é justo.
Não acredito em lutas pela liberdade, se aqueles que a conquistarem sonharem com novas formas de prender os outros.
Não acredito no fim de um poder, se aqueles que vierem depois não perderem a sede de o alcançar.
Não acredito em mudanças, se aqueles que depois viverem na mudança não tiverem mudado.
O Todo depende sempre da afinação de cada uma das partes.
Por isso acredito que as soluções globais passam inevitavelmente por questionamentos pessoais.
Por isso acredito que um Presente melhor depende sempre da educação e formação daqueles que serão o seu Futuro. Não só no saber. Mas sobretudo na consciência de si próprio, enquanto parte fundamental de um Todo.
Talvez não passe de uma utopia, mas acredito que, se cada um de nós estiver afinado, o Todo funcionará automaticamente sem lutas, conflitos, erros ou usurpações. Sem necessidades de estrutura. Sem poder ou hierarquia. Um mundo que foi educado para isso. Formado para tal. Um mundo enfim unido, com consciência de que a desafinação de uma única peça interrompe o ciclo natural da grande Máquina que é feita de todos nós.
(Dedicado a todos os pais, professores e educadores que conheço, construtores de um mundo melhor).
Não acredito em lutas pela justiça, se aqueles que vierem depois não entenderem o que é justo.
Não acredito em lutas pela liberdade, se aqueles que a conquistarem sonharem com novas formas de prender os outros.
Não acredito no fim de um poder, se aqueles que vierem depois não perderem a sede de o alcançar.
Não acredito em mudanças, se aqueles que depois viverem na mudança não tiverem mudado.
O Todo depende sempre da afinação de cada uma das partes.
Por isso acredito que as soluções globais passam inevitavelmente por questionamentos pessoais.
Por isso acredito que um Presente melhor depende sempre da educação e formação daqueles que serão o seu Futuro. Não só no saber. Mas sobretudo na consciência de si próprio, enquanto parte fundamental de um Todo.
Talvez não passe de uma utopia, mas acredito que, se cada um de nós estiver afinado, o Todo funcionará automaticamente sem lutas, conflitos, erros ou usurpações. Sem necessidades de estrutura. Sem poder ou hierarquia. Um mundo que foi educado para isso. Formado para tal. Um mundo enfim unido, com consciência de que a desafinação de uma única peça interrompe o ciclo natural da grande Máquina que é feita de todos nós.
(Dedicado a todos os pais, professores e educadores que conheço, construtores de um mundo melhor).
Amanhecer
O tempo e os sábios
Quando entrevistamos alguém com 93 anos que nos oferece café e pão-de-ló e nos diz "Não tenha pressa", o tempo pára, obrigatoriamente... Na nossa corrida diária, falta-nos tempo para olhar a vida em perspetiva. Não é necessariamente mau. É o que é, como sempre foi, no tempo em que é suposto. Mas faz-nos falta ouvir os "velhos", ter junto de nós os sábios, aqueles a quem a idade já deu tempo, já deu saber e relatividade. Aqueles que nos podem olhar nos olhos e dizer com conhecimento de causa "A vida é breve, minha filha. Não corra tanto..."
Tempo certo
Não há um só dia sem importância, um só minuto sem valor e um segundo a que chamemos de insignificante. Encarando a vida de frente, somos uma sucessão de erros e vitórias, e uns jamais existiriam sem os outros. Hoje (e talvez só hoje) sei que corri a vida toda para chegar a algum lugar. Mas sei também que estive sempre, por mais errado que fosse, onde deveria estar.
Entre o milagre e a coincidência
Não interessa se no mundo ocorrem poderosos milagres ou arrebatadoras coincidências. É um mundo belo, apesar de incontrolável, imprevisível. Talvez não sejamos ainda suficientemente inteligentes para entender o seu caos. Talvez nos bastasse maravilharmo-nos, mas vivemos sedentos de explicações, buscando-as na matéria, quando elas podem estar tão longe daquilo que podemos manipular com as nossas mãos. Hoje chamamos ilusão ao que a nossa mente produz. Talvez um dia chamemos ilusão ao que vemos e tocamos. E talvez, nesse instante, o caos se transforme inexplicavelmente em ordem, e tudo volte a ser tão belo como sempre foi...
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