06/03/13

Uma questão de focagem

Creio que todos nós nascemos com um tipo de focagem. Há quem tenha olhos, há quem tenha binóculos, há quem tenha telescópios. Nenhuma das visões é errada, tão pouco redutora. Todas elas são necessárias, desde que adequadas à sua função. Alguém com olhos para ver o que se passa à sua volta, nunca poderá explicar o universo. Assim como alguém que procura respostas naquilo que não se vê, não pode querer ser eficaz nas coisas práticas à sua volta. Há quem veja o perto, quem veja o longe e quem veja o mais além. Enquanto não soubermos que tipo de lentes temos, acharemos sempre que temos um problema de "visão".
05/03/13

Pais e Filhos

Tendemos a pensar no que temos a ensinar aos nossos filhos e a esquecermo-nos de encarar o tanto que temos a aprender com eles. Esquecemo-nos que os filhos não são nossos nem nós deles. Passam pela nossa vida e nós pela deles, numa dependência fundamental mas efémera, numa relação de instantes mas eterna. Estamos sempre sem podermos estar sempre. Amamos sempre sem o podermos mostrar sempre.
Mas não, os filhos não são nossos nem nós deles. Passam pela nossa vida e nós pela deles, para ensinarmos uns aos outros o que sabemos de melhor. Nós preparamo-los para viverem sem nós, ensinando-lhe a presença na ausência. Eles preparam-nos para vivermos sem eles, ensinando-nos a ausência na presença. Nós fazemos por estar sem estarmos. E eles, à medida que crescem, ensinam-nos que podem estar sem estarem. Fogem de nós devagarinho. Primeiro à nossa frente, à nossa mesa, no nosso sofá, para nos irmos habituando. Depois desaparecem-nos mesmo, estejamos ou não habituados. Nós ensinamo-los a viverem sem nós, e eles tentam ensinar-nos também a vivermos sem eles. A sermos, para além deles, com tudo aquilo que eles nos ensinaram a ser.
Nem sempre a lição é fácil, mas torna-se ainda mais difícil quando faltamos às aulas. Se não estamos presentes, como queremos ensinar? Se não estamos presentes, como podemos aprender? E as lições perdem-se, os ensinamentos esfumam-se. As relações quebram-se, e nenhuma ausência é já presença, nem há já presença ausente. Perdemos demasiado tempo na pressa da vida. Na luta pelo que não interessa. Na revolta contra nada que mereça. Perdemos demasiado tempo sem sermos uns dos outros, no tempo certo. Quando o tempo certo passa, procuramo-nos e já não nos temos. Nunca fomos uns dos outros, de facto e, se não aprendermos nada uns com os outros, no tempo certo, corremos o risco de não sermos sequer já de nós próprios.

D. Estefânia - Um Trágico Amor

A blogger Inês descreveu assim o meu livro "D. Estefânia - Um Trágico Amor". E disse tudo aquilo que eu podia desejar que alguém pudesse sentir ao lê-lo. Obrigada!

"Este livro é uma despedida e, por isso, é de uma tristeza imensa página a página. É, contudo, essa tristeza que o torna tão bonito e tão intenso. É como um balanço entre a vontade de viver e a serenidade de aceitar partir, é ler melancolia e saudade do princípio ao fim. É por isso muito português. No entanto, mais do que de tristeza, neste livro lê-se fé, uma fé infinita não somente em Deus, mas principalmente na vida, na felicidade e na aceitação plena daquilo que a vida pretende para nós. Esta história é, toda ela, um exemplo e, se ao virar a última página, sentimos um nó lá no nosso fundo, sentimos sobretudo uma inspiração enorme."
(http://seaminhaestantefosseumblogue.blogspot.pt/2012/12/d-estefania-um-tragico-amor-sara-rodi.html)
02/03/13

Despertar

"A escola não pode apenas promover o conhecimento. Deve, necessariamente, promover também o auto-conhecimento. Já dizia Jung que "Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, desperta." Fala-se hoje muito da busca individual de nós mesmos, a partir dos 30, 40, 50 anos. Fala-se de um despertar tardio, que muitos criticam e chamam de "crise". O "despertar" individual é necessário. Seja em que idade for. Mas num mundo melhor, ele deveria acontecer quando a responsabilidade ainda não existe, quando os caminhos ainda estão por trilhar e as grandes decisões por tomar. Deveria acontecer naturalmente, no momento certo. Uma criança ou jovem que se conheça, será, por fim, um adulto que sabe sonhar..."
26/02/13

Reencontros

http://www.facebook.com/photo.php?v=3893613597873&set=vb.212099128850192&type=2&theater

Impossível não chorar também. Tendemos a pensamos que a vida é feita de despedidas, quando afinal ela é, sim, feita de saborosos reencontros.
23/02/13

As perguntas da nossa vida

A vida é feita de perguntas. São elas que nos levam a procurar as respostas. É assim em qualquer esfera da nossa vida.
Onde? Quando? Como? Quem? Porquê?
Nem todos contemos todas as perguntas dentro de nós. Mas há pelo uma que nos é fundamental, em cada momento da nossa História. Onde estou? Quando me perdi? Como conseguirei avançar? Quem sou e quem tenho à minha volta? Porque sou o que sou?
A vida de hoje não nos deixa tempo nem espaço para nos questionarmos, muito menos para buscarmos as respostas que precisamos para avançar. Tudo parecer reduzir-se a um Quanto sem significado algum. Quanto tempo vivemos. Quanto temos. Quanto temos que pagar. Quanto trabalhamos. Quanto ganhamos. Quantos dependentes temos. Quantos anos temos e quanto medimos ou pesamos.
Não creio que a Vida seja sobre o Quanto, sobretudo se nenhuma outra pergunta existir na nossa vida. Não existe um Quanto enquanto não soubermos Onde nos situamos, Como vivemos, com Quem nos Cruzamos e o Porquê de existirmos. Somos personagens de uma História. Da nossa História. E quem escreve uma História sabe que tem que caracterizar as suas personagens, antes de as pôr em acção. Tem de saber quem elas são e o que buscam. Na nossa História individual, que cada um de nós escreve à sua maneira, o mesmo se passa. Como poderemos saber para onde devemos ir, se não sabemos quem somos nem o que nos move?



22/02/13

Barcelona e a Liberdade

Durante muitos anos perguntei-me o que me teria ensinado Barcelona, com todas as coisas estranhas que lá vivi e as pessoas invulgares que conheci. Hoje, de alguma forma, a ouvir esta música que imortaliza a "minha" Barcelona (http://www.youtube.com/watch?v=u-ruOx442Qw), acho que aquilo que aprendi de mais importante foi que, por mais que sejamos todos tão diferentes (e é tão bela essa diferença!), não deixamos de buscar todos as mesmas coisas, de ter as mesmas necessidades... Cresci a pensar que a resposta para tudo estava no Amor. Mas hoje sei que um mundo de Amor terá de ser também um mundo de Liberdade, onde ninguém está errado, se viver na sua Verdade e respeitar a do outro.

(Tajabone - nome da música - é uma festa muçulmana que acontece depois do Ramadão, em que as crianças vão de casa em casa a cantar e a dançar. Tradução da letra:

tajabone we're going to tajabone,
abdou jabar he's an angel coming from the skies into your soul,
he's going to ask you did you pray ?
he's going to ask you did you fast ?
he is coming to judge your soul,
he's going to ask you did you pray ?
did you fast ?)