20/04/13

Certezas

Gosto de ler certezas nos olhos dos outros. Certeza é força. É brilho. É garra. Pode ser também uma ilusão, mas é sempre melhor uma ilusão do que nada.
Não sei se algum dia os meus olhos serão também certezas. Por enquanto, a sua força, o seu brilho e a sua garra, a existirem, surgem não da certeza, mas da urgência de questionar todas as certezas do mundo...
17/04/13

Ficção Científica à beira da realidade


http://portugalmundial.com/2012/11/fisicos-conseguem-pela-primeira-vez-teletransportar-um-objecto-macroscopico/

Aquilo que a ficção sonhou, começa a tornar-se realidade. Estaremos efetivamente próximo de rasgar as fronteiras do espaço?
E o que segue? As do tempo?
13/04/13

Personagens

Criar personagens é descobrir em mim todas as vidas que contenho. Se já as terei vivido ou não, não sei. Sei que habitam em mim e vivem através de mim, sussurando-me aquilo que lhes escrevo. A vida que ainda lhes resta: a das palavras.
10/04/13

Nós e os Animais

Na minha infância e juventude, para além de escrever sobre a minha vida, tinha também por hábito deixar por escrito a história dos animais que passaram por ela. Os gatinhos que resgatei, a cadela que me morreu nos braços, os ciúmes entre cães, as traições, as lutas de poder, as dependências, mas também os afectos sinceros, as paixões e o amor incondicional. Se, por um lado, tentava entender o mundo dos homens, por outro observava o mundo dos animais, na certeza de que não eram mundos assim tão diferentes. E hoje, ao ler estas páginas, pergunto-me quem aprendeu mais com quem, se os meus animais comigo, se eu com eles... talvez, na verdade, uns com os outros, como tudo o mais, nesta vida.

08/04/13

Livros por acaso (ou talvez não)

Com a última encomenda que fiz na Wook, chegou-me de oferta um livro que, coincidência ou não, era exatamente o livro que, sem saber, precisava de ler: "Algures por esse mundo existem seis pessoas que - separadas - não passam de excluídos, seres desajustados. Mas uma força inconcebível vai uni-los e, um dia, talvez consigam juntar os seus singulares poderes e transformar o mundo."



Vamos a isto?
01/04/13

Feliz Dia do Livro Infantil

Não sou escritora infanto-juvenil de vocação. Comecei bem cedo a trocar as fábulas e as aventuras por Saramago, Fernando Pessoa, Kafka ou Dostoievski. Vim cá parar por acaso, nesse acaso maravilhoso que se chama maternidade. Com os meus filhos, redescobri o gosto pela mensagem da pequena história, pela alegria do final feliz. Contemplei, quase como pela primeira vez, as palavras menos difíceis e as frases menos rebuscadas. Ousei experimentar. Achei difícil. Mas tinha olhos sedentos cá em casa, atentos aos meus movimentos, a suplicar-me que lhes dedicasse o meu tempo. O meu tempo era a minha escrita. E assim, como o meu tempo teria de ser deles também, a minha escrita passou a ser também para eles.
Mas os filhos crescem. Buscam novas aventuras. E o que antes, para mim, era simples, agora procura novas fórmulas, linguagens que desconhecia, mundos que não vivi. Sinto-me crescer com os meus filhos, por isso pergunto-me durante mais quanto tempo serei autora de livros infantis, se os olhos dos meus filhos, qualquer dia, me suplicarem os temas que não me largam e as grandes questões que me perturbam. Talvez deixe de fazer sentido. Porque infelizmente não sou uma eterna criança, mas antes uma desde sempre velhinha. Mas uma velhinha que descobriu a magia de contar histórias aos outros, sendo talvez, nesses momentos, e enquanto eles durarem, os únicos em que descobre a criança que há em si.
Desconhecendo o futuro e o que ele me levará a escrever, hoje felicito todos os autores e ilustradores de livros infanto-juvenis, felicito os pais e professores que os dão a ler e todas as crianças e jovens que os exploram com prazer. Como costumo dizer nas escolas, "talvez hoje vocês não percebam a importância do que estão a descobrir. Mas aquilo que lerem hoje pode bem ser aquilo que serão no futuro. Por isso rodeiem-se de muitas histórias, a maior quantidade possível, e sejam assim tudo o que quiserem!"
Feliz Dia Internacional do Livro Infantil!

31/03/13

Escrever

Desengane-se quem pensa que se escreve por coisa alguma.
Inventam-se razões. Explicam-se sentidos, que podem surgir a posteriori. Mas a priori, quem escreve, escreve porque tem que escrever. Numa ausência de sentido que é, para o escritor, a única fonte de significado.
No momento em que o escritor percebe que escreve só porque tem que escrever, entende que a mão não é dele e as palavras não são suas. O que para si é uma estranha urgência, não tem talvez significado para si, porque talvez o escritor, em si mesmo, não importe. Só importa aquilo que ele escrever. Não para que ele próprio encontre o seu significado, mas porque outros terão de o descobrir naquilo que foi escrito.
O escritor não vale, assim, por si. Por isso dificilmente um escritor se sente grande. É pequeno, perante aquilo que teve que escrever. Será sempre pequeno, na sua falta de sentido para o que fez, ainda que outros tenham descoberto no que ele fez todos os significados do mundo.
Escrever é, por isso, uma espécie de crença cega. Não se entendem os porquês, mas é preciso escrever o que se escreve. Não se sabe para que servirá, mas ainda assim terá de ser feito. Porque sim e nada mais. E, paradoxalmente (e talvez assim seja para tudo na vida) fazer-se algo porque sim e nada mais, talvez seja verdadeiramente fazer aquilo que não pode deixar de ser feito.