20/04/13

Essência e Profundidade



Sempre olhei o universo em busca de mim. Talvez o mais fundo de nós não resida dentro de nós, mas no mais fundo de tudo o que existe. E a nossa essência será tanto mais profunda quanto mais profundamente olharmos para aquilo que vive fora de nós.
E o que somos nós, afinal, se não um ponto entre tantos outros?
O que é cada um de nós, afinal, se não uma ínfima parte de um infinito todo?

Enquanto olhava o céu em busca de significado, construía o que era importante construir.
Enquanto olhava céu para me sentir insignificante, destruía o que era importante destruir.
Hoje olho o céu e sinto-me céu. Não busco coisa alguma. Sou dele e ele meu. Uno e inteiro. Eterno e infinito.

E quando olho o céu para me encontrar, entendo que estamos todos aquém do que podemos ser e somos muito além daquilo que nos podemos achar. Porque além é a nossa morada. Um dia seremos todos do céu, e mais nada...

Certezas

Gosto de ler certezas nos olhos dos outros. Certeza é força. É brilho. É garra. Pode ser também uma ilusão, mas é sempre melhor uma ilusão do que nada.
Não sei se algum dia os meus olhos serão também certezas. Por enquanto, a sua força, o seu brilho e a sua garra, a existirem, surgem não da certeza, mas da urgência de questionar todas as certezas do mundo...
17/04/13

Ficção Científica à beira da realidade


http://portugalmundial.com/2012/11/fisicos-conseguem-pela-primeira-vez-teletransportar-um-objecto-macroscopico/

Aquilo que a ficção sonhou, começa a tornar-se realidade. Estaremos efetivamente próximo de rasgar as fronteiras do espaço?
E o que segue? As do tempo?
13/04/13

Personagens

Criar personagens é descobrir em mim todas as vidas que contenho. Se já as terei vivido ou não, não sei. Sei que habitam em mim e vivem através de mim, sussurando-me aquilo que lhes escrevo. A vida que ainda lhes resta: a das palavras.
10/04/13

Nós e os Animais

Na minha infância e juventude, para além de escrever sobre a minha vida, tinha também por hábito deixar por escrito a história dos animais que passaram por ela. Os gatinhos que resgatei, a cadela que me morreu nos braços, os ciúmes entre cães, as traições, as lutas de poder, as dependências, mas também os afectos sinceros, as paixões e o amor incondicional. Se, por um lado, tentava entender o mundo dos homens, por outro observava o mundo dos animais, na certeza de que não eram mundos assim tão diferentes. E hoje, ao ler estas páginas, pergunto-me quem aprendeu mais com quem, se os meus animais comigo, se eu com eles... talvez, na verdade, uns com os outros, como tudo o mais, nesta vida.

08/04/13

Livros por acaso (ou talvez não)

Com a última encomenda que fiz na Wook, chegou-me de oferta um livro que, coincidência ou não, era exatamente o livro que, sem saber, precisava de ler: "Algures por esse mundo existem seis pessoas que - separadas - não passam de excluídos, seres desajustados. Mas uma força inconcebível vai uni-los e, um dia, talvez consigam juntar os seus singulares poderes e transformar o mundo."



Vamos a isto?
01/04/13

Feliz Dia do Livro Infantil

Não sou escritora infanto-juvenil de vocação. Comecei bem cedo a trocar as fábulas e as aventuras por Saramago, Fernando Pessoa, Kafka ou Dostoievski. Vim cá parar por acaso, nesse acaso maravilhoso que se chama maternidade. Com os meus filhos, redescobri o gosto pela mensagem da pequena história, pela alegria do final feliz. Contemplei, quase como pela primeira vez, as palavras menos difíceis e as frases menos rebuscadas. Ousei experimentar. Achei difícil. Mas tinha olhos sedentos cá em casa, atentos aos meus movimentos, a suplicar-me que lhes dedicasse o meu tempo. O meu tempo era a minha escrita. E assim, como o meu tempo teria de ser deles também, a minha escrita passou a ser também para eles.
Mas os filhos crescem. Buscam novas aventuras. E o que antes, para mim, era simples, agora procura novas fórmulas, linguagens que desconhecia, mundos que não vivi. Sinto-me crescer com os meus filhos, por isso pergunto-me durante mais quanto tempo serei autora de livros infantis, se os olhos dos meus filhos, qualquer dia, me suplicarem os temas que não me largam e as grandes questões que me perturbam. Talvez deixe de fazer sentido. Porque infelizmente não sou uma eterna criança, mas antes uma desde sempre velhinha. Mas uma velhinha que descobriu a magia de contar histórias aos outros, sendo talvez, nesses momentos, e enquanto eles durarem, os únicos em que descobre a criança que há em si.
Desconhecendo o futuro e o que ele me levará a escrever, hoje felicito todos os autores e ilustradores de livros infanto-juvenis, felicito os pais e professores que os dão a ler e todas as crianças e jovens que os exploram com prazer. Como costumo dizer nas escolas, "talvez hoje vocês não percebam a importância do que estão a descobrir. Mas aquilo que lerem hoje pode bem ser aquilo que serão no futuro. Por isso rodeiem-se de muitas histórias, a maior quantidade possível, e sejam assim tudo o que quiserem!"
Feliz Dia Internacional do Livro Infantil!