Desde que o homem é homem que sabe que lhe é difícil sobreviver sozinho. Nunca foi um animal solitário, sempre gregário. Tinha o seu grupo, a sua tribo, a sua família... o seu bairro, a sua terra, o seu país, o seu continente. Agregou-se porque precisa de pertencer a algo. E um grupo, seja ele qual for, precisa de um líder. Um líder em que se acredite, que oriente, motive, oiça, resolva. Quando o grupo se torna grande, como o caso de um país, essa liderança pode ter subdivisões, outros líderes e pequenos líderes que liderem nas suas estruturas menores, mas em sintonia com essa liderança maior, em que todos deveriam acreditar.
O problema é que vivemos uma crise de liderança. A liderança, falando de forma generalizada (porque haverá sempre meritórias excepções) passou a ser um posto apetecível, mais do que exigente e de enorme responsabilidade, e a liderança passou a ser uma aspiração, mesmo de quem não tem a menor capacidade para tal. A guerra pela liderança passou a sobrepor-se à responsabilidade que é ser-se líder de um grupo. E o grupo passou a desconfiar dos seus líderes. A desconfiar de todos aqueles que o são e de todos aqueles que o pretendem ser.
A verdade é que, sem líderes, nunca poderemos ser um bom grupo. E isso afeta não só o grupo maior a que pertencemos (o continente, o país, a localidade) como depois também os grupos menores a que pertencemos. A desconfiança é a antítese do espírito de grupo. Uma equipa desportiva que desconfie do treinador, e depois desconfie do capitão, e depois desconfie de cada um dos jogadores, não poderá vencer um campeonato. Assim também um país que vive em regime de desconfiança generalizada nunca poderá vencer uma crise.
Na ausência de líderes em quem se confie, teríamos de reiventar novas formas de organização, que o suprimam. Mas conseguiremos viver em grupo sem líderes? Não creio. Ao mesmo tempo que não me parece que consigamos deixar de viver em grupos, porque somos gregários por natureza. E porque, em última instância, precisamos mesmo uns dos outros, para nossa sobrevivência. Se o humano passar a viver cada um por si, haverá uma guerra em cada esquina, porque o problema da desconfiança não só se manterá, como se agravará.
A solução passa, talvez, por voltarmos a ter líderes fortes. Líderes naturais que voltem a incutir confiança no grupo. Mas não creio que eles apareçam tão cedo. A existirem, não quererão liderar num regime de desconfiança como aquele que está instalado. Não quererão lutar contra a vontade de liderança de quem apenas deseja poder. Esses líderes, a existirem, terão receio da sua capacidade de liderança. Preferirão negá-la a impô-la num sistema subvertido à partida.
Não acredito, portanto, que encontremos esses líderes. Mas acredito que poderemos formá-los. Em uma ou duas gerações, se quisermos, poderemos formar crianças que entendam o que é a verdadeira liderança, que a respeitem, e que saibam trabalhar como grupo com vista a um objetivo comum. É no ensino e no apoio às famílias que pode estar a solução. É nos pais, professores e educadores que pode estar, neste momento, a capacidade de resolver este problema do país, que é extensível à maioria dos outros países também, eu diria mesmo ao ser humano em geral.
O vulcão que habita em mim
Canto uma canção de embalar ao vulcão que habita em mim. "Sossega, meu bem", digo-lhe com carinho, amaciando a lava que se agita com o calor dos dias. Por mais que as palavras o serenem e os gestos o sosseguem, um vulcão jamais será uma planície. Haverá sempre o dia e a hora em que ele cuspirá fogo por ser quem é e como o fizeram. Não lhe canto com esperança de o mudar. Apenas para não o deixar entrar em erupção fora do tempo certo ou sem nada que justifique...
As limitações do corpo
Perante um melro que nos apareceu à porta, sem conseguir voar, a minha filha de 4 anos olha-me de coração partido e diz-me:
- Oh, mamã... Ele é como eu! Eu também queria voar e não consigo!
Sem asas, ousamos voar.
Sem pernas que não se cansem, percorremos o mundo velozmente.
Sem uma voz que se oiça à distância, comunicamos com tudo e todos.
Sem ouvidos capazes de ouvir o que se passa lá longe, escutamos o que se passa em qualquer parte.
Nascemos seres limitados por um corpo que não nos deixa rasgar fronteiras, mas acreditamos que a nossa inteligência nos pode levar até onde nunca iríamos. É o corpo que nos limita. É do corpo que as nossas aspirações devem sair e abraçar aquilo que o corpo nos diz ser impossível. Talvez nada seja impossível, na verdade, se o corpo permitir que aquilo que há em nós e não é físico, se expanda até ao infinito...
- Oh, mamã... Ele é como eu! Eu também queria voar e não consigo!
Sem asas, ousamos voar.
Sem pernas que não se cansem, percorremos o mundo velozmente.
Sem uma voz que se oiça à distância, comunicamos com tudo e todos.
Sem ouvidos capazes de ouvir o que se passa lá longe, escutamos o que se passa em qualquer parte.
Nascemos seres limitados por um corpo que não nos deixa rasgar fronteiras, mas acreditamos que a nossa inteligência nos pode levar até onde nunca iríamos. É o corpo que nos limita. É do corpo que as nossas aspirações devem sair e abraçar aquilo que o corpo nos diz ser impossível. Talvez nada seja impossível, na verdade, se o corpo permitir que aquilo que há em nós e não é físico, se expanda até ao infinito...
Dia da Família
Se a vida é, como a entendo, uma escola de afetos, a família é parte fundamental do corpo docente. É-o sobretudo na nossa infância, antes de começarmos a chamar a nós outros professores, a procurar outro tipo de ensinamentos... Um dia, quando damos conta, estamos já nós a ensinar aqueles que nos darão continuidade. Mas as palavras e os afetos daqueles que nos deram as "bases", esses (para o bem e para o mal, por vezes), ficarão sempre presentes. E, na mesma medida, também as "bases" que dermos àqueles que ajudamos a crescer... Não temos mais responsabilidade em sermos bons alunos, do que em sermos bons professores. Família, na sua mais completa definição, é tanto receber como dar.
Feliz Dia da Família!
Feliz Dia da Família!
Da vida e do mundo
Oiço ininterruptamente, quando me permito escutar o silêncio, que a vida não é sobre mim. Nem a minha própria vida é exclusivamente sobre aquilo que sou. E não se trata apenas de ser também de alguns. Ser-se completamente, naquilo que oiço e naquilo que sinto, é ser-se de tudo e de todos, é ser tudo e é ser todos, numa dimensão que não sei entendo completamente, por habita ainda e apenas nas palavras que o traduzem. Talvez a única forma que tenho de sê-lo, é escrevê-lo. É ser tudo e ser todos através de tudo aquilo que dou a ler.
A Voz
Há sempre em nós uma voz que canta, porque dentro de nós temos alguém que nos escuta...
Se mais ninguém nos ouvir, cantemos o que somos para quem somos. E já terá valido a pena...
Se mais ninguém nos ouvir, cantemos o que somos para quem somos. E já terá valido a pena...
Do ponto de vista do Céu
A perspetiva dos astronautas que nos olharam através do espaço...
Para que a perspetiva de todos nós, "aqui em baixo", comece finalmente a mudar...
http://www.upworthy.com/some-strange-things-are-happening-to-astronauts-returning-to-earth?g=3
Para que a perspetiva de todos nós, "aqui em baixo", comece finalmente a mudar...
http://www.upworthy.com/some-strange-things-are-happening-to-astronauts-returning-to-earth?g=3
Subscrever:
Mensagens (Atom)