14/07/13

Jogos da Fome

"Esperança é a única coisa mais forte do que o medo..."
(Jogos da Fome)
10/07/13

A caixa de Teresa

Hoje o meu filho mais velho pediu-me para lhe contar o Mito da Caixa de Pandora...

"De acordo com a obra, o titã Prometeu presenteou os homens com o fogo para que dominassem a natureza. Zeus, o chefão dos deuses do Olimpo, que havia proibido a entrega desse dom à humanidade, arquitetou sua vingança criando Pandora, a primeira mulher. Antes de enviá-la à Terra, entregou-lhe uma caixa, recomendando que ela jamais fosse aberta, pois dentro dela, os deuses haviam colocado um arsenal de desgraças para o homem, como a discórdia, a guerra e todas as doenças do corpo e da mente mais um único dom: a esperança.
Vencida pela curiosidade, Pandora acabou abrindo a caixa, liberando todos os males no mundo, mas a fechou antes que a esperança pudesse sair."

A minha D. Teresa de Távora é Pandora. Toda a mulher é Pandora, ainda a precisar de se libertar dos males do mundo e das culpas que sempre lhe pesaram sobre os ombros...
09/07/13

Carmina Burana

Carmina Burana, de Carl Orff, tocou ininterruptamente enquanto escrevi "D. Teresa de Távora, a Amante do Rei". Escolhi esta "banda sonora" apenas porque me transportava até ao ponto que eu queria, temporal, espacial e emocional, mas só hoje descobri que os "carmina burana" eram na verdade poemas de monges e eruditos errantes do século XIII, sobre o desejo, o dinheiro e o poder, encontrados em 1803 num convento da Baviera. Para prólogo, Orff escolheu uma invocação à deusa Fortuna, que poderia ter sido cantada pela "minha" Teresa...

"Ó Sorte
És como a Lua
Mutável,
Sempre aumentas
Ou diminuis;
A detestável vida
Ora oprime
E ora cura
Para brincar com a mente;
Miséria
Poder
Ela os funde como gelo.

Sorte imensa
E vazia
Tu, roda volúvel,
És má,
Vã é a felicidade
Sempre dissolúvel,
Nebulosa
E velada
Também a mim contagias
Agora por brincadeira
O corpo nu
Entregue à tua perversidade"
(in Wikipedia)

http://www.youtube.com/watch?v=QEllLECo4OM
08/07/13

De convencer



De acordo, Saramago. Infelizmente, criámos um modelo sócio-económico baseado na arte do convencimento, onde o respeito pelo outro só existe enquanto o mantivermos convencido. Resta-nos o plano pessoal, mas o que sobrou do que somos, se estamos cada vez mais reduzidos ao que temos e fazemos? E quantas vezes não sujeitamos o que somos, para poder ter e poder fazer? Vivemos num mundo onde só parece vingar quem convence ou quem segue os outros, convencido. Quem não se deixa convencer ou, pior ainda, quem não se dá ao trabalho de tentar convencer os outros, vive isoladamente à margem do sistema. Pura e simplesmente não existe.
06/07/13

Sobre a confiança

É irónico que tenhamos uma sociedade baseada num modelo de "formigueiro" - em que todos temos de trabalhar e cooperar para um bem comum - mas simultaneamente se promova a desconfiança generalizada. Quem manda desconfia de quem obedece. Quem obedece desconfia de quem manda. Quem coopera é levado a desconfiar da cooperação. Instiga-se a avaliação e a denúncia. E limita-se, pouco a pouco, veladamente, a liberdade que nos resta. Quem tem receio da liberdade do outro, desconfia dele. Quem precisa de controlar, receia que a liberdade descontrole aqueles que são livres. Como podemos então construir algo de bom, em conjunto, se não confiamos em ninguém? Como pode este nosso fogrmigueiro funcionar, se somos levados a destruir o que o nosso parceiro constrói, enquanto ele tenta destruir o que nós construímos?
Se há algo que é fundamental incutir nas nossas crianças, é a confiança. Não é o espírito competitivo. Não é a ambição. Não é o sentido crítico exacerbado. É o espírito de grupo. É a confiança.
05/07/13

O escritor e as palavras

Um escritor escreve pela necessidade de escrever. Existe para além do leitor. Mas as palavras, essas, só existem se forem lidas. É essa a grande necessidade das palavras que, como filhos paridos por quem as escreve, se tornam depois do mundo que as acolhe. São de todos aqueles que vierem a interagir com elas, a transformar-se com elas, ou ainda a transformá-las e a dar-lhe rumos inesperados e conotações surpreendentes. Às vezes as palavras são mortas por quem as odeia. Mas há também palavras que atravessam gerações, porque alguém nelas descobriu uma secreta imortalidade. Um escritor não pensa nisso quando escreve. Deu corpo ao seu desejo, vida à sua necessidade. Tudo o mais, para o bem e para o mal, o ultrapassa...
01/07/13

A crítica de Ferrão Katzenstein

"'A amante do Rei' é um processo sobre o destino de uma mulher. São as aventuras e desventuras de uma amante do Rei de Portugal, que se vê tolhida numa floresta de armadilhas, entre o clero submisso e a nobreza hipócrita do seu tempo, e que foi apanhada nas mãos do destino que parece tê-la escolhido mais do que ela a escolheu a ele.
Dona Tereza de Távora mantém sempre no seu discurso a vantagem da ousadia, que lhe permite se livrar da culpa antiga, até que o casulo de ferro se vai fechando por completo e ela perdura prisioneira dos interesses duma sociedade enganosa e desapiedada. (...)
O nosso sentimento e imaginação vão sendo conduzidos através da obra, sabor após sabor, elevando-se por ligeiras mudanças. Nos contrastes (mas também nas premonições e nas ressonâncias) entre mais escuro e mais claro, mais rápido e mais lento, mais simples e mais sofisticado, havendo sempre um equilíbrio, mas nem sempre uma simetria demasiado perfeita, para que a obra no seu todo seja sentida como inevitável e verosímil."
Ferrão Katzenstein

O meu profundo obrigada pelo tempo que dedicou ao meu livro.