Li hoje a primeira crítica a "D. Teresa de Távora - A Amante do Rei" num blog dedicado aos livros. Na certeza de que nunca agradamos a todos, saber que alguém sentiu o que sentimos (ou parte disso, ou mais do que nós, até), quando escrevemos, leva-me a congratular as palavras pela sua capacidade de nos pôr em sintonia, naquilo que são as questões mais básicas, urgentes ou pungentes da nossa condição humana. Talvez a literatura não salve, mas se nos levar a um esforço colectivo de reflexão (e julgo que é essa a força de um "Clássico"), já justifica que percamos tempo com ela.
Obrigada, Leituras do Corvo.
"Desde sempre prometida ao sobrinho e destinada a honrar o nome da família onde cresceu, esperava-se de Teresa de Távora que fosse uma esposa exemplar e uma mulher devota, a Deus e à família. Mas nada disso era o que ela desejava. Sonhava o amor pelo amor, o prazer pelo prazer, a simples conquista da liberdade. E, tão ousada em alguns dos aspectos da vida, era, contudo, ingénua ao ponto de não ver que cada escolha traria as suas consequências. Para se tornar amante do rei, perderia a ligação à família. E, depois da catástrofe do terramoto e do atentado que devastaria os Távora, Teresa sobreviveria para ver o preço das suas escolhas - e viver com isso.
Narrado na primeira pessoa e num registo, por vezes, confessional, este livro cativa, em primeiro lugar, pelo retrato que traça para a sua protagonista. Teresa está longe de ser o modelo da mulher admirável e muito menos a figura que a História perpetuou por grandes feitos. É, ainda assim, uma mulher completa e os traços que lhe são atribuídos, tão invulgares face às ideias do seu tempo, tornam-na uma figura fascinante. Este retrato é um dos pontos fortes deste livro, já que, criando uma voz segura e pessoal para a sua protagonista, a autora apresenta uma personagem completa, com uma história tão vasta quanto a complexidade do seu pensamento.
Outro ponto forte é precisamente a forma como esse pensamento leva a questionar ideias e temas universais, colocados no contexto da época em que decorre o enredo. A predestinação e o livre arbítrio, analisados nas profecias de Malagrida, nas interpretações para as causas do grande terramoto e até nos principais acontecimentos da vida pessoal de D. Teresa, são analisados quer no desenvolvimento do contexto histórico, quer nas reflexões da própria protagonista. A este grande tema juntam-se ainda questões relativas ao papel da mulher na sociedade, às diferenças (e ligações) entre fé e religião e à necessidade de desenvolver um pensamento próprio face à moralidade instituída. Tudo isto é explorado ao longo da narrativa e a autora fá-lo de forma gradual, mas precisa, sem que o enredo se torne maçador, mas também sem minimizar a relevância das questões. Também isto torna a leitura interessante.
E depois há os acontecimentos, os grandes episódios da História e os momentos de revelação da história pessoal da protagonista. Todos eles narrados de uma forma muito próxima e muito marcante, com o tal tom de confissão a conferir ainda mais emotividade a momentos que são, por si mesmos, muito intensos. É fácil sentir com as personagens e pelas personagens, e, em alguns casos, ter por elas sentimentos contraditórios. E esse impacto emocional, tão gerador de ódios como de empatias, acaba também por reforçar essa intensidade e proximidade emocional que tornam a história tão envolvente.
Interessante no contexto histórico e nas questões que levanta, cativante pelo impacto emocional e pelo rumo sempre envolvente dos acontecimentos e, principalmente, marcante pelo retrato preciso e completo da sua protagonista, este é, pois, um livro que fica na memória. Cativante, surpreendente... Muito bom."
(http://asleiturasdocorvo.blogspot.pt/2013/07/d-teresa-de-tavora-amante-do-rei-sara.html)
"Ser Espiritual" de Luis Portela
Há quem prefira não conhecer o autor por detrás do livro, com medo da desilusão ou da "não-colagem" com o objeto escrito. Ao invés, eu gosto de tentar perceber quem escreveu o quê e porquê. Qual a motivação? Como acedeu àquela informação? O que inspirou o que daí resultou? A "colagem" não é necessária. A obra pode produzir mais admiração do que o seu autor. Mas conhecer quem está por detrás permite um entendimento mais profundo do que é o objeto livro e das razões da sua existência.
Depois de um fim-de-semana dedicado à leitura de "Ser Espiritual - Da evidência à Ciência", fui hoje em busca de Luís Portela. E a entrevista que me pareceu mais interessante foi a de Anabela Mota Ribeiro, em 2009, que podem ler aqui.
Independentemente das convicções do autor e das convicções de cada leitor, há excertos que soã tanto do senso comum, que precisamos urgentemente de os ler, num período e numa sociedade em que nos temos esquecido daquilo que em nós é mais básico:
"O homem que se analisa, que procura um melhor conhecimento e si e da realidade à sua volta vai criando o hábito de se libertar de preconceitos e tabus, para procurar perscrutar a Sabedoria Universal. Ciente de que a Sabedoria Universal existe, é apenas preciso procurar sintonizar com ela, através da pureza dos pensamentos, da moderação das palavras, da verticalidade das atitudes e de uma postura em harmonia com a Natureza.
Aquele que se liberta desenvolve crescentemente em si um sentido de utilidade. Primeiro para si mesmo. Depois para os seus familiares e amigos. Também para os seus colegas, vizinhos e concidadãos. Para toda a Humanidade."
A segunda parte deste parágrafo já não é do senso comum, mas tem muito daquilo que penso, neste momento:
"E, finalmente, para todas as partículas do Universo. Pode deixar de ser um homem de fé, evoluindo para um ser com uma enorme convicção. Pode deixar de alimentar ideias ilusórias, assumindo o pulsar da sua própria força interior, procurando analisar serenamente os factos e atuar em sintonia com as Leis Universais. Pode deixar de procurar que os outros lhe expliquem a vida ou lhe indiquem o caminho, para passar ele mesmo a procurar as suas interpretações, o seu caminho, sem, contudo, menosprezar as experiências, as convicções e as explicações dos outros."
Depois de um fim-de-semana dedicado à leitura de "Ser Espiritual - Da evidência à Ciência", fui hoje em busca de Luís Portela. E a entrevista que me pareceu mais interessante foi a de Anabela Mota Ribeiro, em 2009, que podem ler aqui.
Independentemente das convicções do autor e das convicções de cada leitor, há excertos que soã tanto do senso comum, que precisamos urgentemente de os ler, num período e numa sociedade em que nos temos esquecido daquilo que em nós é mais básico:
"O homem que se analisa, que procura um melhor conhecimento e si e da realidade à sua volta vai criando o hábito de se libertar de preconceitos e tabus, para procurar perscrutar a Sabedoria Universal. Ciente de que a Sabedoria Universal existe, é apenas preciso procurar sintonizar com ela, através da pureza dos pensamentos, da moderação das palavras, da verticalidade das atitudes e de uma postura em harmonia com a Natureza.
Aquele que se liberta desenvolve crescentemente em si um sentido de utilidade. Primeiro para si mesmo. Depois para os seus familiares e amigos. Também para os seus colegas, vizinhos e concidadãos. Para toda a Humanidade."
A segunda parte deste parágrafo já não é do senso comum, mas tem muito daquilo que penso, neste momento:
"E, finalmente, para todas as partículas do Universo. Pode deixar de ser um homem de fé, evoluindo para um ser com uma enorme convicção. Pode deixar de alimentar ideias ilusórias, assumindo o pulsar da sua própria força interior, procurando analisar serenamente os factos e atuar em sintonia com as Leis Universais. Pode deixar de procurar que os outros lhe expliquem a vida ou lhe indiquem o caminho, para passar ele mesmo a procurar as suas interpretações, o seu caminho, sem, contudo, menosprezar as experiências, as convicções e as explicações dos outros."
Pensamento de Lao Tsé
"As palavras corretas nem sempre são agradáveis.
As palavras agradáveis geralmente não são corretas.
Os homens bem informados jamais discutem.
Os que discutem estão mal informados.
O sábio não é necessariamente instruído.
O instruído não é necessariamente um sábio.
O sábio nada possui, nada mantém na memória,
mas serve a todos e com isso tudo possui.
Já que continuamente se dá todos, no fim,
conquista o que nunca desejou."
(Lao Tsé)
As palavras agradáveis geralmente não são corretas.
Os homens bem informados jamais discutem.
Os que discutem estão mal informados.
O sábio não é necessariamente instruído.
O instruído não é necessariamente um sábio.
O sábio nada possui, nada mantém na memória,
mas serve a todos e com isso tudo possui.
Já que continuamente se dá todos, no fim,
conquista o que nunca desejou."
(Lao Tsé)
Mia Couto e Murakami
Mia Couto e Murakami nomeados, juntamente com outros 7 escritores dos 4 cantos do mundo. A literatura, embora a precisar de tradução, é universal no sentimento que provoca no leitor. Assim como a música. Assim como a pintura. Onde nos toca, exatamente? Porque nos envolve, nos transporta, nos faz esquecer o tempo e o espaço que nos balizam? Talvez seja esse o poder da arte: recordar-nos que somos muito mais do que os nossos limites...
http://www.publico.pt/cultura/noticia/mia-couto-nomeado-para-o-premio-neustadt-de-literatura-1600734
http://www.publico.pt/cultura/noticia/mia-couto-nomeado-para-o-premio-neustadt-de-literatura-1600734
Criatividade: uma maldição ou uma bênção?
As crianças das escolas que visitou perguntam-me frequentemente "De onde vêm as tuas ideias?". Digo-lhes sempre que não sei... Apenas descobri os meus pequenos truques para lhes aceder: a música, a corrida, a natureza... Cada um terá os seus. Cada um terá a sua forma de se tornar "disponível" para a criatividade.
Mas o que é, afinal, a criação? Onde está a fonte da criatividade? Em nós? Fora de nós? Hoje vi este entrevista da Elizabeth Gilbert e fui tocada pela sua perspetiva. É tão válida como qualquer outra, mas tem o condão de transformar aquilo que, para alguns, ainda é sentido como uma maldição, numa bênção...
http://www.ted.com/talks/elizabeth_gilbert_on_genius.html
Mas o que é, afinal, a criação? Onde está a fonte da criatividade? Em nós? Fora de nós? Hoje vi este entrevista da Elizabeth Gilbert e fui tocada pela sua perspetiva. É tão válida como qualquer outra, mas tem o condão de transformar aquilo que, para alguns, ainda é sentido como uma maldição, numa bênção...
http://www.ted.com/talks/elizabeth_gilbert_on_genius.html
Respostas do Céu
Há uns anos, assisti em Taizé a algo que não achava possível: homens e mulheres de diferentes religiões sentados lado a lado, numa tenda para milhares de pessoas, partilhando aquilo que os unia: a fé. Uma qualquer fé, que podia ser diferente em cada caso, em cada ideia, em cada pensamento, em cada olhar. Mas uma fé diferente que não os separava. Antes os unia, e a música era o catalisador dessa união. Podiam não ter mais nada em comum, mas a música... a música aproximava-os, tornava-os, acima de qualquer outra coisa, humanos.
Hoje, tenho a música sempre presente na minha vida, mas não sei criá-la ao ponto de fomentar essa união. Tenho, no entanto, nas minhas mãos, a possibilidade de trabalhar a melodia nas palavras. Um livro pode ser também universal. As palavras, podem também aproximar-nos. Unir-nos. Lembrar-nos que somos todos humanos acima de qualquer outra coisa. Mais... que somos criaturas deste planeta chamado Terra (a par de tantas outras) com tanto de diferente mas também tanto em comum. E a diferença só existe para que possamos colaborar e sermos uns para os outros, potenciando essas mesmas diferenças.
Hoje, lanço o livro "Respostas do Céu", uma recolha de histórias surpreendentes sobre acontecimentos extraordinários - verdadeiros "Milagres", para alguns - vividos à luz de diferentes fés, crenças, religiões ou possibilidades. Pessoas como nós, que vivem ao nosso lado, mas que, de uma forma que a ciência ainda não explica, se curaram, mudaram ou transformaram a sua vida, e hoje são pessoas mais felizes.
Hoje, todas essas pessoas se reunirão na Bertrand de Picoas, a partir das 18.30, para contarem a sua "Resposta do Céu". Convido-vos a aparecer e a partilharem também os milagres das vossas vidas...
Hoje, tenho a música sempre presente na minha vida, mas não sei criá-la ao ponto de fomentar essa união. Tenho, no entanto, nas minhas mãos, a possibilidade de trabalhar a melodia nas palavras. Um livro pode ser também universal. As palavras, podem também aproximar-nos. Unir-nos. Lembrar-nos que somos todos humanos acima de qualquer outra coisa. Mais... que somos criaturas deste planeta chamado Terra (a par de tantas outras) com tanto de diferente mas também tanto em comum. E a diferença só existe para que possamos colaborar e sermos uns para os outros, potenciando essas mesmas diferenças.
Hoje, lanço o livro "Respostas do Céu", uma recolha de histórias surpreendentes sobre acontecimentos extraordinários - verdadeiros "Milagres", para alguns - vividos à luz de diferentes fés, crenças, religiões ou possibilidades. Pessoas como nós, que vivem ao nosso lado, mas que, de uma forma que a ciência ainda não explica, se curaram, mudaram ou transformaram a sua vida, e hoje são pessoas mais felizes.
Hoje, todas essas pessoas se reunirão na Bertrand de Picoas, a partir das 18.30, para contarem a sua "Resposta do Céu". Convido-vos a aparecer e a partilharem também os milagres das vossas vidas...
Jovens Inspiradores
Jovens, inspirem-se. Inspirem os outros. Acreditem, arrisquem, unam-se, construam. Não acreditem naqueles que vos disserem que, mais cedo ou mais tarde, sentir-se-ão impotentes para mudar o mundo. A capacidade de mudança não é uma utopia inconsequente da juventude. É aquilo que faz de nós humanos, na nossa plenitude de funções, em qualquer tempo e em qualquer idade. Acreditem, por favor, que o futuro será aquilo que fizerem dele. E, ainda que não corra como sonharam, pelos menos terão tentado, e é isso que vos fará um dia olhar para trás e dizer que valeu a pena...
http://www.youtube.com/watch?v=Xqf3OOQMhjs (Vídeo Jovens Inspiradores 2013, promovido pela APFN)
http://www.youtube.com/watch?v=Xqf3OOQMhjs (Vídeo Jovens Inspiradores 2013, promovido pela APFN)
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