O futuro da Humanidade
Em Inglaterra, conceituados astrónomos vão reunir-se com escritores de ficção científica para juntos estudarem a hipótese de criar uma nova nave que possa levar a Humanidade pelos céus. Eu própria já criei um conceito de nave, numa história que ainda não publiquei. A prova de que o futuro do Homem depende, em larga medida, da sua criatividade...
Uma outra versão de Carmina Burana
Uma outra versão de Carmina Burana, com as imagens certas, a pungência necessária. E D. Teresa de Távora renasceu-me, por momentos, outra vez, como um trovejante raio no céu sereno.
http://youtu.be/7vPcoid46Uc
http://youtu.be/7vPcoid46Uc
No aqui e agora, fora e sempre
Olhar o céu descansa-me na medida de que nada importa e simultaneamente exalta-me na certeza de que tudo tem importância. A dicotomia é explicada pela escala. É tudo uma questão de dimensão. A fugacidade do aqui e agora contrasta com a tenacidade do sempre e em qualquer lugar. Interiormente, nada deverá ser suficientemente importante para nos perturbar, porque é a nossa paz o que pode, à escala maior, importar o suficiente para gerar a transformação necessária em tudo aquilo a que pertencemos organicamente. É preciso que o Homem regresse ao seu interior e se transforme de dentro para fora, para que o fora possa ser aquilo que terá de ser, o Homem continue a ser Homem, a Terra continue a ser o seu lar e o Céu o seu horizonte ilimitado.
(Fotografias de Miguel Claro, astrofotógrafo premiado já diversas vezes pela NASA)
(Fotografias de Miguel Claro, astrofotógrafo premiado já diversas vezes pela NASA)
Adeus a Urbano Tavares Rodrigues
Quando soube que o escritor Urbano Tavares Rodrigues, pai aos 85 anos, escrevera uma carta para o filho ler quando tivesse 10 anos (entre outros assuntos, sobre tolerância), passei a admirar ainda mais o homem, o pai, por detrás do escritor.
A sua vida foi muito mais do que palavras, em inúmeros sentidos e dimensões, mas são elas, sobretudo, o que nos fica, na hora da despedida:
“Que seriam dos homens, mesmo que se libertassem de certas escravidões económicas e políticas, se não pudessem preservar, defender, nos seus horários pejados de máquinas e de gestos automáticos, essas vozes que ele não queria deixar de ouvir, vozes surdas, que o ligavam, fugidiamente que fosse, aos plátanos a esfolharem-se, às sombras azuis dos telhados com sol, o último sol do dia (...)?"
(em "Terra Ocupada", 1963)
A sua vida foi muito mais do que palavras, em inúmeros sentidos e dimensões, mas são elas, sobretudo, o que nos fica, na hora da despedida:
“Que seriam dos homens, mesmo que se libertassem de certas escravidões económicas e políticas, se não pudessem preservar, defender, nos seus horários pejados de máquinas e de gestos automáticos, essas vozes que ele não queria deixar de ouvir, vozes surdas, que o ligavam, fugidiamente que fosse, aos plátanos a esfolharem-se, às sombras azuis dos telhados com sol, o último sol do dia (...)?"
(em "Terra Ocupada", 1963)
A crítica de João Céu e Silva

"Basta ler um parágrafo escrito a meio do romance D. Teresa de Távora – A Amante do Rei para se ficar com a certeza de que a autora, Sara Rodi, não está para devaneios nesta evocação de um tempo histórico de grande caos político, religioso e social: 'Dizia-se já que D. José estava a afastar-se perigosamente dos tempos de fé profunda de seu pai, mas esqueciam-se de que D. João V só se tornara católico intransigente depois de ter adoecido.'
Esta ficção biográfica de uma das mais célebres amantes de reis portugueses, suportada no rico período histórico em que os protagonistas viveram, conta o testemunho dos temores de consciência devido à infidelidade de D. Teresa de Távora que, alegadamente, estaria na origem do castigo perpetrado pelo Terramoto de 1755, além de uma descrição pormenorizada dos costumes sociais da época.
Se a destruição de Lisboa já era um castigo suficiente, o destino trágico da amante de D. José, às mãos do Marquês de Pombal e da sua vingança sobre os Távora, completa a intriga de um romance que se segue a uma história mais pudica e casta como a que foi a do seu anterior livro, sobre D. Estefânia – Um Trágico Amor.
Segundo a autora, D. Teresa não foi casta nem praticou grandes obras, apenas foi uma esposa infiel. O único problema é que o parceiro de amores proibidos era o fraco rei D. José."
Raízes de mim
Hoje, no espelho onde todos os dias me olho sem realmente me ver, descobri um rosto novo, coberto de raízes. Grossas tranças percorrendo-me as maçãs do rosto, as faces rosadas, o queixo curto, por debaixo da pele morena.
Quando me transformei em árvore, não sei. Mas o meu corpo não me pareceu mais frágil como antes. Por debaixo da pele fina, como folha de papel, uma malha de vidas vividas a sulcar-me o rosto. Traços de vidas que perdi, histórias que esqueci, tempos outros, meus, de todos ou de ninguém, enraizados em mim, por debaixo da pele visível.
Mas se eu sou raiz, onde floresce a minha árvore? Sou alimento de quê e para quem? Ou seremos todos, de dentro para fora, alimento daquilo que em nós é visível?
(Os neurónios do córtice humano, segundo o pintor Greg Dunn, que é também doutorado em neurociência)
Quando me transformei em árvore, não sei. Mas o meu corpo não me pareceu mais frágil como antes. Por debaixo da pele fina, como folha de papel, uma malha de vidas vividas a sulcar-me o rosto. Traços de vidas que perdi, histórias que esqueci, tempos outros, meus, de todos ou de ninguém, enraizados em mim, por debaixo da pele visível.
Mas se eu sou raiz, onde floresce a minha árvore? Sou alimento de quê e para quem? Ou seremos todos, de dentro para fora, alimento daquilo que em nós é visível?
(Os neurónios do córtice humano, segundo o pintor Greg Dunn, que é também doutorado em neurociência)
Subscrever:
Mensagens (Atom)



