Desde que o mundo é mundo, que o Homem guerreia. Guerreia pela sobrevivência, por comida, por território, por poder. Impõe a guerra, mobiliza, manipula. Semeia nos outros Homens o desejo de vencer, a sede de competir, a necessidade de lutar.
Diz-se que a guerra é o que faz o mundo evoluir, mas que evolução é esta, sedimentada nos corpos daqueles que lutam? Germinada no sangue dos que combatem sem saber porquê? Pode o Homem ser verdadeiramente Homem, se combater o outro Homem? Será essa a nossa evolução? Ou haverá outra, aquela que verdadeiramente faça do Homem uma espécie que interesse a este mundo? Uma espécie que mereça sobreviver?
O mundo precisa de evoluir. O Homem precisa de evoluir. Mas enquanto o fizer pela guerra, será sempre uma evolução negativa. Destrutiva. Que magoa o Céu. Que contamina o planeta. Que mata o Homem, de fora para dentro, mas também de dentro para fora, naquilo que é o mais profundo em nós, o mais autêntico, o mais precioso.
Acredito que nenhuma evolução se pode fazer por imposição. Por mobilização. Por manipulação. Assim como acredito que evolução tem muito pouco que ver com território, riqueza ou poder. Se a evolução é, necessariamente colectiva, é também, necessariamente, e em primeiro lugar, individual. A verdadeira "guerra" é a do conhecimento. É a da busca da verdade. A do questionamento. A da inquietação. Pode ser igualmente violenta, interiormente, mas é, paradoxalmente, a única que pode mudar o mundo de forma pacífica. Que pode conduzir-nos à verdadeira e efetiva evolução. Se perdermos tempos a questionarmo-nos, não é possível que olhemos a Terra sem percebermos que não podemos continuar a destruí-la. Se perdermos tempo a questionarmo-nos, não é possível que entendamos a guerra. Que achemos que o Homem vive como tem de viver, num mundo sem tempo para si próprio ou para os outros, intoxicado de vícios, anestesiado pela televisão, condicionado no seu pensamento porque tudo que lhe é dito que pense.
É natural que os líderes que ainda entendem o mundo como um lugar de posse, nos tentem condicionar o pensamento, porque a guerra e a competição exigem um esforço colectivo, e esse esforço colectivo, para não ser imposto (o que é menos eficaz), precisa de ser incutido, e a melhor forma de o incutir é impedindo-nos de o questionar. Toda a intoxicação que nos é imposta apela a isso mesmo: a que trabalhemos sem questionar. A que consumamos sem questionar. A que vivamos sem questionar. A que façamos tudo o que nos dizem para fazer sem pensar uma única vez no porquê de tudo isso. Até que, necessariamente, alguém decide pensar e nasce a revolta. Violenta. Porque quem se revolta geralmente usa a mesma forma daqueles contra quem se revolta: incute a revolta. Manipula. Distorce. Intoxica e anestesia também, agora no sentido oposto.
Para o mundo ser mundo e o Homem voltar a ser Homem, devíamos desligar tudo aquilo que nos anestesia e intoxica à nossa volta, caminhar em direção à natureza e, um dia que fosse, perguntarmos a nós próprios: "O que penso realmente sobre isto tudo? O que quero ser? O que posso ser? O que é a vida? E o que é o Homem?". E, se as respostas não surgirem, no dia seguinte rumaríamos outra vez à natureza em busca de respostas. Ou olharíamos o céu. Ou o mar. Até que alguma resposta capaz de nos orientar efetivamente, de nos fazer felizes, nos surgisse.
É difícil que assim seja. Talvez alguém o faça, mas demorará muito tempo até que essa mudança se note, porque serão muito poucos. A única forma de o tornar rápido, eficaz e potenciar uma mudança efetiva, é talvez ensinarmos às nossas crianças que elas são livres para o fazer. É explicar-lhes que o mundo pode ser tudo o que elas quiserem. Elas que corram no campo e nadem no mar e encontrem as suas próprias respostas. O mundo que lhe demos, falhou. Elas terão de encontrar o seu. Questionarem o nosso. Recomeçarem. Encontrarem um outro sentido para isto tudo. Talvez cheguem a conclusões diferentes. Talvez experimentem modelos diferentes e alguns não funcionem. Então dialoguem. Não compitam, entreajudem-se. Não reunam exércitos. Mostrem os seus exemplos e esperem que os outros os sigam. Ou não. Vejam então por que não. Talvez esses tenham exemplos melhores. Disponibilizem-se para a vida. Acreditem na mudança. Essa será a única forma de evoluirmos de forma positiva. Necessária. Efetiva. De o mundo continuar a ser mundo e o Homem ser verdadeiramente Homem.
O ciclo do livro
O que é escrito, ganha alma.
O que é publicado, ganha corpo.
O que é distribuído, vive entre os outros.
O que é lido, relaciona-se com eles.
Às vezes o livro morre. Mas se cumprir este seu ciclo da vida, já terá valido a pena.
O que é publicado, ganha corpo.
O que é distribuído, vive entre os outros.
O que é lido, relaciona-se com eles.
Às vezes o livro morre. Mas se cumprir este seu ciclo da vida, já terá valido a pena.
Ao lado de Saramago
Descobrir-me ao lado do escritor que marcou a minha vida, liberta-me inevitavelmente um sorriso, rasgado pela feliz coincidência, mas simultaneamente triste, de saudade.
Se Saramago vivesse, este meu livro haveria de chegar às suas mãos, com o meu Obrigada, porque com Saramago percebi, (ainda muito nova, felizmente) que a inquietação não é um erro. É uma necessidade do ser humano. Paradoxalmente (porque a inquietação pode ser violenta, naquele que a sente), parece-me a forma mais pacífica de mudar o mundo...
Anjo da Guarda
Impossível ficar indiferente a esta letra:
Se houver um Anjo da Guarda
(Pedro Abrunhosa)
Um homem contou-me
Que da montanha
Se toca o céu,
Que se encontrou ao subi-la
Mas ao descê-la
Se perdeu.
Viu rastos de cobra
E pegadas de leão:
"Esta vida não sobra
Quando se olha só para o chão!"
E tentou fugir do trilho,
Beijou o tempo como a um filho,
Acordou numa alvorada,
Já sem nada pr'a esconder
E então falou assim:
"Se houver
Um Anjo da Guarda
Que me abrace
E se guarde dentro de mim,
É tão só estar só no fim".
Outro homem contou-me
Que da cidade
Se vê o mundo,
Que é tão doce o desejo,
Que nenhum beijo
É profundo.
Viu escadas de ouro
E telhados de rubi,
Pensou que o maior tesouro
É cada qual saber de si.
E tentou fugir da sombra,
Dizer à luz que não se esconda,
Correu as ruas, uma a uma,
Já sem nada pr'a perder
E então gritou assim:
"Se houver
Um Anjo da Guarda,
Que me abrace
E se guarde dentro de mim,
É tão só estar só no fim".
http://www.youtube.com/watch?v=_zoAe1uPxL4
Se houver um Anjo da Guarda
(Pedro Abrunhosa)
Um homem contou-me
Que da montanha
Se toca o céu,
Que se encontrou ao subi-la
Mas ao descê-la
Se perdeu.
Viu rastos de cobra
E pegadas de leão:
"Esta vida não sobra
Quando se olha só para o chão!"
E tentou fugir do trilho,
Beijou o tempo como a um filho,
Acordou numa alvorada,
Já sem nada pr'a esconder
E então falou assim:
"Se houver
Um Anjo da Guarda
Que me abrace
E se guarde dentro de mim,
É tão só estar só no fim".
Outro homem contou-me
Que da cidade
Se vê o mundo,
Que é tão doce o desejo,
Que nenhum beijo
É profundo.
Viu escadas de ouro
E telhados de rubi,
Pensou que o maior tesouro
É cada qual saber de si.
E tentou fugir da sombra,
Dizer à luz que não se esconda,
Correu as ruas, uma a uma,
Já sem nada pr'a perder
E então gritou assim:
"Se houver
Um Anjo da Guarda,
Que me abrace
E se guarde dentro de mim,
É tão só estar só no fim".
http://www.youtube.com/watch?v=_zoAe1uPxL4
A Roda da Fortuna
Entendo cada vez melhor, sem querer, porque escolhi "Carmina Burana" para banda sonora de "D. Teresa de Távora - A Amante do Rei". Depois de perceber o que eram os carmina burana, descubro agora que a evocação à Fortuna remete para o trabalho das moiras, as três irmãs que determinavam o destino, tanto dos deuses, como dos seres humanos. "Eram três mulheres lúgubres, responsáveis por fabricar, tecer e cortar aquilo que seria o fio da vida de todos os indivíduos. Durante o trabalho, as moiras fazem uso da Roda da Fortuna, que é o tear utilizado para se tecer os fios. As voltas da roda posicionam o fio do indivíduo em sua parte mais privilegiada (o topo) ou em sua parte menos desejável (o fundo), explicando-se assim os períodos de boa ou má sorte de todos." (http://pt.wikipedia.org/wiki/Moiras)
Sendo o meu romance em tanta medida sobre o destino (para aí tendeu, por razões mais fortes do que a minha compreensão) estou agora certa de que cabe à música que escolhi (ou me escolheu) a responsabilidade disso mesmo.
Sendo o meu romance em tanta medida sobre o destino (para aí tendeu, por razões mais fortes do que a minha compreensão) estou agora certa de que cabe à música que escolhi (ou me escolheu) a responsabilidade disso mesmo.
Um conselho de Fernando Pessoa
"O Destino é uma espécie de pessoa, e deixa de nos ralar se mostrarmos que nos não importamos com o que ele nos faz."
(conselho de Fernando Pessoa à sua Ofélia, em carta que lhe dirigiu em 1920)
(conselho de Fernando Pessoa à sua Ofélia, em carta que lhe dirigiu em 1920)
A natureza do cérebro humano
Greg Dunn, doutorado em neurociência, recria nos seus quadros o cérebro humano. Naquilo que é o mais complexo que há em nós, contemos a beleza da natureza, que nos é exterior. Somos fruto do mesmo tipo de criatividade. E é na interação com tudo aquilo que nos é naturalmente semelhante, que reside a harmonia necessária...
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