... e exatamente o que penso:
"Paradoxalmente, apenas existirá um quinto império se não existir um quinto Imperador."
Simples, mas absolutamente transformador, porque exige toda uma mudança de paradigma, fundamental nesta fase da nossa História.
Mais uma crítica a "D. Teresa de Távora - A Amante do Rei"
Descobri mais uma crítica a "D. Teresa de Távora - A Amante do Rei", desta vez no site do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas. Não vem assinada, mas agradeço ao leitor que assim sentiu o meu livro...
"Poucos conhecerão a história de Teresa de Távora, uma mulher que viveu além dos limites sociais, morais e religiosos da sua época – e, em certos círculos, também dos de hoje. A beleza e sensualidade eram os seus maiores atributos, que juntamente com o seu caráter indomável ditaram-lhe o destino.
Depois de há um ano publicar, com sucesso, D. Estefânia, Um Trágico Amor, Sara Rodi regressa ao romance histórico com o relato da vida de uma mulher em tudo diferente daquela a que deu corpo no seu primeiro livro do género: D. Teresa de Távora, amante de D. José I.
Em D. Teresa de Távora – A Amante do Rei (A Esfera dos Livros, 18,50€), a escritora explora com mestria as contradições íntimas de uma mulher que ousou desafiar as convenções sociais da sua conturbada época, marcada por acontecimentos como a ascensão política do Marquês de Pombal, o terramoto de 1755 e o processo dos Távora, ao qual esteve indelevelmente ligada.
Teresa de Távora é tão-somente uma mulher. Bonita, sensual, e disposta a viver a vida à sua maneira: independente e com liberdade para dar asas ao seu desejo. Prometida desde o nascimento ao sobrinho Luís Bernardo, com ele casará, tornando-se uma de Távora e traçando o destino desta família de nobres que muito por sua causa cairá em desgraça – terminando com a execução na praça pública do seu marido, irmão, sogros, cunhados e sobrinhos, naquele que ficará conhecido como o processo dos Távora.
Mas o que faz desta mulher, que não deixou obra nem foi exemplar, figura central de um livro tão cativante? Precisamente isso: a sua condição de mulher que apenas quer viver de acordo com a sua vontade, amando livremente quem deseja.
Escrito na primeira pessoa, o romance traça de forma bem marcante o retrato de Teresa de Távora, levando o leitor a acompanhar as suas opções, dúvidas e contradições. E através dela questiona os modelos sociais e morais da época, o século XVIII: o papel da mulher na sociedade, o casamento, a estratificação social, a vida na corte, a fé e o papel da Igreja (os autos de fé), bem como a influência das profecias na vida quotidiana – o missionário Malagrida antevê uma grande desgraça como consequência do comportamento devasso de Teresa, que será vista como causadora do terramoto de Lisboa.
Sara Rodi apresenta Teresa de Távora como uma mulher corajosamente voluntariosa, mas suficientemente ingénua para acreditar que as suas ações não teriam consequências – para si e para os outros. Ao assumir publicamente a sua relação adúltera com D. José I enquanto o marido estava na Índia com a família, Teresa não previu os efeitos políticos, familiares e pessoais da situação: o seu envolvimento forçado na estratégia de poder de Sebastião José de Carvalho e Melo, o repúdio do marido, os ciúmes do Rei consubstanciados no tristemente célebre processo dos Távora. Teresa perdeu a família, o nome e a liberdade por que sempre lutou, escapando à forca mas ficando confinada às paredes de um convento.
O enredo do livro está bem construído e mantém o leitor preso ao seu evoluir, mas destaque-se também a excelente contextualização histórica, fruto de um bom trabalho de investigação. Percorrer as páginas de D. Teresa de Távora – A Amante do Rei é, também, um mergulho na História de Portugal, num período tão conturbado da vida do País."
(http://www.sbsi.pt/atividadesindical/informacao/ComunicacaoSocial/Pages/Um-livro…-sobre-Teresa-de-Távora.aspx)
"Poucos conhecerão a história de Teresa de Távora, uma mulher que viveu além dos limites sociais, morais e religiosos da sua época – e, em certos círculos, também dos de hoje. A beleza e sensualidade eram os seus maiores atributos, que juntamente com o seu caráter indomável ditaram-lhe o destino.
Depois de há um ano publicar, com sucesso, D. Estefânia, Um Trágico Amor, Sara Rodi regressa ao romance histórico com o relato da vida de uma mulher em tudo diferente daquela a que deu corpo no seu primeiro livro do género: D. Teresa de Távora, amante de D. José I.
Em D. Teresa de Távora – A Amante do Rei (A Esfera dos Livros, 18,50€), a escritora explora com mestria as contradições íntimas de uma mulher que ousou desafiar as convenções sociais da sua conturbada época, marcada por acontecimentos como a ascensão política do Marquês de Pombal, o terramoto de 1755 e o processo dos Távora, ao qual esteve indelevelmente ligada.
Teresa de Távora é tão-somente uma mulher. Bonita, sensual, e disposta a viver a vida à sua maneira: independente e com liberdade para dar asas ao seu desejo. Prometida desde o nascimento ao sobrinho Luís Bernardo, com ele casará, tornando-se uma de Távora e traçando o destino desta família de nobres que muito por sua causa cairá em desgraça – terminando com a execução na praça pública do seu marido, irmão, sogros, cunhados e sobrinhos, naquele que ficará conhecido como o processo dos Távora.
Mas o que faz desta mulher, que não deixou obra nem foi exemplar, figura central de um livro tão cativante? Precisamente isso: a sua condição de mulher que apenas quer viver de acordo com a sua vontade, amando livremente quem deseja.
Escrito na primeira pessoa, o romance traça de forma bem marcante o retrato de Teresa de Távora, levando o leitor a acompanhar as suas opções, dúvidas e contradições. E através dela questiona os modelos sociais e morais da época, o século XVIII: o papel da mulher na sociedade, o casamento, a estratificação social, a vida na corte, a fé e o papel da Igreja (os autos de fé), bem como a influência das profecias na vida quotidiana – o missionário Malagrida antevê uma grande desgraça como consequência do comportamento devasso de Teresa, que será vista como causadora do terramoto de Lisboa.
Sara Rodi apresenta Teresa de Távora como uma mulher corajosamente voluntariosa, mas suficientemente ingénua para acreditar que as suas ações não teriam consequências – para si e para os outros. Ao assumir publicamente a sua relação adúltera com D. José I enquanto o marido estava na Índia com a família, Teresa não previu os efeitos políticos, familiares e pessoais da situação: o seu envolvimento forçado na estratégia de poder de Sebastião José de Carvalho e Melo, o repúdio do marido, os ciúmes do Rei consubstanciados no tristemente célebre processo dos Távora. Teresa perdeu a família, o nome e a liberdade por que sempre lutou, escapando à forca mas ficando confinada às paredes de um convento.
O enredo do livro está bem construído e mantém o leitor preso ao seu evoluir, mas destaque-se também a excelente contextualização histórica, fruto de um bom trabalho de investigação. Percorrer as páginas de D. Teresa de Távora – A Amante do Rei é, também, um mergulho na História de Portugal, num período tão conturbado da vida do País."
(http://www.sbsi.pt/atividadesindical/informacao/ComunicacaoSocial/Pages/Um-livro…-sobre-Teresa-de-Távora.aspx)
A ler Agostinho Silva...
"Àqueles a quem, não querendo mal, também especialmente não amam concedem os deuses uma vida fácil e benigna, que os faz, a eles e aos restantes, acreditar em protecção celeste; aos outros, porém, àqueles cuja carreira se vê essencialmente aos destinos do mundo, vendem os deuses, e bem caro, todos os dons de que os cumularam; e, porventura, o preço mais alto que reclamam de sua mercadoria é o de, a cada momento realmente importante da vida, nada disporem como que de maneira fatal, deixando que seu amado possa, em plena liberdade, escolher o que mais é de seu agrado; e aqui a maior parte se perde: porque à chama que os tornaria celestes preferem a temperada medianidade que para sempre os prende à Terra."
(Agostinho Silva in "Um Fernando Pessoa")
(Agostinho Silva in "Um Fernando Pessoa")
Da inquietude e da mudança
Desde que o mundo é mundo, que o Homem guerreia. Guerreia pela sobrevivência, por comida, por território, por poder. Impõe a guerra, mobiliza, manipula. Semeia nos outros Homens o desejo de vencer, a sede de competir, a necessidade de lutar.
Diz-se que a guerra é o que faz o mundo evoluir, mas que evolução é esta, sedimentada nos corpos daqueles que lutam? Germinada no sangue dos que combatem sem saber porquê? Pode o Homem ser verdadeiramente Homem, se combater o outro Homem? Será essa a nossa evolução? Ou haverá outra, aquela que verdadeiramente faça do Homem uma espécie que interesse a este mundo? Uma espécie que mereça sobreviver?
O mundo precisa de evoluir. O Homem precisa de evoluir. Mas enquanto o fizer pela guerra, será sempre uma evolução negativa. Destrutiva. Que magoa o Céu. Que contamina o planeta. Que mata o Homem, de fora para dentro, mas também de dentro para fora, naquilo que é o mais profundo em nós, o mais autêntico, o mais precioso.
Acredito que nenhuma evolução se pode fazer por imposição. Por mobilização. Por manipulação. Assim como acredito que evolução tem muito pouco que ver com território, riqueza ou poder. Se a evolução é, necessariamente colectiva, é também, necessariamente, e em primeiro lugar, individual. A verdadeira "guerra" é a do conhecimento. É a da busca da verdade. A do questionamento. A da inquietação. Pode ser igualmente violenta, interiormente, mas é, paradoxalmente, a única que pode mudar o mundo de forma pacífica. Que pode conduzir-nos à verdadeira e efetiva evolução. Se perdermos tempos a questionarmo-nos, não é possível que olhemos a Terra sem percebermos que não podemos continuar a destruí-la. Se perdermos tempo a questionarmo-nos, não é possível que entendamos a guerra. Que achemos que o Homem vive como tem de viver, num mundo sem tempo para si próprio ou para os outros, intoxicado de vícios, anestesiado pela televisão, condicionado no seu pensamento porque tudo que lhe é dito que pense.
É natural que os líderes que ainda entendem o mundo como um lugar de posse, nos tentem condicionar o pensamento, porque a guerra e a competição exigem um esforço colectivo, e esse esforço colectivo, para não ser imposto (o que é menos eficaz), precisa de ser incutido, e a melhor forma de o incutir é impedindo-nos de o questionar. Toda a intoxicação que nos é imposta apela a isso mesmo: a que trabalhemos sem questionar. A que consumamos sem questionar. A que vivamos sem questionar. A que façamos tudo o que nos dizem para fazer sem pensar uma única vez no porquê de tudo isso. Até que, necessariamente, alguém decide pensar e nasce a revolta. Violenta. Porque quem se revolta geralmente usa a mesma forma daqueles contra quem se revolta: incute a revolta. Manipula. Distorce. Intoxica e anestesia também, agora no sentido oposto.
Para o mundo ser mundo e o Homem voltar a ser Homem, devíamos desligar tudo aquilo que nos anestesia e intoxica à nossa volta, caminhar em direção à natureza e, um dia que fosse, perguntarmos a nós próprios: "O que penso realmente sobre isto tudo? O que quero ser? O que posso ser? O que é a vida? E o que é o Homem?". E, se as respostas não surgirem, no dia seguinte rumaríamos outra vez à natureza em busca de respostas. Ou olharíamos o céu. Ou o mar. Até que alguma resposta capaz de nos orientar efetivamente, de nos fazer felizes, nos surgisse.
É difícil que assim seja. Talvez alguém o faça, mas demorará muito tempo até que essa mudança se note, porque serão muito poucos. A única forma de o tornar rápido, eficaz e potenciar uma mudança efetiva, é talvez ensinarmos às nossas crianças que elas são livres para o fazer. É explicar-lhes que o mundo pode ser tudo o que elas quiserem. Elas que corram no campo e nadem no mar e encontrem as suas próprias respostas. O mundo que lhe demos, falhou. Elas terão de encontrar o seu. Questionarem o nosso. Recomeçarem. Encontrarem um outro sentido para isto tudo. Talvez cheguem a conclusões diferentes. Talvez experimentem modelos diferentes e alguns não funcionem. Então dialoguem. Não compitam, entreajudem-se. Não reunam exércitos. Mostrem os seus exemplos e esperem que os outros os sigam. Ou não. Vejam então por que não. Talvez esses tenham exemplos melhores. Disponibilizem-se para a vida. Acreditem na mudança. Essa será a única forma de evoluirmos de forma positiva. Necessária. Efetiva. De o mundo continuar a ser mundo e o Homem ser verdadeiramente Homem.
Diz-se que a guerra é o que faz o mundo evoluir, mas que evolução é esta, sedimentada nos corpos daqueles que lutam? Germinada no sangue dos que combatem sem saber porquê? Pode o Homem ser verdadeiramente Homem, se combater o outro Homem? Será essa a nossa evolução? Ou haverá outra, aquela que verdadeiramente faça do Homem uma espécie que interesse a este mundo? Uma espécie que mereça sobreviver?
O mundo precisa de evoluir. O Homem precisa de evoluir. Mas enquanto o fizer pela guerra, será sempre uma evolução negativa. Destrutiva. Que magoa o Céu. Que contamina o planeta. Que mata o Homem, de fora para dentro, mas também de dentro para fora, naquilo que é o mais profundo em nós, o mais autêntico, o mais precioso.
Acredito que nenhuma evolução se pode fazer por imposição. Por mobilização. Por manipulação. Assim como acredito que evolução tem muito pouco que ver com território, riqueza ou poder. Se a evolução é, necessariamente colectiva, é também, necessariamente, e em primeiro lugar, individual. A verdadeira "guerra" é a do conhecimento. É a da busca da verdade. A do questionamento. A da inquietação. Pode ser igualmente violenta, interiormente, mas é, paradoxalmente, a única que pode mudar o mundo de forma pacífica. Que pode conduzir-nos à verdadeira e efetiva evolução. Se perdermos tempos a questionarmo-nos, não é possível que olhemos a Terra sem percebermos que não podemos continuar a destruí-la. Se perdermos tempo a questionarmo-nos, não é possível que entendamos a guerra. Que achemos que o Homem vive como tem de viver, num mundo sem tempo para si próprio ou para os outros, intoxicado de vícios, anestesiado pela televisão, condicionado no seu pensamento porque tudo que lhe é dito que pense.
É natural que os líderes que ainda entendem o mundo como um lugar de posse, nos tentem condicionar o pensamento, porque a guerra e a competição exigem um esforço colectivo, e esse esforço colectivo, para não ser imposto (o que é menos eficaz), precisa de ser incutido, e a melhor forma de o incutir é impedindo-nos de o questionar. Toda a intoxicação que nos é imposta apela a isso mesmo: a que trabalhemos sem questionar. A que consumamos sem questionar. A que vivamos sem questionar. A que façamos tudo o que nos dizem para fazer sem pensar uma única vez no porquê de tudo isso. Até que, necessariamente, alguém decide pensar e nasce a revolta. Violenta. Porque quem se revolta geralmente usa a mesma forma daqueles contra quem se revolta: incute a revolta. Manipula. Distorce. Intoxica e anestesia também, agora no sentido oposto.
Para o mundo ser mundo e o Homem voltar a ser Homem, devíamos desligar tudo aquilo que nos anestesia e intoxica à nossa volta, caminhar em direção à natureza e, um dia que fosse, perguntarmos a nós próprios: "O que penso realmente sobre isto tudo? O que quero ser? O que posso ser? O que é a vida? E o que é o Homem?". E, se as respostas não surgirem, no dia seguinte rumaríamos outra vez à natureza em busca de respostas. Ou olharíamos o céu. Ou o mar. Até que alguma resposta capaz de nos orientar efetivamente, de nos fazer felizes, nos surgisse.
É difícil que assim seja. Talvez alguém o faça, mas demorará muito tempo até que essa mudança se note, porque serão muito poucos. A única forma de o tornar rápido, eficaz e potenciar uma mudança efetiva, é talvez ensinarmos às nossas crianças que elas são livres para o fazer. É explicar-lhes que o mundo pode ser tudo o que elas quiserem. Elas que corram no campo e nadem no mar e encontrem as suas próprias respostas. O mundo que lhe demos, falhou. Elas terão de encontrar o seu. Questionarem o nosso. Recomeçarem. Encontrarem um outro sentido para isto tudo. Talvez cheguem a conclusões diferentes. Talvez experimentem modelos diferentes e alguns não funcionem. Então dialoguem. Não compitam, entreajudem-se. Não reunam exércitos. Mostrem os seus exemplos e esperem que os outros os sigam. Ou não. Vejam então por que não. Talvez esses tenham exemplos melhores. Disponibilizem-se para a vida. Acreditem na mudança. Essa será a única forma de evoluirmos de forma positiva. Necessária. Efetiva. De o mundo continuar a ser mundo e o Homem ser verdadeiramente Homem.
O ciclo do livro
O que é escrito, ganha alma.
O que é publicado, ganha corpo.
O que é distribuído, vive entre os outros.
O que é lido, relaciona-se com eles.
Às vezes o livro morre. Mas se cumprir este seu ciclo da vida, já terá valido a pena.
O que é publicado, ganha corpo.
O que é distribuído, vive entre os outros.
O que é lido, relaciona-se com eles.
Às vezes o livro morre. Mas se cumprir este seu ciclo da vida, já terá valido a pena.
Ao lado de Saramago
Descobrir-me ao lado do escritor que marcou a minha vida, liberta-me inevitavelmente um sorriso, rasgado pela feliz coincidência, mas simultaneamente triste, de saudade.
Se Saramago vivesse, este meu livro haveria de chegar às suas mãos, com o meu Obrigada, porque com Saramago percebi, (ainda muito nova, felizmente) que a inquietação não é um erro. É uma necessidade do ser humano. Paradoxalmente (porque a inquietação pode ser violenta, naquele que a sente), parece-me a forma mais pacífica de mudar o mundo...
Anjo da Guarda
Impossível ficar indiferente a esta letra:
Se houver um Anjo da Guarda
(Pedro Abrunhosa)
Um homem contou-me
Que da montanha
Se toca o céu,
Que se encontrou ao subi-la
Mas ao descê-la
Se perdeu.
Viu rastos de cobra
E pegadas de leão:
"Esta vida não sobra
Quando se olha só para o chão!"
E tentou fugir do trilho,
Beijou o tempo como a um filho,
Acordou numa alvorada,
Já sem nada pr'a esconder
E então falou assim:
"Se houver
Um Anjo da Guarda
Que me abrace
E se guarde dentro de mim,
É tão só estar só no fim".
Outro homem contou-me
Que da cidade
Se vê o mundo,
Que é tão doce o desejo,
Que nenhum beijo
É profundo.
Viu escadas de ouro
E telhados de rubi,
Pensou que o maior tesouro
É cada qual saber de si.
E tentou fugir da sombra,
Dizer à luz que não se esconda,
Correu as ruas, uma a uma,
Já sem nada pr'a perder
E então gritou assim:
"Se houver
Um Anjo da Guarda,
Que me abrace
E se guarde dentro de mim,
É tão só estar só no fim".
http://www.youtube.com/watch?v=_zoAe1uPxL4
Se houver um Anjo da Guarda
(Pedro Abrunhosa)
Um homem contou-me
Que da montanha
Se toca o céu,
Que se encontrou ao subi-la
Mas ao descê-la
Se perdeu.
Viu rastos de cobra
E pegadas de leão:
"Esta vida não sobra
Quando se olha só para o chão!"
E tentou fugir do trilho,
Beijou o tempo como a um filho,
Acordou numa alvorada,
Já sem nada pr'a esconder
E então falou assim:
"Se houver
Um Anjo da Guarda
Que me abrace
E se guarde dentro de mim,
É tão só estar só no fim".
Outro homem contou-me
Que da cidade
Se vê o mundo,
Que é tão doce o desejo,
Que nenhum beijo
É profundo.
Viu escadas de ouro
E telhados de rubi,
Pensou que o maior tesouro
É cada qual saber de si.
E tentou fugir da sombra,
Dizer à luz que não se esconda,
Correu as ruas, uma a uma,
Já sem nada pr'a perder
E então gritou assim:
"Se houver
Um Anjo da Guarda,
Que me abrace
E se guarde dentro de mim,
É tão só estar só no fim".
http://www.youtube.com/watch?v=_zoAe1uPxL4
Subscrever:
Mensagens (Atom)

