09/09/13

Da música e do seu poder

Pode a música ser instrumentalizada para nos conduzir o pensamento? Estará o segredo na afinação?

http://portugalmundial.com/2013/08/440hz-conspiracao-contra-a-mente-humana/

Não tenho dúvidas acerca do poder da música. Não tenho dúvidas de que esse poder tem sido usado por quem tem sede de poder. Mas a verdade é que a música tem mudado ao longo dos tempos. Espontaneamente, o homem começa a criar com outras balizas, dá vida a outras vidas, procura intuitivamente novas sonoridades. Talvez a música acompanhe a nossa evolução. E os criadores, inconscientemente, colocam essa evolução em pauta. E ao partilharem-na - porque a música tem efetivamente esse poder de unificar e conduzir - empurram a Humanidade para onde ela deve caminhar. Às vezes por caminhos tortuosos (também eles fazem parte da evolução). Outras através de saltos evolutivos que fazem toda a diferença, no nosso mundo.
Escutamos a rádio. A música mudou. Há uns anos agitava-me. Hoje, tranquiliza-me. Eu mudei. Mas a música também mudou, criada por músicos que mudaram também. E, todos juntos, trilhamos o caminho necessário, ao som da música que nos embala.
03/09/13

Crítica a "D. Teresa de Távora - A Amante do Rei" no blog O Tempo entre os Meus Livros

Outra crítica a "D. Teresa de Távora - A Amante do Rei" na blogosfera. E penso para mim que, se um livro publicado é um pensamento que ganha corpo, um livro que é lido é uma vida que interage com as outras vida à sua volta... E isso, para o bem e para o mal (porque nem todos os relacionamentos são perfeitos) é tudo o que faz sentido para quem o criou.

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É na voz de D.Teresa que Sara Rodi nos remete para o séc. XVIII, mais propriamente para os anos de 1738 e seguintes, passando pelos sangrentos 1755 (Terramoto de Lisboa) e 1759 (todo o processo dos Távora que culminou com a execução daquela família).

Quem nos fala não é uma mulher perfeita e tem consciência disso. Questiona as suas atitudes, interroga-se sobre aquilo que quer, comete erros e reflete sobre eles. D.Teresa, em jeito de confidência, conta-nos os seus segredos e as suas preocupações, sentindo-se um mero peão em jogos de poder que a ultrapassam completamente. Ama livremente numa época em que isso não é bem visto: as mulheres vêem-na como uma rameira e sentem medo dela; os homens, cobiçam-na.

Mas Teresa questiona também o papel da mulher na sociedade, prometida que estava, desde que nasceu, a seu sobrinho Luís Bernardo. Questiona a fé e o papel da Igreja, as profecias que justificavam os grandes desastres da natureza, como foi o terramoto, através dos pecados cometidos pelos homens.

Este tom intimista, que a autora soube tão bem reproduzir, revela uma imaginação surpreendente tanto mais que só se conhecem os traços gerais da vida de D. Teresa. O que achei espectacular ao fazer esta leitura foi o conseguir aperceber-me quais os factos verídicos que estão por detrás desta história e quais os que saíram da imaginação de Sara Rodi, sem que isso viesse a desfavorecer esta estória. Bem pelo contrário!

Retratar D.Teresa foi, sem dúvida um desafio superado com mestria. As suas ideias revolucionárias e complexas para a época mas também algo ingénuas foram soberbamente postas no papel e levam-nos a criar uma certa empatia com o seu sentir, o seu viver e o seu sofrer!

A capa traduz na perfeição o interior deste livro. Bela, sensual e algo indomável, Teresa de Távora foi alguém que pensava para mais além do que era permitido às mulheres... A autora soube introduzir neste carácter rebelde algumas questões filosóficas como o livre-arbítrio e a predestinação, enriquecendo o romance e tornando-o mais interessante para o leitor.

Recomendo esta leitura, sobretudo para aqueles que gostam de um bom romance histórico!
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http://otempoentreosmeuslivros.blogspot.pt/2013/08/d-teresa-de-tavora-amante-do-rei-de.html
01/09/13

Literatura e culinária

Por vezes penso que a literatura não difere muito da culinária. Demoramos tanto tempo a escrever um livro e depois ele lê-se tão depressa... Felizmente, assim como guardamos na memória o sabor daqueles pratos preparados com carinho, também os livros, depois de lidos, ficam em nós. Digerimo-los, aproveitamos o que nos importa para o nosso dia-a-dia (mandando fora o que não nos serve) e guardamos deles o bom sabor das palavras.
29/08/13

Do espírito competitivo

Oiço frequentemente falar da importância do espírito competitivo, como se ela fosse condição necessária para nos levar a dar o melhor de nós. Mas não será a "garra" ainda mais genuína, se não implicar deixar os outros para trás? Talvez quem não sinta essa "garra", essa vontade de dar o seu melhor, não esteja no lugar certo, a dar aquilo que tem de dar. A verdadeira "garra" é a da paixão por aquilo que se faz. É a da vontade de o fazer. É a da sensação de nele encontrar um sentido. Uma necessidade boa. Uma alegria inerente.
O espírito competitivo não é mais do que um resquício do nosso instinto animal. Da nossa lógica de sobrevivência. Tudo isso nos conduziu até aqui, entre guerras e conflitos, enganos e traições, sede irresistível de poder. Se queremos um mundo diferente, talvez seja tempo de trocar definitivamente o espírito competitivo pelo espírito de entreajuda. A lógica de que temos de ser melhores do que os outros, pela lógica de que todos temos o nosso espaço e as nossas mais-valias, e precisamos definitivamente uns dos outros para construir um mundo melhor.


"A educação que tem prevalecido no passado tem sido insignificante, incompleta, superficial. Só ensina as pessoas ganhar dinheiro para viverem, mas não abre os horizontes sobre a vida em si mesma (...). Não só é incompleta como daninha... Porque está baseada na competição. Qualquer tipo de competição tem uma raiz violenta e cria pessoas que não sabem amar... Naturalmente, têm de lutar e estar em conflito com elas mesmas. Isso destrói as suas alegrias e destrói as suas amizades."

(in "O Livro da Criança", Osho)

23/08/13

Do Fractal

A Geometria Fractal é escala musical do Universo. Depois de a compreendermos, tudo se torna possível. E tudo se transforma em Harmonia.




O fractal é assim a nossa matemática. A nossa música. A nossa pintura. A nossa escrita. O fractal é a linguagem do universo e de tudo o que existe. Não sei se algum dia o compreenderemos na totalidade, porque é uma arte acima de qualquer arte, acima de nós e de tudo o que existe. Mas estamos num momento único da nossa História em que damos por nós a maravilharmo-nos com ele. E isso já é qualquer coisa de mágico...

A voz dos livros

22/08/13

Do sonho e os seus mistérios

Uma noite destas, por entre sonhos comuns e pesadelos confusos, sonhei com um lugar que, estranhamente, senti conhecer de sempre. Sobre um mar rosado e um céu povoado de grandes astros que desconheço (talvez pedaço de qualquer coisa retirado de um qualquer filme que tenha visto), alguém voava com uma serenidade absolutamente tranquilizadora. Tranquilizadora porque, ao mesmo tempo que me olhava o seu sorriso tranquilo, fazia-me sentir que era eu, afinal, quem voava. Era eu do lado de cá e do lado de lá. O sorriso era um namoro de mim para comigo mesma, num outro espaço, num outro tempo, apenas num qualquer sonho, não sei. Mas o que impressionou, sobretudo, foi que tudo ali era impressionantemente nítido. Não sei se falar em nitidez fará sentido, sendo a nitidez algo que o nosso olho conhece, e aquilo que vi nada daquilo que eu tenha palavras para descrever. Acordei com a sensação de que o meu sonho fora uma espécie de impressão de qualidade superior, impossível de conseguir nos nossos dias. Em todos os sentidos. De forma impossível de descrever porque não tenho palavras para aquilo que, nesta vida, o Homem ainda não conheceu. Poderá haver mais nitidez do que aquela que os nossos olhos vêem? Outro lugar onde repousem os nossos sonhos? Outros mundos para onde voem os nossos corpos? Serenidade absoluta numa outra dimensão?
Sonho poder voltar a sonhar com esse lugar, mas desconheço a direção. E o caminho, parece-me, não é nenhum que possa percorrer-se. A viagem até lá não existe. Porque aqui é aqui e lá é lá. Lugares e sensações coexistentes mas necessariamente separadas como sempre foi e assim será...