22/11/13

Somos perguntas

Cada um de nós é uma pergunta que se impõe.
Há quem seja um "Como". Há quem seja um "Onde". Quem seja um "Quem" e quem seja um "Quanto". E há quem seja um "Porquê".
Nem todos conseguiremos, ao longo da vida, responder à pergunta que se nos impõe. Mas, no cenário ideal, com maior ou menor consciência, direccionamo-la para uma área de interesse. Rodeamo-nos de quem tenha em si a mesma pergunta. Estudamos quem já encontrou uma qualquer resposta. E procuramos, à nossa maneira e com as ferramentas que temos, responder-lhe.
Infelizmente, o cenário nem sempre é o ideal. E há quem seja levado a tentar responder a perguntas que não sejam as suas. Ou, pior ainda, a não procurar respostas. A sobreviver sem interrogações. A apagar a sua pergunta fundamental como quem tira de si a sua essência mais profunda. Às vezes pela via da imposição. Às vezes pela via da moral. Outras vezes pela pressão do tempo. Ou ainda pela overdose de respostas de todos os lados e direções.
Seria importante descobrir a nossa pergunta na infância, quando as imposições ainda não se entendem e a moral é aquela que se vier a construir. Quando ainda há tempo. Quando a informação ainda não é em excesso nem nos chega de tantos lados. Perder esta oportunidade única de a encontrar, é arriscar viver a vida toda na pergunta errada. Ou no vazio de uma resposta que nos satisfaça, porque quem não sabe que pergunta tem dentro de si, nunca poderá saber de que resposta precisa para se completar...

13/11/13

A nossa Terra, o nosso lar

No alto dos meus 16 anos, quando me sentia no direito de reclamar um mundo melhor, escrevi uma carta que foi publicada na Forum Estudante, apelando a uma união de forças para uma mudança qualquer que entendia necessária. Recebi na altura meia dúzia de cartas de pessoas de vários pontos do país que me diziam: “Eu sinto o mesmo. Estou aqui. Vamos fazer qualquer coisa.” Mas fazer o quê? Começar por onde?
As respostas não me chegaram na altura e a pergunta continuou a assaltar-me anos a fio, como certamente tem assaltado tantos de vós. Procuramos esquecê-las no barulho da vida, na pressa que nos impomos, nas distrações com que nos anestesiamos. Que se lixe o mundo. Alguém que o mude por nós...
Chegámos assim a este abismo incontornável da nossa existência que não se coloca apenas a esses outros a quem delegamos a mudança. É uma ameaça que se coloca a cada um de nós:
- A esgotar desta maneira os recursos da Terra (e ninguém parece disposto a travá-lo) vamos precisar de dois planetas como o nosso já em 2030 (http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/planeta-urgente/relatorio-vamos-precisar-de-duas-terras-em-2030/).
- A este ritmo, o gelo dos polos terá desaparecido em 2015 (http://hypescience.com/gelo-do-mar-artico-pode-desaparecer-ate-2015/).
- Parte do planeta pode ficar sem água em 2030 (http://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2013/03/22/quase-metade-do-mundo-pode-ficar-sem-agua-ate-2030-alerta-onu.htm).
- Faltará 50% de comida em 2030 (http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=52822&op=all)
- 100 milhões de pessoas poderão morrer devido às consequências das alterações climáticas (http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/meioambiente/2012-09-26/estudo-afirma-que-100-milhoes-morrerao-ate-2030-por-mudancas-climaticas.html)

Nas Filipinas as vítimas de um forte tufão – o maior de que há História - podem ascender às 10 mil. Os responsáveis pelo país gritam que é urgente travar a destruição do planeta, causado pelas mudanças climáticas operadas pelo Homem. Hoje foram eles, amanhã podemos ser nós. Será preciso morrerem milhares de pessoas para acordarmos para aquilo que estamos a fazer ao nosso planeta? Para entendermos que somos uma forte ameaça à vida na Terra? Que estamos a caminhar a toda a velocidade para a nossa própria extinção?
“Mas fazer o quê? Começar por onde?” – continuamos a perguntar-nos. A primeira etapa é seguramente a consciencialização do problema. É ela que nos leva a mudar a nossa atitude pessoal e a trabalhar no sentido de mudar a dos outros. É ela que nos faz acreditar na necessidade imperiosa de formar toda uma nova geração que entenda que a Terra é o nosso lar. Que não há progresso nenhum que justifique a destruição daquilo que nos dá o ar que precisamos de respirar, a água que precisamos de beber, o alimento que precisamos de comer. O Homem não é dono da Terra. Nela habitam milhões de outras espécies que têm tanto direito à Terra como nós. E se, em nome da nossa alegada superioridade, nos sentimos no direito de destruir o lar de tantos, então essa alegada superioridade é na verdade a nossa absurda inferioridade...

11/11/13

Fractal e Saúde

A análise do fractal abre-nos caminho a novas descobertas que nos permitem entender melhor o mundo, o universo e o próprio ser humano.
Há uma criatividade comum a todo o tipo de estruturas. E se essa semelhança for a resposta até para a nossa saúde?

Um bom exemplo retirado do site http://luzarcoiris.wordpress.com/2013/10/21/la-naturaleza-nos-habla-solo-hay-que-saber-escuchar/ :

As laranjas fazem bem aos olhos...

As nozes fazem bem ao cérebro...

Os morangos são bons alimentos para os dentes e para as gengivas...

O aipo fortalece os ossos...

Os figos favorecem a regulação do sistema reprodutor feminino...

A papaia favorece um bom trânsito intestinal...





06/11/13

O Ciclo da Vida

Com uma nova crónica "Mais Alentejo" a ganhar forma, partilho convosco a da edição anterior. Será que a Humanidade em geral e o Homem em particular evoluem num ciclo similar?

"O ciclo da vida

Costumo pensar que, na vida de cada um de nós, em particular, podemos ler um trajeto de evolução similar ao de todos nós, em geral. O Homem, enquanto espécie, nasceu, ergueu-se, descobriu os primeiros “brinquedos” e começou a tentar medir forças com as outras criaturas que estavam à sua volta. Vivia para si e por si, pela sua sobrevivência. Com medos. Sustos. Formas inocentes de ver o mundo e interpretações fantasiosas para explicar o que ainda não entendia.
Até que percebe que não está sozinho, nesta sua descoberta. Na idade da socialização, o Homem descobre que não precisa de medir constantemente forças com as outras criaturas. Ao invés, pode interagir com elas. Divertir-se. Colaborar. Construir em conjunto. O Homem começa então a formar comunidades. A funcionar em grupo e a dividir tarefas. Percebe que a inteligência lhe pode valer tanto ou mais do que a força, e que é importante que exista quem decida, quem lidere, quem planeie, quem coordene e quem obedeça. A competição pode ainda ser interna, mas se a comunidade funcionar, começa sim a competir com outras comunidades. E às vezes a competição é saudável mas outras não. Porque o Homem que antes queria ganhar sozinho, quer agora ganhar em grupo. Ter mais. Vencer. Conquistar. Dominar sobre os outros.
O Homem é agora um adolescente forte e apaixonado, cheio de garra, de sonhos e de ânsias de abraçar o mundo. Bélico, inconstante, ousado, inconsequente.
Até que a maturidade chega, com a idade, o fogo acalma e o Homem começa a medir as consequências. Já não se atira de cabeça na primeira aventura que lhe aparece. Preocupa-se mais em pôr a render o que tem. Fazer crescer. Se já não para os lados, para cima. Construir, fortalecer, enriquecer. O Homem torna-se um profissional e um pai de família. Cuida dos seus, acumula bens materiais, gera conforto, mas sacrifica-se. Sacrifica o seu tempo. Sacrifica a sua saúde. Sacrifica a natureza.
Até que uma maturidade ainda mais madura (talvez por ser a verdadeira) o faz parar e o Homem pergunta-se porque se sacrifica tanto e sacrifica o melhor que a vida lhe dá. Olha para trás e percebe o tanto que já perdeu, em lutas, em excessos, em sacrifícios. Procura soluções. Procura paz. Equilíbrio. Felicidade. Fecha o computador e volta a sair à rua. Sai da cidade e vai sentir o cheiro das flores do campo. Ou dar um mergulho numa praia deserta. Desliga o telemóvel e obriga o tempo a parar. Olha nos olhos dos olhos e abraça-os.
Creio que é aqui que o Homem, em geral, se encontra, no nosso país e um pouco por todo o mundo industrializado e consumista. Somos um Homem em busca de soluções que nos façam mais felizes. A perceber o que os excessos nos fizeram. A procurar formas de equilíbrio. A perceber que, num estilo de vida mais natural, mais próximo da natureza, mais tranquilo, mais verdadeiro com aquilo que somos, aproximamo-nos também mais de uma felicidade mais efetiva.
O que se seguirá com o Homem, em geral, só posso suspeitar, a partir daquilo que vejo no Homem individual. Aquele que, conseguindo encontrar o seu equilíbrio e a sua felicidade, a espalha à sua volta. Numa sociedade com um Homem equilibrado, feliz e em comunhão com aquele que é o seu lar natural, o planeta Terra, o Homem sente que já pode partir em paz. Como e para onde – pergunto-me em relação ao Homem individual mas também ao Homem geral - não sei. Mas estou em crer que um ciclo se fechará nesse momento, para que outro comece, porque sempre assim foi e sempre assim será, no particular e no geral...

Sara Rodi"
04/11/13

Fim

Sonho com uma terra em convulsão, que ruge debaixo dos nossos pés e se sacode no seu eixo, perdida, magoada, incapaz de fazer por nós quando há tanto não sabemos fazer por ela.
O sol cospe fogo, mais além. E a Terra não tem já forças para lutar contra o destino. Em vez de aliados, teve em nós os seus carrascos. E o seu grito de revolta é aquele que tantos já profetizaram, ao longo da nossa História. É o fim.
Acordo e grito também. Sacudo-me e sei que há algo que tem de ser feito. Algo que me persegue de baixo e de cima e de dentro ou de fora. Calço os ténis e corro. Fujo da noite, no medo do dia em que terei de fugir do dia. E prometo a mim mesma que farei o que tiver de ser feito para não ser o fim.

02/11/13

Toureiros da ilusão

Toureio o ego na certeza de que o melhor de mim está na minha vitória. Não quero matá-lo. Quero provar-lhe que sou mais forte do que ele. Não quero magoá-lo. Quero provar-lhe que sou pequeno, perante ele, mas sei defender-me dos seus ataques.
Toureio o ego, confiante, e a vitória traz-me palmas. Flores e beijos. Êxtase. E, embriagado no barulho da glória, volto a encher-me de mim mesmo, até uma nova luta contra tudo aquilo de que me enchi.
Sou, na verdade, um toureiro cego na mais clara das evidências. Porque o ego só me ataca se eu me vestir de vermelho e gritar por ele. Só tenho necessidade de combater o meu ego se propositadamente nos levar para a arena onde todos esperam que um de nós vença. É longe de tudo isso, das palmas, da arena, do público e da glória ou frustração, que o Homem e o ego podem conviver sem necessidade de se enfrentar. Sem a urgência de um vencedor, longe de uma arena que o Homem construiu, na louca crença de que a vida é competição e somente isso aqui nos segura todos os dias.
Atroz engano, esse que nos venderam. Ilusão vazia. Porque a vida não é competir. E a felicidade não precisa de ser a luta sanguinária numa arena viciada. A felicidade pode passar, simplesmente, por descobrir, fora da arena, o que nos preenche...
01/11/13

1 de novembro de 1755

1 de novembro de 1755

“O desespero é feito de inércia. Paralisa os gestos. Estagna o pensamento. E absolutamente nada de nada, naquele momento, podia valer à ausência de esperança, à certeza de que chegara o fim do mundo. Ou, pelo menos, o fim do mundo de cada um de nós, porque a sobrevivência, depois de um terramoto tão devastador, não parecia chegar nem para consolo dos vivos.”
("D. Teresa de Távora – A Amante do Rei”)