É porque existe a ilusão de um fim que precisamos de um sentido. Quando compreendermos a plenitude da infinitude, entenderemos, por fim, como a nossa busca de sentido não tem afinal sentido algum...
Somos um copo medidor
Imagino o corpo de todos nós como um copo medidor. Um copo que nos foi dado sem instruções de uso, apenas vazio na expetativa que o enchamos de algo.
Na infância, dizem-nos, melhor ou pior, como fazê-lo. Às vezes falam-nos de amor. De respeito. De aventura. De partilha. Outras vezes dizem-nos para enchê-lo de competição e inveja. Ou de indiferença e impaciência.
Na escola, ensinam-nos a enchê-lo de conhecimento. Muito conhecimento. E a testá-lo a toda a hora. Os melhores são aqueles que têm o conhecimento a transbordar. Para que serve esse conhecimento todo, não sabemos ao certo, mas dizem-nos para encher o copo e nós enchemos, porque o contrário parece ser a condenação a um copo vazio.
Depois crescemos e trocamos o conhecimento pelo trabalho. Pela produtividade. É preciso encher o copo de sucesso profissional, dinheiro, carreira, visibilidade. É preciso pôr novamente o copo a transbordar de tudo aquilo que parece ser o mais importante na vida e, se isso não acontecer, cai-se no vazio da existência. De que serve um copo se estiver vazio? De que serve a vida, se não se for bem sucedido?
Até que, quem experimentou na vida o amor, o respeito, a aventura e a partilha, recorda-se de como isso era importante e saboroso, na infância (e talvez quem cresceu na competição e na inveja, na indiferença e impaciência, também o questione por fim). Recorda-se também do conhecimento. E pergunta-se se o copo, afinal, não poderá encher-se de várias coisas ao mesmo tempo. Afinal, de que serve o sucesso se não houver amor? O que é o trabalho sem respeito e aventura? O que é a vida sem a partilha? E então, sabiamente, começa-se a medir cada um dos ingredientes que se põe no copo. Não há uma fórmula igual a outra, por isso é preciso testar as combinações corretas, a dosagem adequada de cada coisa.
Com sorte, na velhice, o copo tem as doses certas de tudo o que precisamos. E, sabiamente, perguntamo-nos porque perdemos tanto tempo para chegar ali. Foi realmente necessário encher o copo tantas vezes de tanta coisa que não nos serviam? Terá sido realmente necessário lutarmos tanto para que ele transbordasse de algo que, na verdade, não nos fazia felizes? Porque ninguém nos disse, na infância, que não éramos um copo medidor por acaso? E que o objetivo da vida era encontrarmos a nossa justa combinação. Não um quanto, mas um como. Não uma quantidade, mas uma proporção. Não uma soma ou multiplicação, mas uma equação. Como podia a descoberta da fórmula da felicidade ser remetida para o final da nossa vida, se era ela que verdadeiramente lhe dava sentido e utilidade?
Pais que amam os seus filhos, dão-lhes na verdade tudo o que eles precisariam para ser felizes. É nas pressões da vida moderna, nas necessidades de um mundo consumista onde tudo é aferido pela produtividade, que se castra aquilo que, na verdade, seria (ou será, se ainda o quisermos) o nosso maior tesouro...

Na infância, dizem-nos, melhor ou pior, como fazê-lo. Às vezes falam-nos de amor. De respeito. De aventura. De partilha. Outras vezes dizem-nos para enchê-lo de competição e inveja. Ou de indiferença e impaciência.
Na escola, ensinam-nos a enchê-lo de conhecimento. Muito conhecimento. E a testá-lo a toda a hora. Os melhores são aqueles que têm o conhecimento a transbordar. Para que serve esse conhecimento todo, não sabemos ao certo, mas dizem-nos para encher o copo e nós enchemos, porque o contrário parece ser a condenação a um copo vazio.
Depois crescemos e trocamos o conhecimento pelo trabalho. Pela produtividade. É preciso encher o copo de sucesso profissional, dinheiro, carreira, visibilidade. É preciso pôr novamente o copo a transbordar de tudo aquilo que parece ser o mais importante na vida e, se isso não acontecer, cai-se no vazio da existência. De que serve um copo se estiver vazio? De que serve a vida, se não se for bem sucedido?
Até que, quem experimentou na vida o amor, o respeito, a aventura e a partilha, recorda-se de como isso era importante e saboroso, na infância (e talvez quem cresceu na competição e na inveja, na indiferença e impaciência, também o questione por fim). Recorda-se também do conhecimento. E pergunta-se se o copo, afinal, não poderá encher-se de várias coisas ao mesmo tempo. Afinal, de que serve o sucesso se não houver amor? O que é o trabalho sem respeito e aventura? O que é a vida sem a partilha? E então, sabiamente, começa-se a medir cada um dos ingredientes que se põe no copo. Não há uma fórmula igual a outra, por isso é preciso testar as combinações corretas, a dosagem adequada de cada coisa.
Com sorte, na velhice, o copo tem as doses certas de tudo o que precisamos. E, sabiamente, perguntamo-nos porque perdemos tanto tempo para chegar ali. Foi realmente necessário encher o copo tantas vezes de tanta coisa que não nos serviam? Terá sido realmente necessário lutarmos tanto para que ele transbordasse de algo que, na verdade, não nos fazia felizes? Porque ninguém nos disse, na infância, que não éramos um copo medidor por acaso? E que o objetivo da vida era encontrarmos a nossa justa combinação. Não um quanto, mas um como. Não uma quantidade, mas uma proporção. Não uma soma ou multiplicação, mas uma equação. Como podia a descoberta da fórmula da felicidade ser remetida para o final da nossa vida, se era ela que verdadeiramente lhe dava sentido e utilidade?
Pais que amam os seus filhos, dão-lhes na verdade tudo o que eles precisariam para ser felizes. É nas pressões da vida moderna, nas necessidades de um mundo consumista onde tudo é aferido pela produtividade, que se castra aquilo que, na verdade, seria (ou será, se ainda o quisermos) o nosso maior tesouro...

Da Terra e do seu ciclo
O ciclo da vida...
ou a trágica história da Terra em 2 minutos.
Estaremos ainda a tempo de o evitar? O que pode cada um de nós fazer por isso?
http://portugalglorioso.blogspot.pt/2014/02/a-historia-do-mundo-em-2-minutos.html
ou a trágica história da Terra em 2 minutos.
Estaremos ainda a tempo de o evitar? O que pode cada um de nós fazer por isso?
http://portugalglorioso.blogspot.pt/2014/02/a-historia-do-mundo-em-2-minutos.html
Inspirar, expirar
Inspirar.
Expirar.
Nunca poderemos ser de fora sem sermos primeiro o que temos de ser no nosso interior.
É só quando o ar entra em nós que podemos depois devolvê-lo, espalhá-lo, cantá-lo, voá-lo.
É só depois de nos enchermos de tudo aquilo que precisamos, que tudo aquilo que dizemos e fazemos deixa de nos custar, e pode partir livre e organicamente em direção aos outros e ao mundo.
É este o movimento certo. Dentro. Fora. Necessariamente.
Inspirar.
Expirar.
Expirar.
Nunca poderemos ser de fora sem sermos primeiro o que temos de ser no nosso interior.
É só quando o ar entra em nós que podemos depois devolvê-lo, espalhá-lo, cantá-lo, voá-lo.
É só depois de nos enchermos de tudo aquilo que precisamos, que tudo aquilo que dizemos e fazemos deixa de nos custar, e pode partir livre e organicamente em direção aos outros e ao mundo.
É este o movimento certo. Dentro. Fora. Necessariamente.
Inspirar.
Expirar.
Da Árvore da Vida
Somos sementes na escuridão. Muitas, perdidas na terra densa, tentando fugir dos vermes que se alimentam de nós. Procurando água. Procurando luz. Procurando uma vida que dê sentido ao momento em que nos libertámos da grande árvore e caímos na terra, ainda que a memória dessa queda não exista em nós, ou seja apenas uma ideia vaga que tentamos negar.
Podemos viver uma vida inteira na escuridão, pensando que nada mais existe do que ela. Ansiando por algo que não sabemos o que é, às vezes fazendo o que for possível para esquecer que essa busca está em nós, outras vezes levando os outros a fugir também, criando fantasmas que só existem no medo de existir que ensombrece cada um de nós.
A verdade é que podemos, ao invés, esquecer por um momento que seja o medo de existir e olhar para dentro de nós, na tentativa de entender o que buscamos. Porque buscamos. Quem somos e o que podemos vir a ser, se fizermos por isso. E é então que algumas sementes percebem que podem crescer, ramificar-se, alastrar-se, e empreender essa busca fora de si até brotarem da terra. Sim, é possível. Sim, elas conseguem. E vislumbram dessa forma a beleza inegualável do céu, sentem a chuva morna e o calor do sol. Maravilham-se com a existência e contemplam a vida em todo o seu esplendor. É certo que os perigos também existem, desse lado da vida. A chuva pode ser violenta e o sol pode queimar. Outros predadores vorazes podem estar à espreita. Mas espreitar um pouco mais da vida é sempre um risco enriquecedor, porque é desse lado que a vida começa verdadeiramente a ser vida. Seremos ainda caule, depois tronco tímido, árvore frágil durante muito tempo. Se viveremos o suficiente ou da forma necessária para dar flores e frutos, não o sabemos. Se um dia chegaremos mesmo a lançar as nossas próprias sementes à Terra, não podemos adivinhar. Mas a descoberta desse outro lado é já, por si só, uma etapa poderosa da nossa evolução. Um passo importante e decisivo para que um dia consigamos, por fim e em conjunto, construir um lindo jardim junto da frondosa árvore que nos criou...
Podemos viver uma vida inteira na escuridão, pensando que nada mais existe do que ela. Ansiando por algo que não sabemos o que é, às vezes fazendo o que for possível para esquecer que essa busca está em nós, outras vezes levando os outros a fugir também, criando fantasmas que só existem no medo de existir que ensombrece cada um de nós.
A verdade é que podemos, ao invés, esquecer por um momento que seja o medo de existir e olhar para dentro de nós, na tentativa de entender o que buscamos. Porque buscamos. Quem somos e o que podemos vir a ser, se fizermos por isso. E é então que algumas sementes percebem que podem crescer, ramificar-se, alastrar-se, e empreender essa busca fora de si até brotarem da terra. Sim, é possível. Sim, elas conseguem. E vislumbram dessa forma a beleza inegualável do céu, sentem a chuva morna e o calor do sol. Maravilham-se com a existência e contemplam a vida em todo o seu esplendor. É certo que os perigos também existem, desse lado da vida. A chuva pode ser violenta e o sol pode queimar. Outros predadores vorazes podem estar à espreita. Mas espreitar um pouco mais da vida é sempre um risco enriquecedor, porque é desse lado que a vida começa verdadeiramente a ser vida. Seremos ainda caule, depois tronco tímido, árvore frágil durante muito tempo. Se viveremos o suficiente ou da forma necessária para dar flores e frutos, não o sabemos. Se um dia chegaremos mesmo a lançar as nossas próprias sementes à Terra, não podemos adivinhar. Mas a descoberta desse outro lado é já, por si só, uma etapa poderosa da nossa evolução. Um passo importante e decisivo para que um dia consigamos, por fim e em conjunto, construir um lindo jardim junto da frondosa árvore que nos criou...
A música do universo
"Pitágoras considerava a música como sons em movimento, entrecortados ou ininterruptos. Esses sons se ajustam segundo o tom e o modo. Os intervalos estão em relação com o desenvolvimento espiritual dos seres humanos e com a harmonia do cosmo.
Para Pitágoras, a distância da Terra à Lua representa um tom.
Da Lua a Mercúrio e de Mercúrio a Vênus há um semitom; de Vênus ao Sol, um tom e meio; do Sol a Marte, um tom; de Marte a Júpiter e de Júpiter a Saturno, um semitom; e de Saturno ao Zodíaco, um tom e meio. Esses tons formam juntos uma oitava, base da harmonia universal."
É talvez chegado o tempo de nos harmonizarmos com a música do universo. E de, humildemente, reconhecermos que sabemos tão pouco como sempre soubemos, porque é só na mais profunda humildade que o nosso coração pode abrir-se finalmente ao mistério...
Para Pitágoras, a distância da Terra à Lua representa um tom.
Da Lua a Mercúrio e de Mercúrio a Vênus há um semitom; de Vênus ao Sol, um tom e meio; do Sol a Marte, um tom; de Marte a Júpiter e de Júpiter a Saturno, um semitom; e de Saturno ao Zodíaco, um tom e meio. Esses tons formam juntos uma oitava, base da harmonia universal."
É talvez chegado o tempo de nos harmonizarmos com a música do universo. E de, humildemente, reconhecermos que sabemos tão pouco como sempre soubemos, porque é só na mais profunda humildade que o nosso coração pode abrir-se finalmente ao mistério...
Da Densidade da Terra
Despertei na estranha ideia de que a densidade me cansa. Me esgota. É um peso extra que nem sempre sei suportar. Talvez a ideia me tenha ocorrido no regresso de um sonho leve, de uma viagem sem densidade. Nos sonhos, raramente tenho corpo. Sou algo que vê, ou algo que percorre corpos para experimentar vidas. Nunca preso a um corpo único, a um único contexto num qualquer tempo ou parte do mundo.
Acordado, sou um corpo de que gosto, num contexto que, mesmo por entre dificuldades, me é tão favorável, rodeado de tanto e de tantos que enchem a minha vida de alegrias. Acordado, desejo viver o maior número de anos possível para dar e ser tudo aquilo que eu puder. Mas no regresso da noite, depois da deambulação noturnas, algo em mim se pergunta porque é preciso o peso de um corpo. Qual a razão de ser da densidade.
Acordado, sou um corpo de que gosto, num contexto que, mesmo por entre dificuldades, me é tão favorável, rodeado de tanto e de tantos que enchem a minha vida de alegrias. Acordado, desejo viver o maior número de anos possível para dar e ser tudo aquilo que eu puder. Mas no regresso da noite, depois da deambulação noturnas, algo em mim se pergunta porque é preciso o peso de um corpo. Qual a razão de ser da densidade.
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