25/04/14

40 anos depois...

Há 40 anos, um grupo de homens decidiu que era hora de reescrever a história de Portugal e a de todos os portugueses. Muniu-se de gestos simbólicos. Valeu-se da sua criatividade.
Hoje, mais uma vez, Portugal precisa de se recriar. Talvez não com caravelas lançadas ao mar ou com uma nova revolução, porque desafios diferentes exigem diferentes soluções. Mas é tempo de pensarmos na História do nosso país e o que nos conduziu até aqui; quem somos hoje, enquanto povo, com os nossos defeitos e qualidades, no contexto em que vivemos; e sobretudo que país queremos ter amanhã e o que podemos fazer já hoje e agora, para o alcançar?
Hoje é dia de recordar, hoje é dia de refletir. Mas hoje é também dia de criar soluções e partir para a ação. O que pode cada um de nós fazer para transformar Portugal num lugar melhor? O que podemos fazer, enquanto povo, para reescrever, mais uma vez, a história do nosso país?

14/04/14

O Livro da Tua Vida

No dia em que o meu filho mais velho, na altura com 4 anos, me perguntou se a Humanidade iria extinguir-se como os dinossauro, percebi que nunca mais olharia o mundo com os mesmos olhos. Como fora possível que, na azáfama e nas distrações da vida, me esquecera dos meus sonhos de criança para mudar o mundo? E não eram os meus sonhos, agora, mais do que nunca, necessários? Não estava efetivamente o mundo virado de pernas para o ar, a tantos níveis? Não caminhava efetivamente a Humanidade para a extinção? Como podia eu demitir-me da responsabilidade de o mudar?
Nos últimos 6 anos tenho andado em busca de mim mesma, nas mudanças que tenho feito e nas palavras que tenho escrito. Percebi que não podia mudar o mundo se não me mudasse primeiro. Que há muitas formas de mudar o mundo, nos mais pequenos gestos que fazemos. Percebi que nunca agradaremos a todos e que tantas vezes, mesmo com as melhores das intenções, erramos. Mas percebi tanto que é urgente tentarmos e não desistirmos, por mais impotentes que nos sintamos.
Numa noite de insónias, há uns meses, surgiu-me a ideia de escrever um livro diferente de todos os outros. Um livro onde partilhasse as ferramentas de que me tenho valido, nesta minha mudança, e que são as ferramentas que uso no meu trabalho (escrita criativa), aplicadas à nossa própria vida. Assim nasceu O Livro da Tua Vida, que vai ser lançado amanhã, e que contará com as histórias inspiradoras do Fernando Alvim, da Marta Sofia Guerreiro, da Cristina Baptista, da Marta Rebelo, da Andresa Salgueiro, do Joao Mendes Reis, da Sara Silva e do Manuel Guerra.
Se as minhas ferramentas vão servir o meu propósito e ajudar quem as quiser usar na sua mudança pessoal (primeira etapa de uma mudança maior), não faço a menor ideia. Mas quero muito, amanhã, dar um beijo de boa noite aos meus filhos e deitar-me com a ideia de que, por eles e por mim (por todos nós!), tentei e continuarei a tentar.
A quem quiser e puder aparecer... até amanhã!

21/03/14

Olhar diferente

É através do olhar que o mundo avança. Um olhar diferente, sob outra perspetiva que nunca se teve, capaz de pôr em causa todos os outros olhares do mundo, presos a uma ideia de um olhar que não via tudo. Porque nunca se vê tudo. Mas é nossa obrigação ver sempre mais um pouco, sempre um pouco mais além. E é quando se gira, enquadra, rodeia, vira de cabeça para baixo, que os olhos vêem mais fundo e mais longe. Houve nesse momento uma qualquer criatividade que se apoderou do olhar, mas a criatividade de nada vale se não se aliar à coragem da diferença, indiferente à troça de quem não acredita que se possa olhar assim. Que não se dá sequer ao trabalho de tentar, até que todos experimentem olhar também dessa forma, e ela se banalize como todos os outros olhares.
É no olhar que tudo muda. Num simples olhar, que é a porta entre o que temos dentro de nós e o mundo exterior. No olhar não recebemos apenas de fora para dentro, empurramo-nos de dentro para fora sempre que arriscamos olhar diferente. É essa a grande diferença entre quem vive a vida a receber o que lhe é dado ver, e quem entende que receber é só metade do processo, e que será tanto mais aquilo que se recebe quanto mais formos capazes de dar, em cada olhar diferente.
Abramos então os nossos olhos, por favor. Escancaremo-los à vida, antes que a vida tome conta de nós e nos cegue de todos os excessos que procuram roubar-nos o olhar. Porque o mundo precisa, mais do que nunca, de quem ouse olhar diferente...

19/03/14

Do ciclo da vida

Feliz daquele que, olhando a nascente do rio, simplesmente se maravilha com o jorrar
sem ousar virar-lhe as costas e procurar no serpenteado do rio onde desaguam as suas águas,
até perder seus olhos num destino nenhum.

Porque o rio desagua no mar
E o mar desce à Terra
E da Terra volta a brotar como rio novamente.

Porque o rio desagua no mar
E o mar sobe às nuvens
e desce em chuva que regressará à nascente outra vez.

E é na consciência da ciclicidade de todas as coisas que nasce o desânimo
Porque o princípio e o fim como limites da existência magoam
mas saber que tudo é eterno dói ainda mais fundo
no âmago da nossa incompreensão

Seremos sempre rio, mar, terra, nascente
vapor, nuvem, água, nascente outra vez
Como tudo e como todos nesta Terra
aprisionado nesse ciclo natural de tudo o que existe

E só talvez quando a Terra deixar de ser Terra
e o homem deixar de ser homem
e sobrar apenas a consciência de existir
poderemos deixar de fluir.
E então, finalmente e livremente... ser!

Magnólia


Magnólia branca
de aroma suave
que segredos escondes nas tuas raízes?
que seiva alimenta o teu caule?
que sonho transforma em seda as tuas pétalas?
Tu, que resististe à passagem do tempo e das civilizações
Que viste a Terra quebrar-se e o mar a engoli-la vezes sem conta
Que viste fogos, vulcões e sol ardente
Chuvas intensas, ventos e furacões
Homens.
Os homens e as suas guerras.
Os homens e as suas chacinas.
Homens em permanente mutação
de ideias, de visões, de construções de nadas que pareciam tudo
e de tudos que simplesmente reduziram a nada
E tu ficaste.
Resististe.
Foste nascendo e morrendo e nascendo e morrendo serenamente
Aceitando tudo o que vinha do céu e tudo o que vinha da Terra
Embalando os Homens que perfumavas
Sorrindo aos Homens que adornavas.
Sem medo de nascer e morrer e nascer e morrer as vezes que fossem necessárias
Imutável, pura, incorruptível
num desabrochar diário sem angústias
Só porque sim
Só porque, bom ou mau, será sempre como terá de ser
e vale sempre a pena...
06/03/14

De tudo o que é e tudo o que somos - DIA 40

Se um dia descobrisse os segredos do mundo, deixaria de pertencer ao mundo
Se um dia entendesse quem era e tudo o que aqui me trouxe,
deixaria de ser necessária a vida e o que aqui preciso de fazer.

O mistério não foi feito para ser compreendido
Nem o código para ser descodificado
O mundo fez-se para ser mundo
E o homem para ser homem
Porque é só para isso que o mundo serve
E cada um de nós existe.

Cada alegria deve ser contemplada
como o sol que nasce em cada manhã
E cada obstáculo louvado, por ser tão necessário
como uma montanha após um vale.
E a vida avança quando aprendemos finalmente a extasiarmo-nos na alegria e a fortalecermo-nos na dificuldade
abraçando cada obstáculo
como quem põe a mochila às costas e galga a montanha em busca do sol que nasce todas as manhãs do lado de lá...

Nada é fácil
Porque se fosse fácil, não seria vida
Nenhum de nós é feliz todos os dias e horas e minutos
Porque se fosse, não seríamos homens
Por isso é tão inútil a angústia e o desânimo
como o é perguntarmo-nos porque existem as montanhas. A chuva. O calor. E os mares que separam continentes ou a distância que nos afasta das estrelas.

Tudo é o que é porque simplesmente tem de ser.
E a viagem do homem pelo mundo, mais do que um questionamento inerte, é ou deverá ser um movimento constante, no fluxo de tudo o que existe tal como terá de existir.

E não, nunca entenderemos os segredos do mundo.
E não, nunca saberemos ao certo quem somos e o que aqui nos trouxe.
Mas o questionamento só nos será verdadeiramente útil,
no dia em que o coração decidir entregar-se ao que nunca poderá compreender...

01/03/14

Do apelo

Sinto o apelo que brota em mim como um segredo que conheço sem conhecer
A cada sinal sei que estou onde devia estar
leio o que devia ler
escrevo o que devia escrever
compreendendo-o sem o compreender.

Sem forças para continuar a resistir, confio
E percebo como é afinal tão subtil a passagem do cepticismo à fé sem questionamento
Nunca se compreenderão os mistérios do mundo
Nunca se compreenderá o milagre da vida
E no entanto, se pararmos para os questionar,
sentimo-los em nós para além de qualquer dogma ou fundamento
Nada do que se diz é verdade
Sendo tão verdade em nós tudo o que está ainda por dizer...
Somos nada do que sabemos
E tudo daquilo que, no nosso íntimo, na ausência de explicações, temos a certeza de saber...