O nosso percurso individual e o nosso percurso enquanto espécie correm em paralelo. Enquanto espécie, é chegado o momento da autoconsciência coletiva (até por razões de sobrevivência). Individualmente, em que patamar nos encontramos?
"É neste sentido que não poucos cientistas (A. Goswami, D. Bohm, B. Swimme, Bateson e outros) falam do universo autoconsciente e de um propósito que é perseguido pelo conjuntos das energias em ação. Não há como negar esse percurso: das energias primordiais passamos à matéria, da matéria à complexidade, da complexidade à vida e da vida à consciência, da consciência à autoconsciência individual e da autoconsciência individual à autoconsciência coletiva, aqulo que Teilhard de Chardin chamava de noosfera pela qual nos sentimos uma mente coletiva."
(Leonardo Boff)
Do Amor
Se somos mais felizes quando amamos e somos amados;
Se nos tornamos mais saudáveis num ambiente de amor;
Se as nossas competências cognitivas se apuram quando estabelecemos laços amorosos;
somos uma espécie talhada para o Amor.
Aparte crenças, religiões, filosofias e modos de viver a vida, somos biologicamente seres que precisamos de Amor para funcionar convenientemente.
O Amor não é uma mais-valia. É uma necessidade orgânica, provavelmente a razão de ser da nossa existência.
Se nos tornamos mais saudáveis num ambiente de amor;
Se as nossas competências cognitivas se apuram quando estabelecemos laços amorosos;
somos uma espécie talhada para o Amor.
Aparte crenças, religiões, filosofias e modos de viver a vida, somos biologicamente seres que precisamos de Amor para funcionar convenientemente.
O Amor não é uma mais-valia. É uma necessidade orgânica, provavelmente a razão de ser da nossa existência.
Do Princípio e do Fim
A História da Terra é a aventura da materialização do invisível. Do Verbo se fez o que os nossos olhos vêem, o que as nossas mãos tocam, o que os nossos ouvidos ouvem, os nossos narizes cheiram e as nossas bocas provam.
Mas a História da Terra pede-nos agora que abandonemos a matéria para compreendermos o invisível que sempre esteve por detrás. O que os nossos olhos não conseguem ver, o que as nossas mãos não conseguem tocar, o que nossos ouvidos não conseguem ouvir, os nossos narizes podem cheirar ou as nossas bocas provar. A História pede-nos que sejamos o que sempre fomos, desde o princípio dos tempos, desde a formação de todos os lugares. O que sempre fomos, sem tempo nem espaço, para além de toda a ilusão da matéria.
A História pede-nos que regressemos à nossa forma original. Grita-o através do vento e do chilrear dos pássaros. Transmite-o na força das marés e na água que cai do céu. Revela-o nas estrelas, inspira-o em cada um de nós através do luar, noite após noite, cada noite mais perto do fim.
A História está escrita. Não há como fugir dela. Entendê-la, no entanto, é perceber que o invisível não é o Fim. Apenas um suave regresso ao nosso Princípio.
Mas a História da Terra pede-nos agora que abandonemos a matéria para compreendermos o invisível que sempre esteve por detrás. O que os nossos olhos não conseguem ver, o que as nossas mãos não conseguem tocar, o que nossos ouvidos não conseguem ouvir, os nossos narizes podem cheirar ou as nossas bocas provar. A História pede-nos que sejamos o que sempre fomos, desde o princípio dos tempos, desde a formação de todos os lugares. O que sempre fomos, sem tempo nem espaço, para além de toda a ilusão da matéria.
A História pede-nos que regressemos à nossa forma original. Grita-o através do vento e do chilrear dos pássaros. Transmite-o na força das marés e na água que cai do céu. Revela-o nas estrelas, inspira-o em cada um de nós através do luar, noite após noite, cada noite mais perto do fim.
A História está escrita. Não há como fugir dela. Entendê-la, no entanto, é perceber que o invisível não é o Fim. Apenas um suave regresso ao nosso Princípio.
Da alquimia de viver
Costumo dizer que a vida é como um copo medidor. Um copo que permite misturar várias tarefas, várias aventuras, vários relacionamentos, mas que tem uma capacidade limitada. O dia só tem 24 horas. O nosso corpo precisa de descansar. Não é assim possível encher o nosso copo de felicidade se não o esvaziarmos daquilo que temos a mais, dentro dele. O que é que nos faz perder tempo? O que é que nos rouba energia? Que relacionamentos já não fazem sentido? Por vezes é exatamente o excesso que não nos deixa ver o que nos falta...
Se já nos libertámos de tudo o que não fazia sentido, mas ainda assim não conseguimos conter tudo aquilo que nos dá prazer, a solução passa por criar novas combinações, que permitam misturar os diferentes "líquidos" em doses mais pequenas. Talvez um hobby se possa transformar em trabalho. Talvez no trabalho possamos envolver aqueles com quem queremos estar. Ou talvez aqueles com quem gostamos de estar também gostem do nosso hobby e possamos praticá-lo juntos.
A vida é um exercício de forças e combinações. Física e Química. Às vezes quântica, porque acima e abaixo de tudo o que vemos existe a incerteza de tudo aquilo que ainda não compreendemos. Mas uma certeza temos: a alquimia acontece quando mexemos na matéria. Quando fundimos, separamos, transformamos. Fazer o que sempre fizemos da forma que fizemos nunca transformará vida alguma em ouro...
Na estrada da Vida
Hoje deparei-me com este sinal de trânsito e dei comigo a pensar que a vida, ela própria, deveria ter as suas regras de circulação:
1. Circular (crescer, aprender, evoluir), sempre, porque a vida é movimento.
2. Respeitar os limites máximos e os mínimos de velocidade (que o corpo nos impõe).
3. Estar atento aos sinais, de todas as formas e feitios (e aos sinais dos outros também).
4. Dar prioridade a quem a merece (ainda que alguns não respeitem as regras).
5. Avançar quando chegar a nossa vez (porque a nossa vez, mais cedo ou mais tarde, chega sempre).
6. Sair na saída que queremos (caso contrário andaremos às voltas) e fazer sinal para não apanhar nenhum daqueles que circula connosco de surpresa.
7. Circular, sempre, mas sem nunca esquecer que no centro de tudo está o Amor <3
De Pessoa para Pessoa
Pessoa assoma-me quando menos espero.
Gozando-me, sempre que em mim há certezas.
São poucas as vezes em que me permito tê-las, mas se uma me vislumbra, aquela que soa como a mais incompreensivelmente verdadeira, Pessoa espreita-me. Ri-se de mim. Diz-me que nada é nada, e que isso é muito mais verdade do que tudo é tudo.
- Preciso entender.
- Entender não é para os vivos - responde-me.
- E o que é para os vivos? A mentira?
- Tudo menos a verdade verdadeira. Aquela que roubaria o sentido ao teu mundo, porque o teu mundo é necessariamente de mentira, ou não seria mundo.
Digo-lhe que fui longe demais. Que não posso esquecer o vi. Esquecer o que senti. E ele cita-me Caeiro. Ah, Caeiro! Se eu soubesse resignar-me ao mundo que é mundo, o de aqui e o de agora, o do tempo e da distância, sem me fugir a alma para onde não deve... sem me escapar o espírito para onde não pode ir.
- Talvez precises do absurdo para escrever - sussurra-me irónico.
- Eu não quero escrever! Quero viver...
- E o que é a tua vida sem a escrita? O que és tu sem as palavras? Resigna-te. Serás sempre uma sombra de infelicidade num rosto feliz.
- E se eu não quiser?
Coloca-se em posição de Íbis e faz-me rir. Tonto! Tonto Pessoa! Não o quero comigo e todos os dias me enleio nele, entendendo o que não quero entender. Ou quero mas não devo. Ou devo mas não consigo. Mordisco a maçã da árvore da verdade, aquela que Deus proibiu para que os homens nunca deixassem de ser homens, e sofro agora o castigo divino, o de ir além do permitido.
Mas o que é uma dentada de maçã, sem a maçã inteira?
Sou expulsa do paraíso mas ausente também da realidade que agora não me chega.
- Não tens outro remédio. Escreve...
Gozando-me, sempre que em mim há certezas.
São poucas as vezes em que me permito tê-las, mas se uma me vislumbra, aquela que soa como a mais incompreensivelmente verdadeira, Pessoa espreita-me. Ri-se de mim. Diz-me que nada é nada, e que isso é muito mais verdade do que tudo é tudo.
- Preciso entender.
- Entender não é para os vivos - responde-me.
- E o que é para os vivos? A mentira?
- Tudo menos a verdade verdadeira. Aquela que roubaria o sentido ao teu mundo, porque o teu mundo é necessariamente de mentira, ou não seria mundo.
Digo-lhe que fui longe demais. Que não posso esquecer o vi. Esquecer o que senti. E ele cita-me Caeiro. Ah, Caeiro! Se eu soubesse resignar-me ao mundo que é mundo, o de aqui e o de agora, o do tempo e da distância, sem me fugir a alma para onde não deve... sem me escapar o espírito para onde não pode ir.
- Talvez precises do absurdo para escrever - sussurra-me irónico.
- Eu não quero escrever! Quero viver...
- E o que é a tua vida sem a escrita? O que és tu sem as palavras? Resigna-te. Serás sempre uma sombra de infelicidade num rosto feliz.
- E se eu não quiser?
Coloca-se em posição de Íbis e faz-me rir. Tonto! Tonto Pessoa! Não o quero comigo e todos os dias me enleio nele, entendendo o que não quero entender. Ou quero mas não devo. Ou devo mas não consigo. Mordisco a maçã da árvore da verdade, aquela que Deus proibiu para que os homens nunca deixassem de ser homens, e sofro agora o castigo divino, o de ir além do permitido.
Mas o que é uma dentada de maçã, sem a maçã inteira?
Sou expulsa do paraíso mas ausente também da realidade que agora não me chega.
- Não tens outro remédio. Escreve...
Vida pouca
Quando me olho,
no fundo do fundo dos meu olhar,
encontro-me outro, outros, todos
nenhum.
Personagens visitam-me, preenchem-me, trespassam-me
esvaziam-me.
Corpos vibram-me, gritam, brilham
apagam-me.
Ser tanto é ser pouco.
Ser tudo é ser nada.
Mas no pouco ou nada que resta
agradeço a vida que me foi dada.
no fundo do fundo dos meu olhar,
encontro-me outro, outros, todos
nenhum.
Personagens visitam-me, preenchem-me, trespassam-me
esvaziam-me.
Corpos vibram-me, gritam, brilham
apagam-me.
Ser tanto é ser pouco.
Ser tudo é ser nada.
Mas no pouco ou nada que resta
agradeço a vida que me foi dada.
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