Há dias que me abraçam e me devolvem ao que sou.
Cada gesto importa
Em 2003 conheci em Taizé um jovem da Bósnia, marcado pelos violentos confrontos que afetavam a sua comunidade. Ouvi os seus relatos impressionantes, tão longe de compreender como podiam eles ser reais, no mesmo mundo que a mim me fazia tão feliz. E ele disse-me:
- Sabes, Sara, tu só consegues sorrir assim porque não sabes o que é a guerra.
Nesse momento o meu sorriso desfez-se e senti que não tinha mais o direito de sorrir como sorria, perante o sofrimento daqueles que me cercavam.
- Não, Sara. Não te digo isto para parares de sorrir. Não pares, por favor... Enquanto sorris, ajudas-me a esquecer...
Tantas vezes nos sentimos impotentes perante aquilo que não conseguimos mudar. Mas cada gesto nosso, cada abraço que damos e cada sorriso que soltamos, pode ser quanto baste para que o mundo se torne num lugar melhor...
- Sabes, Sara, tu só consegues sorrir assim porque não sabes o que é a guerra.
Nesse momento o meu sorriso desfez-se e senti que não tinha mais o direito de sorrir como sorria, perante o sofrimento daqueles que me cercavam.
- Não, Sara. Não te digo isto para parares de sorrir. Não pares, por favor... Enquanto sorris, ajudas-me a esquecer...
Tantas vezes nos sentimos impotentes perante aquilo que não conseguimos mudar. Mas cada gesto nosso, cada abraço que damos e cada sorriso que soltamos, pode ser quanto baste para que o mundo se torne num lugar melhor...
A ferida que não sara
Todos nós, uma vez que na vida, ainda que apenas em sonhos, deveríamos ser apanhados pelo fundilho das calças e pendurados num qualquer planeta lá fora. De lá, seríamos obrigados a olhar a minúscula Terra, planeta azul cada dia mais doente, onde pequenas criaturas se matam, se destroem e destroem o seu habitat em nome de poder e de riqueza.
Todos nós, uma vez na vida que fosse, deveríamos sentir-nos o Universo, e doer-nos a Terra como uma ferida que não sara.
Todos nós, uma vez na vida que fosse, deveríamos sentir-nos o Universo, e doer-nos a Terra como uma ferida que não sara.
O Livro da Vida
Olhar a nossa vida como uma história é compreender que todos aqueles que nos rodeiam têm também uma história por viver. Todos têm os seus próprios desafios por superar, as suas lutas internas e os seus obstáculos externos.
Às vezes tendemos a pensar que só a nossa história existe e todos devem contribuir para ela. Outras vezes tendemos a contribuir para todas as histórias que nos surgem o caminho, sem cuidar da nossa própria história.
Todas as histórias são válidas e têm percursos autónomos. Quando se cruzam é porque há algo para aprender e algo para ensinar. Julgar os outros é simplesmente descurar o poder do grande livro da Vida...
Às vezes tendemos a pensar que só a nossa história existe e todos devem contribuir para ela. Outras vezes tendemos a contribuir para todas as histórias que nos surgem o caminho, sem cuidar da nossa própria história.
Todas as histórias são válidas e têm percursos autónomos. Quando se cruzam é porque há algo para aprender e algo para ensinar. Julgar os outros é simplesmente descurar o poder do grande livro da Vida...
Autoconsciência coletiva
O nosso percurso individual e o nosso percurso enquanto espécie correm em paralelo. Enquanto espécie, é chegado o momento da autoconsciência coletiva (até por razões de sobrevivência). Individualmente, em que patamar nos encontramos?
"É neste sentido que não poucos cientistas (A. Goswami, D. Bohm, B. Swimme, Bateson e outros) falam do universo autoconsciente e de um propósito que é perseguido pelo conjuntos das energias em ação. Não há como negar esse percurso: das energias primordiais passamos à matéria, da matéria à complexidade, da complexidade à vida e da vida à consciência, da consciência à autoconsciência individual e da autoconsciência individual à autoconsciência coletiva, aqulo que Teilhard de Chardin chamava de noosfera pela qual nos sentimos uma mente coletiva."
(Leonardo Boff)
"É neste sentido que não poucos cientistas (A. Goswami, D. Bohm, B. Swimme, Bateson e outros) falam do universo autoconsciente e de um propósito que é perseguido pelo conjuntos das energias em ação. Não há como negar esse percurso: das energias primordiais passamos à matéria, da matéria à complexidade, da complexidade à vida e da vida à consciência, da consciência à autoconsciência individual e da autoconsciência individual à autoconsciência coletiva, aqulo que Teilhard de Chardin chamava de noosfera pela qual nos sentimos uma mente coletiva."
(Leonardo Boff)
Do Amor
Se somos mais felizes quando amamos e somos amados;
Se nos tornamos mais saudáveis num ambiente de amor;
Se as nossas competências cognitivas se apuram quando estabelecemos laços amorosos;
somos uma espécie talhada para o Amor.
Aparte crenças, religiões, filosofias e modos de viver a vida, somos biologicamente seres que precisamos de Amor para funcionar convenientemente.
O Amor não é uma mais-valia. É uma necessidade orgânica, provavelmente a razão de ser da nossa existência.
Se nos tornamos mais saudáveis num ambiente de amor;
Se as nossas competências cognitivas se apuram quando estabelecemos laços amorosos;
somos uma espécie talhada para o Amor.
Aparte crenças, religiões, filosofias e modos de viver a vida, somos biologicamente seres que precisamos de Amor para funcionar convenientemente.
O Amor não é uma mais-valia. É uma necessidade orgânica, provavelmente a razão de ser da nossa existência.
Do Princípio e do Fim
A História da Terra é a aventura da materialização do invisível. Do Verbo se fez o que os nossos olhos vêem, o que as nossas mãos tocam, o que os nossos ouvidos ouvem, os nossos narizes cheiram e as nossas bocas provam.
Mas a História da Terra pede-nos agora que abandonemos a matéria para compreendermos o invisível que sempre esteve por detrás. O que os nossos olhos não conseguem ver, o que as nossas mãos não conseguem tocar, o que nossos ouvidos não conseguem ouvir, os nossos narizes podem cheirar ou as nossas bocas provar. A História pede-nos que sejamos o que sempre fomos, desde o princípio dos tempos, desde a formação de todos os lugares. O que sempre fomos, sem tempo nem espaço, para além de toda a ilusão da matéria.
A História pede-nos que regressemos à nossa forma original. Grita-o através do vento e do chilrear dos pássaros. Transmite-o na força das marés e na água que cai do céu. Revela-o nas estrelas, inspira-o em cada um de nós através do luar, noite após noite, cada noite mais perto do fim.
A História está escrita. Não há como fugir dela. Entendê-la, no entanto, é perceber que o invisível não é o Fim. Apenas um suave regresso ao nosso Princípio.
Mas a História da Terra pede-nos agora que abandonemos a matéria para compreendermos o invisível que sempre esteve por detrás. O que os nossos olhos não conseguem ver, o que as nossas mãos não conseguem tocar, o que nossos ouvidos não conseguem ouvir, os nossos narizes podem cheirar ou as nossas bocas provar. A História pede-nos que sejamos o que sempre fomos, desde o princípio dos tempos, desde a formação de todos os lugares. O que sempre fomos, sem tempo nem espaço, para além de toda a ilusão da matéria.
A História pede-nos que regressemos à nossa forma original. Grita-o através do vento e do chilrear dos pássaros. Transmite-o na força das marés e na água que cai do céu. Revela-o nas estrelas, inspira-o em cada um de nós através do luar, noite após noite, cada noite mais perto do fim.
A História está escrita. Não há como fugir dela. Entendê-la, no entanto, é perceber que o invisível não é o Fim. Apenas um suave regresso ao nosso Princípio.
Subscrever:
Mensagens (Atom)





