30/05/14

I AM

Há dias que me abraçam e me devolvem ao que sou.

Cada gesto importa

Em 2003 conheci em Taizé um jovem da Bósnia, marcado pelos violentos confrontos que afetavam a sua comunidade. Ouvi os seus relatos impressionantes, tão longe de compreender como podiam eles ser reais, no mesmo mundo que a mim me fazia tão feliz. E ele disse-me:
- Sabes, Sara, tu só consegues sorrir assim porque não sabes o que é a guerra.

Nesse momento o meu sorriso desfez-se e senti que não tinha mais o direito de sorrir como sorria, perante o sofrimento daqueles que me cercavam.

- Não, Sara. Não te digo isto para parares de sorrir. Não pares, por favor... Enquanto sorris, ajudas-me a esquecer...

Tantas vezes nos sentimos impotentes perante aquilo que não conseguimos mudar. Mas cada gesto nosso, cada abraço que damos e cada sorriso que soltamos, pode ser quanto baste para que o mundo se torne num lugar melhor...

28/05/14

A ferida que não sara

Todos nós, uma vez que na vida, ainda que apenas em sonhos, deveríamos ser apanhados pelo fundilho das calças e pendurados num qualquer planeta lá fora. De lá, seríamos obrigados a olhar a minúscula Terra, planeta azul cada dia mais doente, onde pequenas criaturas se matam, se destroem e destroem o seu habitat em nome de poder e de riqueza.
Todos nós, uma vez na vida que fosse, deveríamos sentir-nos o Universo, e doer-nos a Terra como uma ferida que não sara.

O Livro da Vida

Olhar a nossa vida como uma história é compreender que todos aqueles que nos rodeiam têm também uma história por viver. Todos têm os seus próprios desafios por superar, as suas lutas internas e os seus obstáculos externos.
Às vezes tendemos a pensar que só a nossa história existe e todos devem contribuir para ela. Outras vezes tendemos a contribuir para todas as histórias que nos surgem o caminho, sem cuidar da nossa própria história.
Todas as histórias são válidas e têm percursos autónomos. Quando se cruzam é porque há algo para aprender e algo para ensinar. Julgar os outros é simplesmente descurar o poder do grande livro da Vida...

27/05/14

Autoconsciência coletiva

O nosso percurso individual e o nosso percurso enquanto espécie correm em paralelo. Enquanto espécie, é chegado o momento da autoconsciência coletiva (até por razões de sobrevivência). Individualmente, em que patamar nos encontramos?

"É neste sentido que não poucos cientistas (A. Goswami, D. Bohm, B. Swimme, Bateson e outros) falam do universo autoconsciente e de um propósito que é perseguido pelo conjuntos das energias em ação. Não há como negar esse percurso: das energias primordiais passamos à matéria, da matéria à complexidade, da complexidade à vida e da vida à consciência, da consciência à autoconsciência individual e da autoconsciência individual à autoconsciência coletiva, aqulo que Teilhard de Chardin chamava de noosfera pela qual nos sentimos uma mente coletiva."
(Leonardo Boff)

Do Amor

Se somos mais felizes quando amamos e somos amados;
Se nos tornamos mais saudáveis num ambiente de amor;
Se as nossas competências cognitivas se apuram quando estabelecemos laços amorosos;
somos uma espécie talhada para o Amor.
Aparte crenças, religiões, filosofias e modos de viver a vida, somos biologicamente seres que precisamos de Amor para funcionar convenientemente.
O Amor não é uma mais-valia. É uma necessidade orgânica, provavelmente a razão de ser da nossa existência.

19/05/14

Do Princípio e do Fim

A História da Terra é a aventura da materialização do invisível. Do Verbo se fez o que os nossos olhos vêem, o que as nossas mãos tocam, o que os nossos ouvidos ouvem, os nossos narizes cheiram e as nossas bocas provam.
Mas a História da Terra pede-nos agora que abandonemos a matéria para compreendermos o invisível que sempre esteve por detrás. O que os nossos olhos não conseguem ver, o que as nossas mãos não conseguem tocar, o que nossos ouvidos não conseguem ouvir, os nossos narizes podem cheirar ou as nossas bocas provar. A História pede-nos que sejamos o que sempre fomos, desde o princípio dos tempos, desde a formação de todos os lugares. O que sempre fomos, sem tempo nem espaço, para além de toda a ilusão da matéria.
A História pede-nos que regressemos à nossa forma original. Grita-o através do vento e do chilrear dos pássaros. Transmite-o na força das marés e na água que cai do céu. Revela-o nas estrelas, inspira-o em cada um de nós através do luar, noite após noite, cada noite mais perto do fim.
A História está escrita. Não há como fugir dela. Entendê-la, no entanto, é perceber que o invisível não é o Fim. Apenas um suave regresso ao nosso Princípio.