02/06/14

Música e transformação

A música é desde sempre companheira do homem. Aprendemos a escutá-la na natureza e a reproduzi-la à nossa imagem, adicionando-lhe palavras, sentimento, dinâmica, vida das mais variadas formas, espelho da nossa evolução e cultura.
Para Pitágoras, a música era um símbolo de harmonia do cosmos, e para nós, homens, um meio de alcançar o equilíbrio interno. A ciência parece hoje confirmar que a música interfere connosco de múltiplas formas. Pode condicionar-nos ou pode ser transformadora, se escolhermos aquela que nos toca de forma especial.
Escolher a banda sonora para o nosso dia-a-dia não é assim uma perca de tempo. Pode ser até quanto baste para reescrever de forma mais positiva um importante capítulo da nossa história...

01/06/14

Ser criança

Sempre que vejo uma criança brincar, pergunto-me se o verdadeiro desafio é ajudá-la a adaptar-se a este mundo ou, pelo contrário, transformar este mundo de forma a que consigamos viver nele como crianças...
Hoje sabemos que um dos segredos da felicidade é recuperar aquilo que, na infância, fazia de nós crianças felizes: a forma inocente de olhar o mundo, a capacidade de ver o lado bom das coisas, de se relacionar sem preconceitos, de viver o presente, de fugir da realidade, de criar sem limites... Contrariar na infância aquilo que um dia mais tarde pode ser a nossa bóia de salvação, é um contrassenso, um desperdício de tempo e energia.
Crescer não deveria ser deixar de ser criança. Crescer deveria ser potenciar todas as ferramentas inatas com que nascemos, adicionando-lhes responsabilidade, inteligência relacional, uma visão macro do mundo e, complementarmente (nunca exclusivamente) conhecimento sobre aquilo que nos rodeia, para que possamos perceber em que área queremos intervir e com que propósito, para o bem-comum.
Um Feliz Dia da Criança para todas as Crianças, dos 0 aos 120!

30/05/14

I AM

Há dias que me abraçam e me devolvem ao que sou.

Cada gesto importa

Em 2003 conheci em Taizé um jovem da Bósnia, marcado pelos violentos confrontos que afetavam a sua comunidade. Ouvi os seus relatos impressionantes, tão longe de compreender como podiam eles ser reais, no mesmo mundo que a mim me fazia tão feliz. E ele disse-me:
- Sabes, Sara, tu só consegues sorrir assim porque não sabes o que é a guerra.

Nesse momento o meu sorriso desfez-se e senti que não tinha mais o direito de sorrir como sorria, perante o sofrimento daqueles que me cercavam.

- Não, Sara. Não te digo isto para parares de sorrir. Não pares, por favor... Enquanto sorris, ajudas-me a esquecer...

Tantas vezes nos sentimos impotentes perante aquilo que não conseguimos mudar. Mas cada gesto nosso, cada abraço que damos e cada sorriso que soltamos, pode ser quanto baste para que o mundo se torne num lugar melhor...

28/05/14

A ferida que não sara

Todos nós, uma vez que na vida, ainda que apenas em sonhos, deveríamos ser apanhados pelo fundilho das calças e pendurados num qualquer planeta lá fora. De lá, seríamos obrigados a olhar a minúscula Terra, planeta azul cada dia mais doente, onde pequenas criaturas se matam, se destroem e destroem o seu habitat em nome de poder e de riqueza.
Todos nós, uma vez na vida que fosse, deveríamos sentir-nos o Universo, e doer-nos a Terra como uma ferida que não sara.

O Livro da Vida

Olhar a nossa vida como uma história é compreender que todos aqueles que nos rodeiam têm também uma história por viver. Todos têm os seus próprios desafios por superar, as suas lutas internas e os seus obstáculos externos.
Às vezes tendemos a pensar que só a nossa história existe e todos devem contribuir para ela. Outras vezes tendemos a contribuir para todas as histórias que nos surgem o caminho, sem cuidar da nossa própria história.
Todas as histórias são válidas e têm percursos autónomos. Quando se cruzam é porque há algo para aprender e algo para ensinar. Julgar os outros é simplesmente descurar o poder do grande livro da Vida...

27/05/14

Autoconsciência coletiva

O nosso percurso individual e o nosso percurso enquanto espécie correm em paralelo. Enquanto espécie, é chegado o momento da autoconsciência coletiva (até por razões de sobrevivência). Individualmente, em que patamar nos encontramos?

"É neste sentido que não poucos cientistas (A. Goswami, D. Bohm, B. Swimme, Bateson e outros) falam do universo autoconsciente e de um propósito que é perseguido pelo conjuntos das energias em ação. Não há como negar esse percurso: das energias primordiais passamos à matéria, da matéria à complexidade, da complexidade à vida e da vida à consciência, da consciência à autoconsciência individual e da autoconsciência individual à autoconsciência coletiva, aqulo que Teilhard de Chardin chamava de noosfera pela qual nos sentimos uma mente coletiva."
(Leonardo Boff)