Talvez a história da Humanidade seja um filme, projetado repetidas vezes, ou simplesmente existindo, imutável mas moldável, sem tempo nem espaço, apenas acontecendo sempre com o mesmo princípio e o mesmo fim, por entre milhões e biliões de anos de uma história que alguém criou.
Criou porquê? Talvez para que cada um de nós pudesse nela existir, nela ter o seu papel. Evoluir no evoluir dessa história já escrita. Às vezes desempenhando o papel de vilão, às vezes o de super-herói, às vezes simplesmente o de alguém que não sabe para que serve a vida e deseja morrer...
Experiências. Aprendizagens. Sem tempo, nem espaço. Descemos até um dos frames e simplesmente existimos.
Não que a nossa existência não tenha importância... tudo o que fazemos molda essa história. Ela não existe sem a nossa presença. Mas, mais do que entender a história, importa usufruir desta oportunidade única de fazer parte deste filme. De existir numa grande criação que nos dá a oportunidade de sermos algo material, inscrito num tempo e num espaço. De evoluir.
Que outras histórias existirão noutros universos? Quantos filmes estarão a ser projetados ao mesmo tempo? Quantos já terei percorrido eu? Tu? Cada um de nós? Quem fomos e quem seremos, aqui e lá?
Talvez nunca tenhamos a resposta, porque a vida na Terra não é suposto ser uma pergunta. É apenas uma existência...
E se a nossa vida for um sonho?
"(...) Tudo o que nós sabemos, é nada. Toda a nossa arrogância, toda a nossa pretensão de conhecimento só expressa com eloquência o tamanho do nosso 'nanismo'.
(...) Então que não criemos barreiras, empecilhos. Que não acreditemos em nossas afirmações presunçosas e que estejamos abertos, conscientes de que tudo o que nós temos hoje são símbolos, metáforas, palavras para traduzir o intraduzível... E que isso não seja só uma divagação intelectual, mas que nos encaminhe para a percepção da relatividade de cada humano que se relaciona com fragmentos do absoluto e se projeta no tempo e nos espaço. (...)
Preste atenção. Viva atento. Esteja presente. Para que você, de alguma maneira coloque o pezinho ali, na dimensão da gratidão de existir num mundo que nós pouco conhecemos, do qual quase não temos explicação... porque de alguma forma, aqui dentro, sentimos que é um grande privilégio estar aqui..."
https://www.youtube.com/watch?v=3uGAe-LCjnE
(...) Então que não criemos barreiras, empecilhos. Que não acreditemos em nossas afirmações presunçosas e que estejamos abertos, conscientes de que tudo o que nós temos hoje são símbolos, metáforas, palavras para traduzir o intraduzível... E que isso não seja só uma divagação intelectual, mas que nos encaminhe para a percepção da relatividade de cada humano que se relaciona com fragmentos do absoluto e se projeta no tempo e nos espaço. (...)
Preste atenção. Viva atento. Esteja presente. Para que você, de alguma maneira coloque o pezinho ali, na dimensão da gratidão de existir num mundo que nós pouco conhecemos, do qual quase não temos explicação... porque de alguma forma, aqui dentro, sentimos que é um grande privilégio estar aqui..."
https://www.youtube.com/watch?v=3uGAe-LCjnE
Da arte
"É curiosa esta função do cérebro-escritor. De tudo quanto em si descobre e pensa faz novelas ou poesias. Mais feliz do que os outros para quem as horas de meditação sobre si próprio são horas perdidas. Para nós, elas são ganhas. Menos nobres só."
(carta de Mário de Sá-Carneiro a Fernando Pessoa, 1913)
(carta de Mário de Sá-Carneiro a Fernando Pessoa, 1913)
Num mundo a precisar de um sentido
As vítimas da faixa de Gaza têm nome e não param de aumentar.
Podemos pensar que esta guerra não é nossa, mas a verdade é que podíamos ser nós, os nossos filhos, os nossos pais, os nossos amigos, a engrossar esta lista. Com "sorte", a ter de fugir hoje dos bombardeamentos, a deixar tudo para trás numa guerra sem sentido.
Em pleno século XXI, era da tecnologia, do virtual, continuam a existir guerras reais, que não param com o desligar de um botão. Em pleno século XXI, era da globalização, da informação ao segundo, continuamos sem conseguir travar as chacinas que acontecem ao nosso lado e passam quase em direto nas televisões das nossas salas.
Somos uma Humanidade com 7 biliões de pessoas e um passado de milhares de anos de existência (que se saiba), que continua a matar-se, a subjugar, a violentar, a destruir, a destruir-se. Fará sentido o progresso, se não conseguirmos ser uma humanidade que viva em paz, seja entre países, seja entre pessoas que habitam sob o mesmo tecto? Fará sentido o progresso, se não cuidarmos da Terra como o nosso lar, e de cada homem com um irmão? Fará sentido o progresso se não sentirmos a vida como uma dádiva preciosa, que não pode ser desperdiçada em nada que lhe roube o sentido?
Progresso terá de ser evolução, mas não pode ser apenas uma evolução tecnológica, porque se o Homem não evoluir interiormente, usará sempre essa tecnologia ao serviço dos seus instintos mais básicos, ligados à sede de poder e ao benefício pessoal. Progresso é evolução, mas essa evolução tem de começar em cada um de nós, na descoberta do nosso posicionamento perante a vida, perante o mundo e perante todos aqueles que nos rodeiam. Só assim o progresso fará sentido. Só assim a Humanidade terá razão de ser.
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GAZA
VICTIMS' NAMES AND AGES
Updated July 12, 1:35 pm:
The Gaza health ministry has confirmed the deaths of 121 Palestinians so far in the besieged strip since Israel began its relentless assault early Tuesday. Among those killed, at least 23 were aged 16 or younger.
The two youngest victims were both 18 months old. Mohammed Malakiyeh was killed along with his 27-year-old mother, and Ranim Jawde Abdel Ghafour was killed along with a member of her family in Khan Younis. The two oldest victims were 80-year-old Naifeh Farjallah, killed in an air strike on the town of Moghraqa, southwest of Gaza City, and 80-year-old Saber Sukkar, killed in an airstrike on Gaza City.
The two deadliest strikes killed eight people each: One strike Tuesday on the Hamad family home in southern Gaza, and another on Thursday on the Hajj family home in Khan Younis. Five youths were among the dead in the latter bombing.
Victims’ names and ages were compiled based on information released by the Gaza health ministry, while the circumstances of the deaths were taken from the ministry and local news sources.
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Podemos pensar que esta guerra não é nossa, mas a verdade é que podíamos ser nós, os nossos filhos, os nossos pais, os nossos amigos, a engrossar esta lista. Com "sorte", a ter de fugir hoje dos bombardeamentos, a deixar tudo para trás numa guerra sem sentido.
Em pleno século XXI, era da tecnologia, do virtual, continuam a existir guerras reais, que não param com o desligar de um botão. Em pleno século XXI, era da globalização, da informação ao segundo, continuamos sem conseguir travar as chacinas que acontecem ao nosso lado e passam quase em direto nas televisões das nossas salas.
Somos uma Humanidade com 7 biliões de pessoas e um passado de milhares de anos de existência (que se saiba), que continua a matar-se, a subjugar, a violentar, a destruir, a destruir-se. Fará sentido o progresso, se não conseguirmos ser uma humanidade que viva em paz, seja entre países, seja entre pessoas que habitam sob o mesmo tecto? Fará sentido o progresso, se não cuidarmos da Terra como o nosso lar, e de cada homem com um irmão? Fará sentido o progresso se não sentirmos a vida como uma dádiva preciosa, que não pode ser desperdiçada em nada que lhe roube o sentido?
Progresso terá de ser evolução, mas não pode ser apenas uma evolução tecnológica, porque se o Homem não evoluir interiormente, usará sempre essa tecnologia ao serviço dos seus instintos mais básicos, ligados à sede de poder e ao benefício pessoal. Progresso é evolução, mas essa evolução tem de começar em cada um de nós, na descoberta do nosso posicionamento perante a vida, perante o mundo e perante todos aqueles que nos rodeiam. Só assim o progresso fará sentido. Só assim a Humanidade terá razão de ser.
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GAZA
VICTIMS' NAMES AND AGES
Updated July 12, 1:35 pm:
The Gaza health ministry has confirmed the deaths of 121 Palestinians so far in the besieged strip since Israel began its relentless assault early Tuesday. Among those killed, at least 23 were aged 16 or younger.
The two youngest victims were both 18 months old. Mohammed Malakiyeh was killed along with his 27-year-old mother, and Ranim Jawde Abdel Ghafour was killed along with a member of her family in Khan Younis. The two oldest victims were 80-year-old Naifeh Farjallah, killed in an air strike on the town of Moghraqa, southwest of Gaza City, and 80-year-old Saber Sukkar, killed in an airstrike on Gaza City.
The two deadliest strikes killed eight people each: One strike Tuesday on the Hamad family home in southern Gaza, and another on Thursday on the Hajj family home in Khan Younis. Five youths were among the dead in the latter bombing.
Victims’ names and ages were compiled based on information released by the Gaza health ministry, while the circumstances of the deaths were taken from the ministry and local news sources.
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De um Desassossego só...
Cruzei-me com o Livro do Desassossego no primeiro ano de faculdade. Não sei como me terá ele escapado tanto tempo, mas talvez o momento seja sempre o certo.
Abri-o num autocarro vindo da Graça, li uma frase ao acaso e fechei-o. Aquela só frase chegar-me-ia para o dia inteiro. E foi assim durante as semanas que se seguiram. Uma frase por dia, uma página no máximo, e tudo o que se lhe seguiria seria comigo e com o meu próprio desassossego, nos meus cadernos por escrever, na minha vida por viver.
Passei ontem na livraria do Desassossego, no Chiado, e conheci o homem que sonhou criar um espaço para um só livro. Fê-lo primeiro em Oslo, agora na cidade do poeta que o escreveu. É um espaço sossessago de um desassossego só. E sentimo-nos por isso mesmo desassossegar sossegadamente. E isso é bom.
Obrigada, Livraria do Desassossego. Obrigada, Christian Kjelstrup.
Até sempre, Fernando Pessoa.
Abri-o num autocarro vindo da Graça, li uma frase ao acaso e fechei-o. Aquela só frase chegar-me-ia para o dia inteiro. E foi assim durante as semanas que se seguiram. Uma frase por dia, uma página no máximo, e tudo o que se lhe seguiria seria comigo e com o meu próprio desassossego, nos meus cadernos por escrever, na minha vida por viver.
Passei ontem na livraria do Desassossego, no Chiado, e conheci o homem que sonhou criar um espaço para um só livro. Fê-lo primeiro em Oslo, agora na cidade do poeta que o escreveu. É um espaço sossessago de um desassossego só. E sentimo-nos por isso mesmo desassossegar sossegadamente. E isso é bom.
Obrigada, Livraria do Desassossego. Obrigada, Christian Kjelstrup.
Até sempre, Fernando Pessoa.
Parte de um Todo
“Um ser humano é parte de um todo, chamado por nós de “o Universo”, uma parte limitada em tempo e espaço. Ele experimenta a si mesmo, seus pensamentos e sentimentos, como algo separado do resto – um tipo de ilusão ótica de sua consciência. Essa ilusão é um tipo de prisão para nós, restringindo-nos a nossos desejos pessoais e à afeição a algumas poucas pessoas mais perto de nós. Nossa tarefa deve ser a de nos libertar dessa prisão aumentando nossos círculos de compaixão para abraçar todas as criaturas vivas e a natureza em toda sua beleza”.
Albert Einstein
Albert Einstein
Da história da Humanidade
Do pouco que se sabe, até ao momento, da história da Humanidade, podemos dizer que o Homem...
... começou por "trabalhar" para o seu sustento e o sustento dos seus, protegendo os mais novos e os mais fracos.

Com a fixação à terra, as comunidades cresceram, evoluíram. Pobres e escravos, mesmo que mais novos ou mais fracos, trabalhavam para proveito das classes mais favorecidas.
E assim foi durante mais tempo, mesmo quando os escravos deixaram de ser escravos, porque os pobres continuaram a ser pobres. De vez em quando nascia o sonho de igualdade: todos tinham de trabalhar para proveito de todos. Mas, independentemente do regime que o tentava, como contrariar a sede de poder? O favorecimento? A estratificação? Os pobres continuaram a trabalhar para os mais ricos. Os países menos desenvolvidos continuaram subjugados pelos mais ricos (ou apenas esquecidos por eles). Às vezes pela guerra. Às vezes pela economia.
Em muitos países continua a lutar-se pela sobrevivência. Continua a haver escravos. Pobres, muitos pobres. Enquanto, no mundo dito desenvolvido, homens e mulheres trabalham dia e noite para produzir aquilo de que precisam mas também aquilo que era perfeitamente dispensável, consumindo desenfreadamente os recursos da Terra e criando no Homem falsas necessidades que alimentam uma economia ilusória. Uma economia que ano após ano deixa o Homem cada vez mais vazio, no seu sentido de existir. Os mais fracos deixam de interessar porque não produzem. As crianças não nascem porque não há tempo para elas.
Ao contrário de certas sociedades animais perfeitamente organizadas, o Homem ainda não encontrou o seu modelo social. Multiplica-se sem um sentido, sem responsabilidade, sem capacidade de visão. O que quer efetivamente a Humanidade para si? Que modelo a faria feliz, de uma forma global, planetária? Adaptada ao seu meio ambiente, sem o destruir?
O que pode ser isso de espécie humana e o que pode cada um de nós fazer para o alcançar? Esta deveria ser a pergunta que abriria todos os telejornais e o tema de todos os debates. Porque é nesta simples pergunta, de tão complexa resposta, que reside a esperança que resta para a Humanidade...
... começou por "trabalhar" para o seu sustento e o sustento dos seus, protegendo os mais novos e os mais fracos.

Com a fixação à terra, as comunidades cresceram, evoluíram. Pobres e escravos, mesmo que mais novos ou mais fracos, trabalhavam para proveito das classes mais favorecidas.
E assim foi durante mais tempo, mesmo quando os escravos deixaram de ser escravos, porque os pobres continuaram a ser pobres. De vez em quando nascia o sonho de igualdade: todos tinham de trabalhar para proveito de todos. Mas, independentemente do regime que o tentava, como contrariar a sede de poder? O favorecimento? A estratificação? Os pobres continuaram a trabalhar para os mais ricos. Os países menos desenvolvidos continuaram subjugados pelos mais ricos (ou apenas esquecidos por eles). Às vezes pela guerra. Às vezes pela economia.
Em muitos países continua a lutar-se pela sobrevivência. Continua a haver escravos. Pobres, muitos pobres. Enquanto, no mundo dito desenvolvido, homens e mulheres trabalham dia e noite para produzir aquilo de que precisam mas também aquilo que era perfeitamente dispensável, consumindo desenfreadamente os recursos da Terra e criando no Homem falsas necessidades que alimentam uma economia ilusória. Uma economia que ano após ano deixa o Homem cada vez mais vazio, no seu sentido de existir. Os mais fracos deixam de interessar porque não produzem. As crianças não nascem porque não há tempo para elas.
Ao contrário de certas sociedades animais perfeitamente organizadas, o Homem ainda não encontrou o seu modelo social. Multiplica-se sem um sentido, sem responsabilidade, sem capacidade de visão. O que quer efetivamente a Humanidade para si? Que modelo a faria feliz, de uma forma global, planetária? Adaptada ao seu meio ambiente, sem o destruir?
O que pode ser isso de espécie humana e o que pode cada um de nós fazer para o alcançar? Esta deveria ser a pergunta que abriria todos os telejornais e o tema de todos os debates. Porque é nesta simples pergunta, de tão complexa resposta, que reside a esperança que resta para a Humanidade...
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