"Neste cenário de todos os dias, e de um modo inteiramente inesperado (pois jamais havia sonhado com tal coisa), os meus olhos foram abertos e, pela primeira vez em toda a minha vida, tive um vislumbre da beleza extática da realidade...
(...) Não vi nenhuma coisa nova, mas vi todas as coisas habituais numa miraculosa luz nova - no que acredito ser a sua verdadeira luz. Vi pela primeira vez quão selvaticamente bela e jubilosa, para além de quaisquer palavras minhas para o descrever, é a totalidade da vida. Cada ser humano atravessando aquela varanda, cada pardal que voava, cada ramos oscilando ao vento, estava integrado e era parte do inteiro e louco êxtase de encanto, alegria, significância e embriaguez da vida.
Não que por uns poucos e excitados momentos eu imaginasse toda a existência como bela, mas, antes, a minha visão interna foi desbstruída para a verdade, de modo que vi o real encanto que está sempre aí, mas que tão raramente percepcionamos, e soube que todo o homem, mulher, ave ou árvore, toda a coisa viva diante de mim, era extravagantemente bela e extravagantemente importante. E, ao contemplar, o meu coração fundiu-se e abandonou-me num arrebatamente de amor e deleite. (...)
Uma vez, no meio de todos os cinzentos dias da minha vida, vi o coração da realidade; fui testemunha da verdade."
(in "Twenty Minutes of Reality" de Margaret Prescott Montague, 1915)
Sonhei em poema
Sonhei em poema, um poema que nunca saberia escrever, que nunca saberia dizer.
Quem mo soprou, nessa noite alada, não sei descrever.
Criatura mágica, poeta, anjo
Disse-me em segredo o que eu precisava de saber.
Em poema, para que eu nunca mais o possa esquecer...
Quem mo soprou, nessa noite alada, não sei descrever.
Criatura mágica, poeta, anjo
Disse-me em segredo o que eu precisava de saber.
Em poema, para que eu nunca mais o possa esquecer...
A criança que há em nós
https://www.youtube.com/watch?v=sM1JJmuza6o
Para ver com carinho, de olhos postos na criança que existe em nós.
Talvez não precisemos de ser um Peter Pan. Mas talvez possamos pensar como poderá a nossa vida dar-nos um gozo maior. Como desfrutar das pequenas coisas, como aproveitar este grande privilégio que é ver o sol nascer todos os dias e a chuva encher a terra de renovada vida. Rir do riso das crianças. Abraçar alguém de quem se gosta. Correr ao lado do tonto do nosso cão que nos deixa a roupa toda suja.
A criança que há em nós não é demasiado inocente, imatura ou inconsequente. A criança que há em nós sabe amar só porque sim, sabe esquecer o que não importa, sabe usufruir de cada momento como se não houvesse outro. E isso, independentemente da fórmula da felicidade que cada um de nós encontra, é meio caminho andado para tudo fazer muito mais sentido...
Para ver com carinho, de olhos postos na criança que existe em nós.
Talvez não precisemos de ser um Peter Pan. Mas talvez possamos pensar como poderá a nossa vida dar-nos um gozo maior. Como desfrutar das pequenas coisas, como aproveitar este grande privilégio que é ver o sol nascer todos os dias e a chuva encher a terra de renovada vida. Rir do riso das crianças. Abraçar alguém de quem se gosta. Correr ao lado do tonto do nosso cão que nos deixa a roupa toda suja.
A criança que há em nós não é demasiado inocente, imatura ou inconsequente. A criança que há em nós sabe amar só porque sim, sabe esquecer o que não importa, sabe usufruir de cada momento como se não houvesse outro. E isso, independentemente da fórmula da felicidade que cada um de nós encontra, é meio caminho andado para tudo fazer muito mais sentido...
Flor ou cardo
Podemos ser flor num jardim perfeito, ou cardo num campo inóspito.
Independentemente do nosso contexto, teremos sempre a oportunidade de florir...
Independentemente do nosso contexto, teremos sempre a oportunidade de florir...
Sou árvore
Quando o vento me afaga o rosto, sinto por debaixo da pele a seiva que me alimenta.
Abro os braços, como ramos que se estendem para abraçar a vida em todo o seu esplendor.
Os dedos, qual galhos irrequietos, espraiam-se em busca do céu que todo o meu corpo contempla.
E o meu corpo, que estação a estação endurece e se consolida, é tronco que suporta a quietude de um espaço e de um tempo onde ousou ser semeado.
Sou árvore, e hoje o meu corpo suporta o peso das crianças que se penduram nos meus ramos.
Sou abrigo de animais, calor ou sombra nas diferentes estações para as pequenas criaturas que em mim procuram segurança.
Sou árvore quieta, aprendendo a beleza de observar o movimento do mundo à minha volta, nas suas alegrias e tristezas, nas guerras e nos acordos de paz, nas estagnações e nas mudanças. O mundo avança, estação a estação, enquanto os meus cabelos de folhas verdes se agitam ao vento e a madeira do meu corpo é sulcada por rugas que registam em mim a história do mundo inteiro.
Já fui pássaro e corri os céus. Já fui peixe e desci às profundezas do oceano. Hoje sou árvore. Imóvel e contemplativa, sorrindo e chorando na paz profunda que me completa. E se a vida é isto, é já tudo. Até que o meu tronco seque ou seja arrancado à terra, continuarei a sorrir ao vento e a abraçar, quieta, o mundo que me viu despontar da terra.
Abro os braços, como ramos que se estendem para abraçar a vida em todo o seu esplendor.
Os dedos, qual galhos irrequietos, espraiam-se em busca do céu que todo o meu corpo contempla.
E o meu corpo, que estação a estação endurece e se consolida, é tronco que suporta a quietude de um espaço e de um tempo onde ousou ser semeado.
Sou árvore, e hoje o meu corpo suporta o peso das crianças que se penduram nos meus ramos.
Sou abrigo de animais, calor ou sombra nas diferentes estações para as pequenas criaturas que em mim procuram segurança.
Sou árvore quieta, aprendendo a beleza de observar o movimento do mundo à minha volta, nas suas alegrias e tristezas, nas guerras e nos acordos de paz, nas estagnações e nas mudanças. O mundo avança, estação a estação, enquanto os meus cabelos de folhas verdes se agitam ao vento e a madeira do meu corpo é sulcada por rugas que registam em mim a história do mundo inteiro.
Já fui pássaro e corri os céus. Já fui peixe e desci às profundezas do oceano. Hoje sou árvore. Imóvel e contemplativa, sorrindo e chorando na paz profunda que me completa. E se a vida é isto, é já tudo. Até que o meu tronco seque ou seja arrancado à terra, continuarei a sorrir ao vento e a abraçar, quieta, o mundo que me viu despontar da terra.
Do sentido da vida
Num mundo onde nos mostram tudo, interessa que não vejamos.
Num mundo onde nos ensinam tantas coisas, interessa que não vejamos para além delas.
Num mundo onde nos entopem de opiniões, interessa que não pensemos.
Num mundo tão cheio de contradições, interessa que não nos questionemos.
Num mundo onde importa somente o lucro e a rentabilidade, interessa que sejamos robots produtivos.
Num mundo onde importa somente o poder e o controlo, interessa que sejamos autómatos submissos.
Pode não ser a guerra a controlar-nos, pode não ser a violência física e a prisão, mas somos aprisionados todos os dias nas nossas dívidas, na nossa dependência energética e alimentar, controlados pelos nossos gostos, conduzidos nas nossas opiniões.
Tudo parece ser como ter de ser, e nós termos de fazer o que temos de fazer. Será? Se ser como nos dizem que tem de ser e fazer o que nos dizem que temos de fazer nos tem conduzido a um vazio, à destruição externa e interna de tudo aquilo que nos poderia dar sentido...
O modelo falhou. O mundo vive em guerra (real e económica), o planeta não durará muitos anos e a depressão alastra-se como uma epidemia incontrolável. A vida é o melhor que o Homem tem, e o Homem deseja deixar de viver. Não consegue mais dormir, não consegue mais reproduzir-se, vive ou sobrevive entre uma dependência e outra para suportar a vida. Adoece de tristeza, rebenta de stress, morre de angústia. O homem deixou de saber ser homem, mas porque deixou de conseguir ver, deixou de conseguir pensar, deixou de conseguir questionar-se, acha que ser homem é isso: é não ser nada.
O homem precisa de parar. Precisa de voltar a ver, a pensar, a questionar-se. E depois reiventar um mundo onde lhe apeteça viver. Talvez reiventando primeiro uma forma de viver no mundo, que só poderá reiventar-se na reivenção pessoal de cada um de nós...
O momento é este. A vida é esta. O que pode cada um de nós fazer para que a vida volte a ganhar sentido? O que podemos fazer por nós? O que podemos fazer por aqueles que nos rodeiam? O que podemos fazer pelo planeta inteiro que espera, ansioso, pela coragem individual de todos aqueles que o habitam?
Num mundo onde nos ensinam tantas coisas, interessa que não vejamos para além delas.
Num mundo onde nos entopem de opiniões, interessa que não pensemos.
Num mundo tão cheio de contradições, interessa que não nos questionemos.
Num mundo onde importa somente o lucro e a rentabilidade, interessa que sejamos robots produtivos.
Num mundo onde importa somente o poder e o controlo, interessa que sejamos autómatos submissos.
Pode não ser a guerra a controlar-nos, pode não ser a violência física e a prisão, mas somos aprisionados todos os dias nas nossas dívidas, na nossa dependência energética e alimentar, controlados pelos nossos gostos, conduzidos nas nossas opiniões.
Tudo parece ser como ter de ser, e nós termos de fazer o que temos de fazer. Será? Se ser como nos dizem que tem de ser e fazer o que nos dizem que temos de fazer nos tem conduzido a um vazio, à destruição externa e interna de tudo aquilo que nos poderia dar sentido...
O modelo falhou. O mundo vive em guerra (real e económica), o planeta não durará muitos anos e a depressão alastra-se como uma epidemia incontrolável. A vida é o melhor que o Homem tem, e o Homem deseja deixar de viver. Não consegue mais dormir, não consegue mais reproduzir-se, vive ou sobrevive entre uma dependência e outra para suportar a vida. Adoece de tristeza, rebenta de stress, morre de angústia. O homem deixou de saber ser homem, mas porque deixou de conseguir ver, deixou de conseguir pensar, deixou de conseguir questionar-se, acha que ser homem é isso: é não ser nada.
O homem precisa de parar. Precisa de voltar a ver, a pensar, a questionar-se. E depois reiventar um mundo onde lhe apeteça viver. Talvez reiventando primeiro uma forma de viver no mundo, que só poderá reiventar-se na reivenção pessoal de cada um de nós...
O momento é este. A vida é esta. O que pode cada um de nós fazer para que a vida volte a ganhar sentido? O que podemos fazer por nós? O que podemos fazer por aqueles que nos rodeiam? O que podemos fazer pelo planeta inteiro que espera, ansioso, pela coragem individual de todos aqueles que o habitam?
A vida como um filme
Talvez a história da Humanidade seja um filme, projetado repetidas vezes, ou simplesmente existindo, imutável mas moldável, sem tempo nem espaço, apenas acontecendo sempre com o mesmo princípio e o mesmo fim, por entre milhões e biliões de anos de uma história que alguém criou.
Criou porquê? Talvez para que cada um de nós pudesse nela existir, nela ter o seu papel. Evoluir no evoluir dessa história já escrita. Às vezes desempenhando o papel de vilão, às vezes o de super-herói, às vezes simplesmente o de alguém que não sabe para que serve a vida e deseja morrer...
Experiências. Aprendizagens. Sem tempo, nem espaço. Descemos até um dos frames e simplesmente existimos.
Não que a nossa existência não tenha importância... tudo o que fazemos molda essa história. Ela não existe sem a nossa presença. Mas, mais do que entender a história, importa usufruir desta oportunidade única de fazer parte deste filme. De existir numa grande criação que nos dá a oportunidade de sermos algo material, inscrito num tempo e num espaço. De evoluir.
Que outras histórias existirão noutros universos? Quantos filmes estarão a ser projetados ao mesmo tempo? Quantos já terei percorrido eu? Tu? Cada um de nós? Quem fomos e quem seremos, aqui e lá?
Talvez nunca tenhamos a resposta, porque a vida na Terra não é suposto ser uma pergunta. É apenas uma existência...
Criou porquê? Talvez para que cada um de nós pudesse nela existir, nela ter o seu papel. Evoluir no evoluir dessa história já escrita. Às vezes desempenhando o papel de vilão, às vezes o de super-herói, às vezes simplesmente o de alguém que não sabe para que serve a vida e deseja morrer...
Experiências. Aprendizagens. Sem tempo, nem espaço. Descemos até um dos frames e simplesmente existimos.
Não que a nossa existência não tenha importância... tudo o que fazemos molda essa história. Ela não existe sem a nossa presença. Mas, mais do que entender a história, importa usufruir desta oportunidade única de fazer parte deste filme. De existir numa grande criação que nos dá a oportunidade de sermos algo material, inscrito num tempo e num espaço. De evoluir.
Que outras histórias existirão noutros universos? Quantos filmes estarão a ser projetados ao mesmo tempo? Quantos já terei percorrido eu? Tu? Cada um de nós? Quem fomos e quem seremos, aqui e lá?
Talvez nunca tenhamos a resposta, porque a vida na Terra não é suposto ser uma pergunta. É apenas uma existência...
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