01/12/14

Existir

E às vezes existir é tão somente isto
O vento na copa das árvores, uma música a tocar
Agora e sempre a possibilidade de todas as coisas
Rir, chorar, ser, experimentar

Escrevo porque gostava de ser e fazer tudo
Vivo porque, não podendo ser e fazer tudo,
posso ainda ser o que sou e fazer o quero.
E não sabendo ainda ao certo se escrevo para ser
Ou se sou para poder escrever
Sinto a brisa a tocar-me
Sinto o toque dessa música a beijar-me
e, sem nada saber ou já querer saber, deixo-me existir.

Sim, existir há-de ser isto.
Usufruir.
28/11/14

No sonho de alguém

Numa hora de sonho viajei, amei, vi acontecimentos extraordinários e vivi experiências inenarráveis. Vivi e morri.

E a pergunta impõe-se: a quantas horas de sonho de alguém, noutra qualquer dimensão, corresponde a minha vida?
25/11/14

Feitos de Nada

O Silêncio tem um som
Assim como um Nada é um Tudo
Incapazes de Ouvir
Somos também incapazes de Ver
E só no Sentir somos Mais Além do que somos
29/10/14

Refundir a moral

Sobre a urgência de refundir a moral...

"Como somos seres sociais, não vivemos mas convivemos, precisamos da colaboração de todos para que o cuidado e a responsabilidade se tornem forças plasmadores do ser humano. Quando nossos ancestrais antropoides iam em busca de alimento, não o comiam logo como fazem, geralmente, os animais. Colhiam-no e o levavam ao grupo e cooperativa e solidariemanete comiam juntos, começando pelos mais jovens e os idosos e em seguida os demais. Foi essa cooperação que nos permitiu dar o salto da animalidade para a humanidade. O que foi verdadeiro ontem, continua sendo verdadeiro também hoje. É o que mais nos falta no mundo que se rege mais pela competição do que pela cooperação. Por isso somos insensíveis face ao sofrimento de milhões e mihões de pessoas e deixamos de cuidar e de nos responsabilizar pelo futuro comum, de nossa espécie e da vida no planeta Terra.
Importa reinventar esse consenso mínimo ao redor desses princípios e valores se quisermos garantir nossa sobrevivência e de nossa civilização."
(Leonardo Boff)

http://leonardoboff.wordpress.com/2014/10/27/a-urgencia-de-refundar-a-etica-e-a-moral/
23/10/14

Do silêncio

Calem-se!
Calem-se todos, por favor...
Deixem-me ouvir o sossego da noite
A paz do vento forte nas copas das árvores
O silêncio dos pássaros que piam na escuridão
A tranquilidade das águas que batem com força na areia da praia...
E até os lobos da montanha uivando lá longe... que silêncio me trazem!
Carros, televisão, aviões, e gente, tanta gente que não se cala só por não ter nada por dizer...

Calem-se!
Calem-se todos, por favor...
Quero a vida de volta
A das árvores, dos rios, dos pássaros, das águas e dos lobos
A de tudo o que existe no barulho natural da existência
Só porque sim!
Sem os gritos do ego
O barulho da distração
Sem esse apito ininterrupto da tentação

Calem!
Calem-se todos, por favor...
Ou a terra vos engolirá para que não gritem mais.
Do silêncio vieste, ao silêncio tornarás
Porque a paz é eterna. Só tu vens, só tu vais...
22/10/14

Do 8 e das suas metades

A metade de um 8 - cortado verticalmente - não é um 4, é um 3.

Dar apenas uma parte de nós, enfraquece-nos.
Somos um ser inteiro, com talentos e possibilidades. Se, por vergonha, medo de falhar, medo de brilhar, nos entregarmos à vida pela metade, nem uma metade seremos...

20/10/14

Do escrever

Escrevo o que sinto, não para que tu o sintas.
Escrevo-o, porque tu o sentes também.
E assim a escrita é esse palavrizar que nos une a todos, naquilo que, para além de todas as diferenças, somos comoventemente em comum...