À conversa com a minha filha de 5 anos, que olhava fixamente pela janela do carro:
- Eu acho que não quero ser nada...
- Não queres ser nada como? Quando cresceres?
- Não é isso...
- Não querias existir?
- Existir é bom. Mas eu acho que preferia ser vento...
E, como um Nocturno de Chopin, levou-me com ela até à fronteira do ser, onde habita a poesia e a metamorfose dos sonhos. Um dia, seremos também nós poemas sussurrados pelo vento. Assim alguém nos saiba ouvir e nos possa escrever...
Terra, Mar, Céu e Fogo
Quando, no aparente caos da natureza, desvendamos um sentido, não há desordem que nos vença nem derrota que nos vergue.
Somos Terra, Mar, Céu e Fogo.
Vibrando, colidindo, mas por isso mesmo existindo.
Somos Terra, Mar, Céu e Fogo.
Vibrando, colidindo, mas por isso mesmo existindo.
Portugal precisa de Cuidadores
Portugal precisa de Cuidadores.
"(...) as crianças sofrem pela ausência dos pais. Assim como há velhos que morrem de solidão…
Portugal precisa de voltar a ter Cuidadores."
http://mariacapaz.pt/cronicas/portugal-precisa-de-cuidadores-por-sara-rodi/
"(...) as crianças sofrem pela ausência dos pais. Assim como há velhos que morrem de solidão…
Portugal precisa de voltar a ter Cuidadores."
http://mariacapaz.pt/cronicas/portugal-precisa-de-cuidadores-por-sara-rodi/
Je suis Charlie
É realmente tempo de sair à rua. Parar. Pensar. Olharmo-nos uns aos outros e tentarmos perceber como é possível termos chegado até aqui. Ou nunca termos conseguido libertar o Homem da intolerância, da violência, da barbárie injustificada.
É tempo de sermos e nos sentirmos Humanidade. Não a Maria e o Manel que amanhã vai trabalhar de manhã à noite, indiferente ao que se passa em tantos cantos do mundo onde se morre à fome e à sede, onde se é raptado, violado, torturado, e morto pela mais injustificáveis razões, num mundo que não parece ser o nosso, mas que tantas vezes está na nossa própria esquina. Esse mundo existe e é o nosso. Esses Homens existem e somos todos nós. Uma mesma espécie que precisa de se repensar, de criar novos modelos de sociedade, novas formas de interação, um novo espírito de solidariedade e respeito globais.
Hoje é dia de parar para pensar. Na rua ou nas nossas casas. Nas vítimas de hoje (RIP) e nas vítimas que amanhã existirão em qualquer outra parte do mundo ou esquina do nosso bairro. Gritar dentro de nós um "Basta!". Amanhã será um novo dia e é da nossa responsabilidade (da responsabilidade de cada um de nós, sim) fazer o que estiver ao nosso alcance para transformar este mundo num lugar melhor.
Foto: É realmente tempo de sair à rua. Parar. Pensar. Olharmo-nos uns aos outros e tentarmos perceber como é possível termos chegado até aqui. Ou nunca termos conseguido libertar o Homem da intolerância, da violência, da barbárie injustificada. É tempo de sermos e nos sentirmos Humanidade. Não a Maria e o Manel que amanhã vai trabalhar de manhã à noite, indiferente ao que se passa em tantos cantos do mundo onde se morre à fome e à sede, onde se é raptado, violado, torturado, e morto pela mais injustificáveis razões, num mundo que não parece ser o nosso, mas que tantas vezes está na nossa própria esquina. Esse mundo existe e é o nosso. Esses Homens existem e somos todos nós. Uma mesma espécie que precisa de se repensar, de criar novos modelos de sociedade, novas formas de interação, um novo espírito de solidariedade e respeito globais. Hoje é dia de parar para pensar. Na rua ou nas nossas casas. Nas vítimas de hoje (RIP) e nas vítimas que amanhã existirão em qualquer outra parte do mundo ou esquina do nosso bairro. Gritar dentro de nós um "Basta!". Amanhã será um novo dia e é da nossa responsabilidade (da responsabilidade de cada um de nós, sim) fazer o que estiver ao nosso alcance para transformar este mundo num lugar melhor.
É tempo de sermos e nos sentirmos Humanidade. Não a Maria e o Manel que amanhã vai trabalhar de manhã à noite, indiferente ao que se passa em tantos cantos do mundo onde se morre à fome e à sede, onde se é raptado, violado, torturado, e morto pela mais injustificáveis razões, num mundo que não parece ser o nosso, mas que tantas vezes está na nossa própria esquina. Esse mundo existe e é o nosso. Esses Homens existem e somos todos nós. Uma mesma espécie que precisa de se repensar, de criar novos modelos de sociedade, novas formas de interação, um novo espírito de solidariedade e respeito globais.
Hoje é dia de parar para pensar. Na rua ou nas nossas casas. Nas vítimas de hoje (RIP) e nas vítimas que amanhã existirão em qualquer outra parte do mundo ou esquina do nosso bairro. Gritar dentro de nós um "Basta!". Amanhã será um novo dia e é da nossa responsabilidade (da responsabilidade de cada um de nós, sim) fazer o que estiver ao nosso alcance para transformar este mundo num lugar melhor.
Foto: É realmente tempo de sair à rua. Parar. Pensar. Olharmo-nos uns aos outros e tentarmos perceber como é possível termos chegado até aqui. Ou nunca termos conseguido libertar o Homem da intolerância, da violência, da barbárie injustificada. É tempo de sermos e nos sentirmos Humanidade. Não a Maria e o Manel que amanhã vai trabalhar de manhã à noite, indiferente ao que se passa em tantos cantos do mundo onde se morre à fome e à sede, onde se é raptado, violado, torturado, e morto pela mais injustificáveis razões, num mundo que não parece ser o nosso, mas que tantas vezes está na nossa própria esquina. Esse mundo existe e é o nosso. Esses Homens existem e somos todos nós. Uma mesma espécie que precisa de se repensar, de criar novos modelos de sociedade, novas formas de interação, um novo espírito de solidariedade e respeito globais. Hoje é dia de parar para pensar. Na rua ou nas nossas casas. Nas vítimas de hoje (RIP) e nas vítimas que amanhã existirão em qualquer outra parte do mundo ou esquina do nosso bairro. Gritar dentro de nós um "Basta!". Amanhã será um novo dia e é da nossa responsabilidade (da responsabilidade de cada um de nós, sim) fazer o que estiver ao nosso alcance para transformar este mundo num lugar melhor.
Da aceleração para o Nada
A realidade é um conjunto de informação em movimento.
Sem o natural fluxo de tudo o que existe, nada existiria.
Criados na informação, somos desde sempre seres sedentos de movimento.
E, na atitude de ganância que nos é característica, fomos pouco a pouco imprimimos no mundo a nossa urgência de movimento.
Acelerámos a vida. Acelerámos até o tempo.
E hoje experimentamos a vertiginosa experiência de uma aceleração insuportável.
No movimento, a informação torna-se realidade. Na velocidade excessiva, a informação desaparece. Podemos não ver sequer o seu rasto.
E a Humanidade corre agora o risco de se extinguir pela sua própria aceleração.
Se não travarmos esta corrida - pessoal e global - voltaremos a não ser nada. Ou talvez continuemos a ser informação. Apenas não-visível, como antes.
Quem sabe até, como é suposto ser: Do "nada" viemos, ao "nada" retornamos...
Sem o natural fluxo de tudo o que existe, nada existiria.
Criados na informação, somos desde sempre seres sedentos de movimento.
E, na atitude de ganância que nos é característica, fomos pouco a pouco imprimimos no mundo a nossa urgência de movimento.
Acelerámos a vida. Acelerámos até o tempo.
E hoje experimentamos a vertiginosa experiência de uma aceleração insuportável.
No movimento, a informação torna-se realidade. Na velocidade excessiva, a informação desaparece. Podemos não ver sequer o seu rasto.
E a Humanidade corre agora o risco de se extinguir pela sua própria aceleração.
Se não travarmos esta corrida - pessoal e global - voltaremos a não ser nada. Ou talvez continuemos a ser informação. Apenas não-visível, como antes.
Quem sabe até, como é suposto ser: Do "nada" viemos, ao "nada" retornamos...
Da Ilusão
- Pede o que quiseres, responder-te-ei nos teus sonhos.
A mensagem foi clara. Fechar os olhos e deixar-me levar. Nem sempre entendendo. Tantas vezes esquecendo. Às vezes, como hoje, percebendo.
- Quero saber o que é a vida.
Pergunta difícil, resposta impossível, pensei. Mas os sonhos levaram-me até ao cenário de uma casa onde um homem e uma mulher discutiam.
- A vida é ilusão. A vida é ilusão.
A imagem congelou. O homem e a mulher foram dela varridos. E, no cenário, um chroma feito de nada onde tudo poderia caber. Todos os cenários, todas as realidades, todas as vivências.
E acordo com a sensação de que a materialização é efetivamente uma ilusão. Uma experiência. Um filme onde fomos feitos personagens, mas personagens capazes de o moldar uma e outra vez, sempre de forma diferente, através das nossas improvisações. Sempre que mudamos, remontamos toda a história. Transformamos toda a teia numa nova teia... de ilusões.
O que é a vida?
Ilusão. Mas uma ilusão que nos permite ser o melhor de nós e fazer o melhor que soubermos pela ilusão de todos.
E um dia, quando a ilusão terminar, não haverá uma história, cenários ou personagens. Não haverá experiências. Somente aquilo que tivermos aprendido com a experiência da Ilusão.
https://www.facebook.com/video.php?v=10152876029376649&set=vb.80664086648&type=2&theater
A mensagem foi clara. Fechar os olhos e deixar-me levar. Nem sempre entendendo. Tantas vezes esquecendo. Às vezes, como hoje, percebendo.
- Quero saber o que é a vida.
Pergunta difícil, resposta impossível, pensei. Mas os sonhos levaram-me até ao cenário de uma casa onde um homem e uma mulher discutiam.
- A vida é ilusão. A vida é ilusão.
A imagem congelou. O homem e a mulher foram dela varridos. E, no cenário, um chroma feito de nada onde tudo poderia caber. Todos os cenários, todas as realidades, todas as vivências.
E acordo com a sensação de que a materialização é efetivamente uma ilusão. Uma experiência. Um filme onde fomos feitos personagens, mas personagens capazes de o moldar uma e outra vez, sempre de forma diferente, através das nossas improvisações. Sempre que mudamos, remontamos toda a história. Transformamos toda a teia numa nova teia... de ilusões.
O que é a vida?
Ilusão. Mas uma ilusão que nos permite ser o melhor de nós e fazer o melhor que soubermos pela ilusão de todos.
E um dia, quando a ilusão terminar, não haverá uma história, cenários ou personagens. Não haverá experiências. Somente aquilo que tivermos aprendido com a experiência da Ilusão.
https://www.facebook.com/video.php?v=10152876029376649&set=vb.80664086648&type=2&theater
Existir
E às vezes existir é tão somente isto
O vento na copa das árvores, uma música a tocar
Agora e sempre a possibilidade de todas as coisas
Rir, chorar, ser, experimentar
Escrevo porque gostava de ser e fazer tudo
Vivo porque, não podendo ser e fazer tudo,
posso ainda ser o que sou e fazer o quero.
E não sabendo ainda ao certo se escrevo para ser
Ou se sou para poder escrever
Sinto a brisa a tocar-me
Sinto o toque dessa música a beijar-me
e, sem nada saber ou já querer saber, deixo-me existir.
Sim, existir há-de ser isto.
Usufruir.
O vento na copa das árvores, uma música a tocar
Agora e sempre a possibilidade de todas as coisas
Rir, chorar, ser, experimentar
Escrevo porque gostava de ser e fazer tudo
Vivo porque, não podendo ser e fazer tudo,
posso ainda ser o que sou e fazer o quero.
E não sabendo ainda ao certo se escrevo para ser
Ou se sou para poder escrever
Sinto a brisa a tocar-me
Sinto o toque dessa música a beijar-me
e, sem nada saber ou já querer saber, deixo-me existir.
Sim, existir há-de ser isto.
Usufruir.
No sonho de alguém
Numa hora de sonho viajei, amei, vi acontecimentos extraordinários e vivi experiências inenarráveis. Vivi e morri.
E a pergunta impõe-se: a quantas horas de sonho de alguém, noutra qualquer dimensão, corresponde a minha vida?
E a pergunta impõe-se: a quantas horas de sonho de alguém, noutra qualquer dimensão, corresponde a minha vida?
Feitos de Nada
O Silêncio tem um som
Assim como um Nada é um Tudo
Incapazes de Ouvir
Somos também incapazes de Ver
E só no Sentir somos Mais Além do que somos
Assim como um Nada é um Tudo
Incapazes de Ouvir
Somos também incapazes de Ver
E só no Sentir somos Mais Além do que somos
Refundir a moral
Sobre a urgência de refundir a moral...
"Como somos seres sociais, não vivemos mas convivemos, precisamos da colaboração de todos para que o cuidado e a responsabilidade se tornem forças plasmadores do ser humano. Quando nossos ancestrais antropoides iam em busca de alimento, não o comiam logo como fazem, geralmente, os animais. Colhiam-no e o levavam ao grupo e cooperativa e solidariemanete comiam juntos, começando pelos mais jovens e os idosos e em seguida os demais. Foi essa cooperação que nos permitiu dar o salto da animalidade para a humanidade. O que foi verdadeiro ontem, continua sendo verdadeiro também hoje. É o que mais nos falta no mundo que se rege mais pela competição do que pela cooperação. Por isso somos insensíveis face ao sofrimento de milhões e mihões de pessoas e deixamos de cuidar e de nos responsabilizar pelo futuro comum, de nossa espécie e da vida no planeta Terra.
Importa reinventar esse consenso mínimo ao redor desses princípios e valores se quisermos garantir nossa sobrevivência e de nossa civilização."
(Leonardo Boff)
http://leonardoboff.wordpress.com/2014/10/27/a-urgencia-de-refundar-a-etica-e-a-moral/
"Como somos seres sociais, não vivemos mas convivemos, precisamos da colaboração de todos para que o cuidado e a responsabilidade se tornem forças plasmadores do ser humano. Quando nossos ancestrais antropoides iam em busca de alimento, não o comiam logo como fazem, geralmente, os animais. Colhiam-no e o levavam ao grupo e cooperativa e solidariemanete comiam juntos, começando pelos mais jovens e os idosos e em seguida os demais. Foi essa cooperação que nos permitiu dar o salto da animalidade para a humanidade. O que foi verdadeiro ontem, continua sendo verdadeiro também hoje. É o que mais nos falta no mundo que se rege mais pela competição do que pela cooperação. Por isso somos insensíveis face ao sofrimento de milhões e mihões de pessoas e deixamos de cuidar e de nos responsabilizar pelo futuro comum, de nossa espécie e da vida no planeta Terra.
Importa reinventar esse consenso mínimo ao redor desses princípios e valores se quisermos garantir nossa sobrevivência e de nossa civilização."
(Leonardo Boff)
http://leonardoboff.wordpress.com/2014/10/27/a-urgencia-de-refundar-a-etica-e-a-moral/
Do silêncio
Calem-se!
Calem-se todos, por favor...
Deixem-me ouvir o sossego da noite
A paz do vento forte nas copas das árvores
O silêncio dos pássaros que piam na escuridão
A tranquilidade das águas que batem com força na areia da praia...
E até os lobos da montanha uivando lá longe... que silêncio me trazem!
Carros, televisão, aviões, e gente, tanta gente que não se cala só por não ter nada por dizer...
Calem-se!
Calem-se todos, por favor...
Quero a vida de volta
A das árvores, dos rios, dos pássaros, das águas e dos lobos
A de tudo o que existe no barulho natural da existência
Só porque sim!
Sem os gritos do ego
O barulho da distração
Sem esse apito ininterrupto da tentação
Calem!
Calem-se todos, por favor...
Ou a terra vos engolirá para que não gritem mais.
Do silêncio vieste, ao silêncio tornarás
Porque a paz é eterna. Só tu vens, só tu vais...
Calem-se todos, por favor...
Deixem-me ouvir o sossego da noite
A paz do vento forte nas copas das árvores
O silêncio dos pássaros que piam na escuridão
A tranquilidade das águas que batem com força na areia da praia...
E até os lobos da montanha uivando lá longe... que silêncio me trazem!
Carros, televisão, aviões, e gente, tanta gente que não se cala só por não ter nada por dizer...
Calem-se!
Calem-se todos, por favor...
Quero a vida de volta
A das árvores, dos rios, dos pássaros, das águas e dos lobos
A de tudo o que existe no barulho natural da existência
Só porque sim!
Sem os gritos do ego
O barulho da distração
Sem esse apito ininterrupto da tentação
Calem!
Calem-se todos, por favor...
Ou a terra vos engolirá para que não gritem mais.
Do silêncio vieste, ao silêncio tornarás
Porque a paz é eterna. Só tu vens, só tu vais...
Do 8 e das suas metades
A metade de um 8 - cortado verticalmente - não é um 4, é um 3.
Dar apenas uma parte de nós, enfraquece-nos.
Somos um ser inteiro, com talentos e possibilidades. Se, por vergonha, medo de falhar, medo de brilhar, nos entregarmos à vida pela metade, nem uma metade seremos...
Dar apenas uma parte de nós, enfraquece-nos.
Somos um ser inteiro, com talentos e possibilidades. Se, por vergonha, medo de falhar, medo de brilhar, nos entregarmos à vida pela metade, nem uma metade seremos...
Do escrever
Escrevo o que sinto, não para que tu o sintas.
Escrevo-o, porque tu o sentes também.
E assim a escrita é esse palavrizar que nos une a todos, naquilo que, para além de todas as diferenças, somos comoventemente em comum...
Escrevo-o, porque tu o sentes também.
E assim a escrita é esse palavrizar que nos une a todos, naquilo que, para além de todas as diferenças, somos comoventemente em comum...
Gatos, vocês o que são?
Onde quer que eu escreva, sempre por perto, a velarem-me as palavras...
Abro-lhes a janela e grito "vão"! Quantos telhados por galgar, quantas aventuras por descobrir...
Mas ficam, quais poetas do sono, embalados nas aventuras da minha imaginação.
Um dia, deixo-vos as palavras e fujo eu para o telhado. Ou então adormeço aos vossos pés, enquanto vos oiço, teclando aqui e ali, experimentar vidas, desfiar a emoção.
Gatos... agora a sério... Vocês o que são?
Abro-lhes a janela e grito "vão"! Quantos telhados por galgar, quantas aventuras por descobrir...
Mas ficam, quais poetas do sono, embalados nas aventuras da minha imaginação.
Um dia, deixo-vos as palavras e fujo eu para o telhado. Ou então adormeço aos vossos pés, enquanto vos oiço, teclando aqui e ali, experimentar vidas, desfiar a emoção.
Gatos... agora a sério... Vocês o que são?
Do antropocentrismo
O antropocentrismo desmistifica-se à medida que conhecemos as nossas barreiras temporais e geográficas.
Se o universo existisse para servir o Homem, porque teria ele nascido há 13,7 mil milhões de anos, se o Homem apareceu apenas há 1,8 milhões?
E para quê um universo tão grande, para uma espécie que apenas sabia, na sua génese, caminhar sobre a Terra?
A Terra e todas as suas criaturas, o Universo e todas as suas criaturas, não existem apenas para satisfazer as necessidades do Homem. Pelo contrário, quanto mais o Homem se sentir parte do Todo, na humildade da sua existência, mais próximo se sentirá do verdadeiro propósito de Viver.
Se o universo existisse para servir o Homem, porque teria ele nascido há 13,7 mil milhões de anos, se o Homem apareceu apenas há 1,8 milhões?
E para quê um universo tão grande, para uma espécie que apenas sabia, na sua génese, caminhar sobre a Terra?
A Terra e todas as suas criaturas, o Universo e todas as suas criaturas, não existem apenas para satisfazer as necessidades do Homem. Pelo contrário, quanto mais o Homem se sentir parte do Todo, na humildade da sua existência, mais próximo se sentirá do verdadeiro propósito de Viver.
Como irmãos
"Rabi Pinchas perguntou aos seus discípulos como é que se reconhece o momento em que acaba a noite e começa o dia: "É o momento em que há luz suficiente para distinguir um cão de um carneiro?", perguntou um dos discípulos. "Não, respondeu o rabi". "É o momento em que conseguimos distinguir uma tamareira de uma figueira?", perguntou o segundo. "Não, também não é esse momento", replicou o rabi. "Então é, quando chega a manhã?", perguntaram os discípulos. "É no momento em que olhamos para o rosto de qualquer pessoa e a reconhecemos como nosso irmão ou irmã", replicou o rabi Pinchas. E concluiu: "Enquanto não o conseguirmos, continua a ser noite".
In A noite do confessor, Tomas Halik
In A noite do confessor, Tomas Halik
Carta de uma Célula
Querido ser,
Quem te fala é talvez a parte mais ínfima de ti, aquela que, de tão minúscula, tantas vezes esqueces, preocupado que estás com tudo aquilo que existe fora de ti. Mas eu sou tu e tu és eu. Desde o princípio de tudo, quando o nada deu lugar à matéria, e esse tudo se foi desfiando, como um gigantesco novelo de lã.
Memória desse tempo não tenho. Sou como tu: de tanto ter nascido e morrido, esqueço-me daquilo que aqui me trouxe. E nasço sempre como se fosse a primeira vez. Fundo-me, multiplico-me, estico, cresço, vivo e morro. Tu não pensas em mim como eu não penso em ti. Simplesmente deixo-me acontecer.
Mas hoje, querido ser, porque te lembraste de mim, eu lembrei-me de ti e lembrei-me de tudo. Porque há sempre um momento, no nosso percurso, em que precisamos de recordar o que somos e porque fazemos o que fazemos, vida após vida. É nesse singelo momento que tomamos consciência de tudo, do que já fomos, do que somos e do que temos para ser. Percebemos que somos insignificantes para o Todo, mas que essa insignificância é absolutamente significativa, para cada um de nós.
Hoje, quando olhaste para mim, eu estava a brincar com as minhas irmãs, com a alegria e a inocência que tu também tens dentro de ti (não te esqueças que tu és eu e eu sou tu). Rodopiámos umas com as outras, abraçámo-nos, mergulhámos e viemos ao de cima. Ouvias as nossas gargalhadas? As nossas gargalhadas são as tuas. Nós gargalhamos dentro de ti quando tu estás bem, repousado, feliz, em sintonia com o melhor de ti mesmo e o melhor de tudo aquilo que existe à tua volta.
Mas tu nem sempre és assim, lembras-te? Não te culpes, não fiques triste. Toma apenas consciência daquilo que és e daquilo que fazes. Sabes que sempre que te agrides, com palavras e ações, nós sofremos contigo. Imagina que estás serenamente a dar um mergulho na praia e de repente a terra à tua volta começa a agitar-se. Não sabes por que razão decidiu a Terra tremer, não sabes o que fazer, não sabes como pará-lo. E as águas onde te moves começam também a agitar-se violentamente. És arrastado por ondas gigantes e, à tua volta, assistes à morte e à destruição de tudo o que podia ser belo e harmonioso. Revoltas-te e perguntas porquê. Mas não há forma de voltar atrás. Apenas podes reconstruir-te nessas perdas, viveres tudo de novo, procurares outra vez a beleza e a harmonia que perdeste.
Assim vivo eu e as minhas irmãs dentro de ti. Na paz de tudo o que existe, até que decides agitar-te, provocar um terramoto ou deixar-te afetar por ele. É certo que às vezes não terás como evitá-lo. Às vezes estás apenas a ser vítima dos terramotos dos outros. Mas preciso que entendas que, sempre que te agitas, nós sofremos as consequências disso. A beleza e a harmonia de tudo aquilo que vivemos dentro de ti é quebrada. À minha volta, assisto à nossa destruição, que é também a tua destruição. Vejo as minhas irmãs a adoecerem e a morrerem, perguntando-se porquê. E eu pergunto-me porquê também. Por que tantas vezes te tentas destruir por dentro, com aquilo que comes, aquilo que consomes, a forma como vives, a forma como lidas com os outros, como geres os teus sentimentos e lidas com as tuas ações e as dos outros também.
Nós somos a tua vida, nós queremos dar-te vida, querido ser, mas quando nos destróis, é possível que não te consigamos salvar. E nós tentamos – como tentamos! Como uma guerra, dizemos umas às outras que temos de lutar por ti. Unimo-nos, esforçamo-nos. Mas sabes que às vezes as guerras cansam e o entusiasmo esmorece. Às vezes as minhas irmãs perdem as forças e desistem de lutar. Desertam. Ou simplesmente deixam-se morrer, e a morte alastra-se como uma praga. Deixamos de ter forma de lutar e morremos todas contigo.
Outras vezes, cansadas de lutar, algumas das minhas irmãs revoltam-se. Fazem de tudo para te chamar a atenção. Atacam-te aqui e ali, manifestam-se, provocam-te dor e sofrimento. Gritam-te que pares, mas tu nem sempre consegues entender. Não paras para nos ouvir. Queixas-te ao mundo do que se passa dentro de ti, quando nós suplicamos, cá dentro, que nos ajudes a salvar-te. Que mudes o que tens de mudar, para continuarmos a ser o que sempre fomos, o que tanto podemos vir a ser.
Claro que um dia morrerás e nós morreremos contigo. Existimos para isso mesmo, para nos renovarmos a cada dia, em cada vida. Mas nós trabalhamos com alegria para que tu possas experimentar todas as alegrias da existência. Para que tu possas rir, brincar a abraçar o mundo como nós te abraçamos, dentro de ti. Não podemos evitar a morte, a tua e a nossa contigo. Mas podemos dar sentido a cada dia da nossa existência. Usufruindo em pleno dessa grande alegria que é viver cada momento.
Por isso te peço, querido ser, cuida de nós o melhor que puderes, para que nós te possamos ajudar a seres quem tu podes ser. Escuta-nos, dialoga connosco e protege-nos das agressões que puderes, para que nós possamos também proteger-te daquelas que não puderes evitar.
A sempre tua,
Célula
Quem te fala é talvez a parte mais ínfima de ti, aquela que, de tão minúscula, tantas vezes esqueces, preocupado que estás com tudo aquilo que existe fora de ti. Mas eu sou tu e tu és eu. Desde o princípio de tudo, quando o nada deu lugar à matéria, e esse tudo se foi desfiando, como um gigantesco novelo de lã.
Memória desse tempo não tenho. Sou como tu: de tanto ter nascido e morrido, esqueço-me daquilo que aqui me trouxe. E nasço sempre como se fosse a primeira vez. Fundo-me, multiplico-me, estico, cresço, vivo e morro. Tu não pensas em mim como eu não penso em ti. Simplesmente deixo-me acontecer.
Mas hoje, querido ser, porque te lembraste de mim, eu lembrei-me de ti e lembrei-me de tudo. Porque há sempre um momento, no nosso percurso, em que precisamos de recordar o que somos e porque fazemos o que fazemos, vida após vida. É nesse singelo momento que tomamos consciência de tudo, do que já fomos, do que somos e do que temos para ser. Percebemos que somos insignificantes para o Todo, mas que essa insignificância é absolutamente significativa, para cada um de nós.
Hoje, quando olhaste para mim, eu estava a brincar com as minhas irmãs, com a alegria e a inocência que tu também tens dentro de ti (não te esqueças que tu és eu e eu sou tu). Rodopiámos umas com as outras, abraçámo-nos, mergulhámos e viemos ao de cima. Ouvias as nossas gargalhadas? As nossas gargalhadas são as tuas. Nós gargalhamos dentro de ti quando tu estás bem, repousado, feliz, em sintonia com o melhor de ti mesmo e o melhor de tudo aquilo que existe à tua volta.
Mas tu nem sempre és assim, lembras-te? Não te culpes, não fiques triste. Toma apenas consciência daquilo que és e daquilo que fazes. Sabes que sempre que te agrides, com palavras e ações, nós sofremos contigo. Imagina que estás serenamente a dar um mergulho na praia e de repente a terra à tua volta começa a agitar-se. Não sabes por que razão decidiu a Terra tremer, não sabes o que fazer, não sabes como pará-lo. E as águas onde te moves começam também a agitar-se violentamente. És arrastado por ondas gigantes e, à tua volta, assistes à morte e à destruição de tudo o que podia ser belo e harmonioso. Revoltas-te e perguntas porquê. Mas não há forma de voltar atrás. Apenas podes reconstruir-te nessas perdas, viveres tudo de novo, procurares outra vez a beleza e a harmonia que perdeste.
Assim vivo eu e as minhas irmãs dentro de ti. Na paz de tudo o que existe, até que decides agitar-te, provocar um terramoto ou deixar-te afetar por ele. É certo que às vezes não terás como evitá-lo. Às vezes estás apenas a ser vítima dos terramotos dos outros. Mas preciso que entendas que, sempre que te agitas, nós sofremos as consequências disso. A beleza e a harmonia de tudo aquilo que vivemos dentro de ti é quebrada. À minha volta, assisto à nossa destruição, que é também a tua destruição. Vejo as minhas irmãs a adoecerem e a morrerem, perguntando-se porquê. E eu pergunto-me porquê também. Por que tantas vezes te tentas destruir por dentro, com aquilo que comes, aquilo que consomes, a forma como vives, a forma como lidas com os outros, como geres os teus sentimentos e lidas com as tuas ações e as dos outros também.
Nós somos a tua vida, nós queremos dar-te vida, querido ser, mas quando nos destróis, é possível que não te consigamos salvar. E nós tentamos – como tentamos! Como uma guerra, dizemos umas às outras que temos de lutar por ti. Unimo-nos, esforçamo-nos. Mas sabes que às vezes as guerras cansam e o entusiasmo esmorece. Às vezes as minhas irmãs perdem as forças e desistem de lutar. Desertam. Ou simplesmente deixam-se morrer, e a morte alastra-se como uma praga. Deixamos de ter forma de lutar e morremos todas contigo.
Outras vezes, cansadas de lutar, algumas das minhas irmãs revoltam-se. Fazem de tudo para te chamar a atenção. Atacam-te aqui e ali, manifestam-se, provocam-te dor e sofrimento. Gritam-te que pares, mas tu nem sempre consegues entender. Não paras para nos ouvir. Queixas-te ao mundo do que se passa dentro de ti, quando nós suplicamos, cá dentro, que nos ajudes a salvar-te. Que mudes o que tens de mudar, para continuarmos a ser o que sempre fomos, o que tanto podemos vir a ser.
Claro que um dia morrerás e nós morreremos contigo. Existimos para isso mesmo, para nos renovarmos a cada dia, em cada vida. Mas nós trabalhamos com alegria para que tu possas experimentar todas as alegrias da existência. Para que tu possas rir, brincar a abraçar o mundo como nós te abraçamos, dentro de ti. Não podemos evitar a morte, a tua e a nossa contigo. Mas podemos dar sentido a cada dia da nossa existência. Usufruindo em pleno dessa grande alegria que é viver cada momento.
Por isso te peço, querido ser, cuida de nós o melhor que puderes, para que nós te possamos ajudar a seres quem tu podes ser. Escuta-nos, dialoga connosco e protege-nos das agressões que puderes, para que nós possamos também proteger-te daquelas que não puderes evitar.
A sempre tua,
Célula
Da educação
"Toda a educação só tem um fim, que é o de preparar-nos para a vida. A existência de todos nós se caracteriza por relações com nossos semelhantes e quanto mais culto é o homem, mais apto deveria estar para conciliar sua vida à daqueles que o cercam. O povo de Natal, infelizmente, acreditava que o importante eram as coisas de ordem prática, a habilidade de fazer uma operação aritmética ou escrever uma sentença, sendo o mundo das humanidades relegado à condição de um sentimentalismo piegas."
W.H.Nicholas, professor de latim de Fernando Pessoa em Durban, no seu discurso de despedida da escola onde leccionou durante 30 anos.
W.H.Nicholas, professor de latim de Fernando Pessoa em Durban, no seu discurso de despedida da escola onde leccionou durante 30 anos.
Da música e da transcendência
Entendendo o ato criativo como uma antena que capta diferentes olhares sobre a vida e sobre o mundo, poderemos dizer que existe uma “orientação” perfeita, a que se sintonizaria com a Verdade Sagrada, nas suas mais diversas formas de expressão. Talvez nunca o artista o consiga completamente porque, como qualquer homem, vive uma experiência de aproximação, de tentativa e erro, de evolução. Mas a arte é essencialmente essa busca, e a música, em particular, essa tentativa de perfeição e harmonia com o mais sagrado que há em nós. E, nessa dimensão, deveria ser encarada sempre por uma possível e válida contribuição para a construção de um mundo melhor. Como costumo dizer, se um dia alguém colocasse no espaço um altifalante gigante que permitisse a toda a Humanidade escutar a mesma música, em simultâneo, talvez nesse singular momento entendêssemos finalmente que somos todos Um, uma mesma espécie tocada pela mesma capacidade de Êxtase e Transcendência. Uma mesma espécie que poderia e deveria buscar em conjunto o melhor que tem para dar.
E um Feliz Dia da Música!
E um Feliz Dia da Música!
Regresso a mim
"Regresso a mim. Alguns anos andei viajando a colher maneiras-de-sentir. Agora tendo visto tudo e sentido tudo, tenho o dever de me fechar em casa no meu espírito e trabalhar, quanto possa e em tudo quanto possa, para o progresso da civilização e o alargamento da consciência da humanidade. Oxalá me não desvie isto o meu perigoso feitio demasiado unilateral, adaptável a tudo, sempre alheio a si próprio e sem nexo dentro de si."
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
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