08/03/15

Dia da Mulher

Dia para pensar sobre as Mulheres da Minha Vida. Aquelas que me deram nomes, a cor dos olhos, a perna fina, a teimosia e a alegria de viver. As que não tive oportunidade de conhecer e as que tomaram conta de mim. A que me deu um Pai, a que me deu uma Mãe, a que com todo o amor me trouxe à vida e a que cresceu comigo, partilhando casa, pais e afetos. As minhas queridas sobrinhas e aquela que saiu de dentro de mim, herdeira de tantas coisas que o tempo não conseguiu apagar. A que me deu um Marido. E todas aquelas que, antes dele, o carregaram também de formas e feitios que hoje se espelham nos meus filhos. As Tias. As Primas. As Professoras. As Amigas. As colegas. Mulheres ricas, pobres, magras, gordas, feias e bonitas, simpáticas e com mau feitio. A todas elas o meu Obrigada. Viemos ao mundo carregando o mesmo sexo, que fez parte de nós, das nossas lutas e das nossas entregas. E depois de nós outras virão. Com maior ou menor liberdade para serem o que quiserem, e se afirmarem em todo o seu esplendor, depende também de nós...
Feliz Dia da Mulher!

27/02/15

Do Pássaro que me cativou

Podia ser só um pássaro que eu observava da minha janela todos os dias. Um pássaro no céu, como tantos outros. E eu alguém que o olhava de uma janela, como tanta gente.
Mas algo naquele pássaro me cativou. Era um pássaro agitado que batia furiosamente as suas asas. Depois, deixava-se escorregar pelo vento, cansado, para logo voltar ao seu ponto inicial e retomar o bater das asas, sem parar.
“De que lhe servem as asas se não percorre o céu?”, perguntei-me. “Porque se esforça tanto, se não sai do mesmo lugar?”.
Só então percebi porque me cativara aquele pássaro. É que aquele pássaro era eu, esbracejando sem sair da cadeira, indo e regressando aos mesmos erros, arriscando mas temendo, sonhando mas desistindo. O horizonte estava além e eu estava ali. O sol chamava-me todas as manhãs para um abraço fecundo e eu fechava-lhe a cortina.
Levantei-me da cadeira, abri as janelas e gritei-lhe: “Força, Pássaro! Avança sem medo! Tens asas… não desperdices o céu!”
E quase posso jurar que o ouvi gritar-me de volta: “Salta da cadeira, Humana! Vem cá para fora. Tens pernas… não desperdices a vida!”

24/02/15

Da Poesia que somos

À conversa com a minha filha de 5 anos, que olhava fixamente pela janela do carro:

- Eu acho que não quero ser nada...
- Não queres ser nada como? Quando cresceres?
- Não é isso...
- Não querias existir?
- Existir é bom. Mas eu acho que preferia ser vento...

E, como um Nocturno de Chopin, levou-me com ela até à fronteira do ser, onde habita a poesia e a metamorfose dos sonhos. Um dia, seremos também nós poemas sussurrados pelo vento. Assim alguém nos saiba ouvir e nos possa escrever...
31/01/15

Terra, Mar, Céu e Fogo

Quando, no aparente caos da natureza, desvendamos um sentido, não há desordem que nos vença nem derrota que nos vergue.
Somos Terra, Mar, Céu e Fogo.
Vibrando, colidindo, mas por isso mesmo existindo.

Portugal precisa de Cuidadores

Portugal precisa de Cuidadores.

"(...) as crianças sofrem pela ausência dos pais. Assim como há velhos que morrem de solidão…
Portugal precisa de voltar a ter Cuidadores."

http://mariacapaz.pt/cronicas/portugal-precisa-de-cuidadores-por-sara-rodi/


08/01/15

Je suis Charlie

É realmente tempo de sair à rua. Parar. Pensar. Olharmo-nos uns aos outros e tentarmos perceber como é possível termos chegado até aqui. Ou nunca termos conseguido libertar o Homem da intolerância, da violência, da barbárie injustificada.
É tempo de sermos e nos sentirmos Humanidade. Não a Maria e o Manel que amanhã vai trabalhar de manhã à noite, indiferente ao que se passa em tantos cantos do mundo onde se morre à fome e à sede, onde se é raptado, violado, torturado, e morto pela mais injustificáveis razões, num mundo que não parece ser o nosso, mas que tantas vezes está na nossa própria esquina. Esse mundo existe e é o nosso. Esses Homens existem e somos todos nós. Uma mesma espécie que precisa de se repensar, de criar novos modelos de sociedade, novas formas de interação, um novo espírito de solidariedade e respeito globais.
Hoje é dia de parar para pensar. Na rua ou nas nossas casas. Nas vítimas de hoje (RIP) e nas vítimas que amanhã existirão em qualquer outra parte do mundo ou esquina do nosso bairro. Gritar dentro de nós um "Basta!". Amanhã será um novo dia e é da nossa responsabilidade (da responsabilidade de cada um de nós, sim) fazer o que estiver ao nosso alcance para transformar este mundo num lugar melhor.
Foto: É realmente tempo de sair à rua. Parar. Pensar. Olharmo-nos uns aos outros e tentarmos perceber como é possível termos chegado até aqui. Ou nunca termos conseguido libertar o Homem da intolerância, da violência, da barbárie injustificada. É tempo de sermos e nos sentirmos Humanidade. Não a Maria e o Manel que amanhã vai trabalhar de manhã à noite, indiferente ao que se passa em tantos cantos do mundo onde se morre à fome e à sede, onde se é raptado, violado, torturado, e morto pela mais injustificáveis razões, num mundo que não parece ser o nosso, mas que tantas vezes está na nossa própria esquina. Esse mundo existe e é o nosso. Esses Homens existem e somos todos nós. Uma mesma espécie que precisa de se repensar, de criar novos modelos de sociedade, novas formas de interação, um novo espírito de solidariedade e respeito globais. Hoje é dia de parar para pensar. Na rua ou nas nossas casas. Nas vítimas de hoje (RIP) e nas vítimas que amanhã existirão em qualquer outra parte do mundo ou esquina do nosso bairro. Gritar dentro de nós um "Basta!". Amanhã será um novo dia e é da nossa responsabilidade (da responsabilidade de cada um de nós, sim) fazer o que estiver ao nosso alcance para transformar este mundo num lugar melhor.

01/01/15

Da aceleração para o Nada

A realidade é um conjunto de informação em movimento.
Sem o natural fluxo de tudo o que existe, nada existiria.


Criados na informação, somos desde sempre seres sedentos de movimento.
E, na atitude de ganância que nos é característica, fomos pouco a pouco imprimimos no mundo a nossa urgência de movimento.
Acelerámos a vida. Acelerámos até o tempo.

E hoje experimentamos a vertiginosa experiência de uma aceleração insuportável.
No movimento, a informação torna-se realidade. Na velocidade excessiva, a informação desaparece. Podemos não ver sequer o seu rasto.
E a Humanidade corre agora o risco de se extinguir pela sua própria aceleração.
Se não travarmos esta corrida - pessoal e global - voltaremos a não ser nada. Ou talvez continuemos a ser informação. Apenas não-visível, como antes.
Quem sabe até, como é suposto ser: Do "nada" viemos, ao "nada" retornamos...