20/03/15

Do Nada e do Tudo Perfeito-Imperfeito que Somos

Sinto em mim o odor da terra. O canto dos pássaros. O brotar das sementes.
Sou gota das chuva de Março. Sou vento morno. Bafo.
E sou Terra. Terra que gira, que sente, que dança em torno do Sol que a ilumina, de mãos dadas com a Lua. Dia, Noite, Chuva, Frio, Calor, Odor, Amor. Sou Terra que ama o que dela nasce e todas as criaturas que dela vivem. Até as criaturas que a destroem, sem entender que não são nada sem ela. Sem mim.
Sou Terra que ama também o que, fora de mim, continuará a existir, mesmo que um dia eu definhe. Sou Terra que ama o movimento dos planetas, a sintonia das galáxias, e toda a perfeição do universo a que pertenço. Quantos universos, fora deste, existirão? Quantas dimensões paralelas e tantas outras coisas que desconheço? E, nos meus 510 milhões de Km2, sinto-me uma pequena gota num poderoso oceano.
Depois volto a mim. 50 kgs de gente. E penso que nada de nada justifica o mal que se faz pela importância que se dá a tudo aquilo que, na verdade, não tem importância alguma. A experiência da Vida é este existir. Este sentir. Este usufruir. Abraçando cada canto desta Terra e Amando cada uma das criaturas que habita connosco este minúsculo cantinho do Universo.
Não sendo eu nada, creio ser esta a única forma de ser tudo aquilo que importa...
"Sinto em mim o odor da terra. O canto dos pássaros. O brotar das sementes. Sou gota das chuva de Março. Sou vento morno. Bafo. E sou Terra. Terra que gira, que sente, que dança em torno do Sol que a ilumina, de mãos dadas com a Lua. Dia, Noite, Chuva, Frio, Calor, Odor, Amor. Sou Terra que ama o que dela nasce e todas as criaturas que dela vivem. Até as criaturas que a destroem, sem entender que não são nada sem ela. Sem mim. Sou Terra que ama também o que, fora de mim, continuará a existir, mesmo que um dia eu definhe. Sou Terra que ama o movimento dos planetas, a sintonia das galáxias, e toda a perfeição do universo a que pertenço. Quantos universos, fora deste, existirão? Quantas dimensões paralelas e tantas outras coisas que desconheço? E, nos meus 510 milhões de Km2, sinto-me uma pequena gota num poderoso oceano. Depois volto a mim. 50 kgs de gente. E penso que nada de nada justifica o mal que se faz pela importância que se dá a tudo aquilo que, na verdade, não tem importância alguma. A experiência da Vida é este existir. Este sentir. Este usufruir. Abraçando cada canto desta Terra e Amando cada uma das criaturas que habita connosco este minúsculo cantinho do Universo.
Não sendo eu nada, creio ser esta a única forma de ser tudo aquilo que importa...

13/03/15

Do Mistério da Arte

O que é a Arte? Porque nos sopra ao ouvido? Nos toma a mão, o corpo, a voz e o olhar? O que quer de nós, Humanos? O que precisa que desvendemos? Que transformemos? Porque nos usa e para quê?

Enquanto houver Arte, há Mistério.
E enquanto houver Mistério, há Vida.


Sobre a Turbulência de Van Gogh:

"É difícil exprimir com rigor" como "num período de extremo sofrimento, Van Gogh fosse de certa forma capaz de perceber e de representar um dos conceitos extraordinariamente mais difíceis que a Natureza já mais apresentou à Humanidade."

Do Sonho que eu também Sonho

Sonho

Teria passado a vida
atormentado e sozinho
se os sonhos me não viessem
mostrar qual é o caminho

umas vezes são de noite
outras em pleno de sol
com relâmpagos saltados
ou vagar de caracol

quem os manda não sei eu
se o nada que é tudo à vida
ou se eu os finjo a mim mesmo
para ser sem que decida.

Agostinho da Silva, in 'Poemas'
08/03/15

Dia da Mulher

Dia para pensar sobre as Mulheres da Minha Vida. Aquelas que me deram nomes, a cor dos olhos, a perna fina, a teimosia e a alegria de viver. As que não tive oportunidade de conhecer e as que tomaram conta de mim. A que me deu um Pai, a que me deu uma Mãe, a que com todo o amor me trouxe à vida e a que cresceu comigo, partilhando casa, pais e afetos. As minhas queridas sobrinhas e aquela que saiu de dentro de mim, herdeira de tantas coisas que o tempo não conseguiu apagar. A que me deu um Marido. E todas aquelas que, antes dele, o carregaram também de formas e feitios que hoje se espelham nos meus filhos. As Tias. As Primas. As Professoras. As Amigas. As colegas. Mulheres ricas, pobres, magras, gordas, feias e bonitas, simpáticas e com mau feitio. A todas elas o meu Obrigada. Viemos ao mundo carregando o mesmo sexo, que fez parte de nós, das nossas lutas e das nossas entregas. E depois de nós outras virão. Com maior ou menor liberdade para serem o que quiserem, e se afirmarem em todo o seu esplendor, depende também de nós...
Feliz Dia da Mulher!

27/02/15

Do Pássaro que me cativou

Podia ser só um pássaro que eu observava da minha janela todos os dias. Um pássaro no céu, como tantos outros. E eu alguém que o olhava de uma janela, como tanta gente.
Mas algo naquele pássaro me cativou. Era um pássaro agitado que batia furiosamente as suas asas. Depois, deixava-se escorregar pelo vento, cansado, para logo voltar ao seu ponto inicial e retomar o bater das asas, sem parar.
“De que lhe servem as asas se não percorre o céu?”, perguntei-me. “Porque se esforça tanto, se não sai do mesmo lugar?”.
Só então percebi porque me cativara aquele pássaro. É que aquele pássaro era eu, esbracejando sem sair da cadeira, indo e regressando aos mesmos erros, arriscando mas temendo, sonhando mas desistindo. O horizonte estava além e eu estava ali. O sol chamava-me todas as manhãs para um abraço fecundo e eu fechava-lhe a cortina.
Levantei-me da cadeira, abri as janelas e gritei-lhe: “Força, Pássaro! Avança sem medo! Tens asas… não desperdices o céu!”
E quase posso jurar que o ouvi gritar-me de volta: “Salta da cadeira, Humana! Vem cá para fora. Tens pernas… não desperdices a vida!”

24/02/15

Da Poesia que somos

À conversa com a minha filha de 5 anos, que olhava fixamente pela janela do carro:

- Eu acho que não quero ser nada...
- Não queres ser nada como? Quando cresceres?
- Não é isso...
- Não querias existir?
- Existir é bom. Mas eu acho que preferia ser vento...

E, como um Nocturno de Chopin, levou-me com ela até à fronteira do ser, onde habita a poesia e a metamorfose dos sonhos. Um dia, seremos também nós poemas sussurrados pelo vento. Assim alguém nos saiba ouvir e nos possa escrever...
31/01/15

Terra, Mar, Céu e Fogo

Quando, no aparente caos da natureza, desvendamos um sentido, não há desordem que nos vença nem derrota que nos vergue.
Somos Terra, Mar, Céu e Fogo.
Vibrando, colidindo, mas por isso mesmo existindo.