25/08/15

Dos filhos

Quando for esse nada que é tudo
E tudo aquilo que hoje me cansa
For inequivocamente inútil, um disparate da existência
Terei eu ainda memória de todos aqueles que amei?
Dos filhos que deram sentido ao meu cansaço? Uma vontade de existir acima do tédio de existir?
Terei eu ainda memória dos seus rostos e das suas mãos pequeninas?
Dos seus dentes sempre a cair?
A pele suave e o cabelo que lhes esfregava?
O riso fácil? Os olhinhos doces?

Não exijo saber quantos filhos tive, como nasceram, que nomes lhes dei
Só não queria esquecer o seu olhar
E o amor. Ah, o amor que lhes tenho!
Dessa espécie de amor que nos faz vontade de recriar o tempo e o espaço só para viver outra vez.

E talvez nasçamos e morramos por isso mesmo…
Deus quer fazer-nos melhores.
Nós, apenas reencontrar aqueles que nos fazem desejar ser mortais
Só pelo medo de a eternidade os apagar em nós…

Sawabona

Somos muito mais do que os nossos erros.
Infelizmente, nos dias que correm, são muitas vezes eles que nos definem. Nem sempre temos quem nos rodeie e nos relembre que, para além deles, somos um mundo infinito de virtudes e potencialidades. Quando assim é, devemos ser nós a olhar-nos ao espelho e pensarmos para nós que um erro é sempre uma aprendizagem. Que é importante entender que errámos, perceber como podemos evitar os mesmos erros. Mas depois, e sempre, seguir em frente com tudo o que aprendemos.

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SAWABONA!!!

Há uma "tribo" africana que tem um costume muito bonito.
Quando alguém faz algo prejudicial e errado, eles levam a pessoa para o centro da aldeia, e toda a tribo vem e o rodeia. Durante dois dias, eles vão dizer ao homem todas as coisas boas que ele já fez.

A tribo acredita que cada ser humano vem ao mundo como um ser bom. Cada um de nós desejando segurança, amor, paz, felicidade. Mas às vezes, na busca dessas coisas, as pessoas cometem erros.
A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro.
Eles se unem então para erguê-lo, para reconectá-lo com sua verdadeira natureza, para lembrá-lo quem ele realmente é, até que ele se lembre totalmente da verdade da qual ele tinha se desconectado temporariamente: "Eu sou bom".

Sawabona Shikoba!
SAWABONA, é um cumprimento usado na África do Sul e quer dizer:
"Eu te respeito, eu te valorizo. Você é importante pra mim"

Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA,que é:
"Então, eu existo pra você".
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23/07/15

Dos livros nas prateleiras

Surpreendem-nos nas livrarias como alguém com quem nos cruzámos na vida e nos marcou.
Alguém que ainda nos faz corar de alegria arrebatadora, reviver pedaços de vida em que fomos um só.
Sabemos que nada do que ali está é já nosso (pertence agora a todos que o quiserem) mas sabemos também que levará sempre consigo um bocadinho de nós.
E desejamos baixinho: "Que o tratem bem, por favor..."

30/04/15

Da arte e da Saudade

A arte não nos rouba a saudade, mas materializa-a, e a materialização é sempre uma forma (a forma humana) de eternização.

Neste mundo em que nada é eterno, acredito a arte é a eternidade possível...

Ao Francisco e ao seu irmão Manuel Guerra, o meu OBRIGADA!


21/03/15

Da Poesia que descia em mim

Quando, na minha juventude, as palavras me pediam que as escrevesse, vestia um vestido branco e fugia para o terraço de minha casa, para as escrever à luz das estrelas. Era o meu vestido da poesia. Aquele que me transformava num corpo qualquer sem nome sem rosto, sem passado nem futuro, capaz de albergar, por isso mesmo, todas as vidas que nele quisessem habitar. Que através dele quisessem escrever-se neste mundo...
Enfiada no meu vestido da poesia, eu não era mais eu. Tão pouco as palavras eram minhas. Talvez por isso nunca me tenha sentido poeta, mas apenas alguém a quem, por vezes, por razões que eu desconhecia, descia da terra da poesia um qualquer poema que eu rabiscava, o melhor que podia e sabia...

A todos os Poetas (os que o são de facto, os que são às vezes, os que foram uma vez que fosse nesta vida), a todos os Poemas (melhores, piores, inacabados ou que ficaram por escrever) e a todos os Leitores (finalidade última de todas as palavras)... um Feliz Dia da Poesia!

20/03/15

Do Nada e do Tudo Perfeito-Imperfeito que Somos

Sinto em mim o odor da terra. O canto dos pássaros. O brotar das sementes.
Sou gota das chuva de Março. Sou vento morno. Bafo.
E sou Terra. Terra que gira, que sente, que dança em torno do Sol que a ilumina, de mãos dadas com a Lua. Dia, Noite, Chuva, Frio, Calor, Odor, Amor. Sou Terra que ama o que dela nasce e todas as criaturas que dela vivem. Até as criaturas que a destroem, sem entender que não são nada sem ela. Sem mim.
Sou Terra que ama também o que, fora de mim, continuará a existir, mesmo que um dia eu definhe. Sou Terra que ama o movimento dos planetas, a sintonia das galáxias, e toda a perfeição do universo a que pertenço. Quantos universos, fora deste, existirão? Quantas dimensões paralelas e tantas outras coisas que desconheço? E, nos meus 510 milhões de Km2, sinto-me uma pequena gota num poderoso oceano.
Depois volto a mim. 50 kgs de gente. E penso que nada de nada justifica o mal que se faz pela importância que se dá a tudo aquilo que, na verdade, não tem importância alguma. A experiência da Vida é este existir. Este sentir. Este usufruir. Abraçando cada canto desta Terra e Amando cada uma das criaturas que habita connosco este minúsculo cantinho do Universo.
Não sendo eu nada, creio ser esta a única forma de ser tudo aquilo que importa...
"Sinto em mim o odor da terra. O canto dos pássaros. O brotar das sementes. Sou gota das chuva de Março. Sou vento morno. Bafo. E sou Terra. Terra que gira, que sente, que dança em torno do Sol que a ilumina, de mãos dadas com a Lua. Dia, Noite, Chuva, Frio, Calor, Odor, Amor. Sou Terra que ama o que dela nasce e todas as criaturas que dela vivem. Até as criaturas que a destroem, sem entender que não são nada sem ela. Sem mim. Sou Terra que ama também o que, fora de mim, continuará a existir, mesmo que um dia eu definhe. Sou Terra que ama o movimento dos planetas, a sintonia das galáxias, e toda a perfeição do universo a que pertenço. Quantos universos, fora deste, existirão? Quantas dimensões paralelas e tantas outras coisas que desconheço? E, nos meus 510 milhões de Km2, sinto-me uma pequena gota num poderoso oceano. Depois volto a mim. 50 kgs de gente. E penso que nada de nada justifica o mal que se faz pela importância que se dá a tudo aquilo que, na verdade, não tem importância alguma. A experiência da Vida é este existir. Este sentir. Este usufruir. Abraçando cada canto desta Terra e Amando cada uma das criaturas que habita connosco este minúsculo cantinho do Universo.
Não sendo eu nada, creio ser esta a única forma de ser tudo aquilo que importa...

13/03/15

Do Mistério da Arte

O que é a Arte? Porque nos sopra ao ouvido? Nos toma a mão, o corpo, a voz e o olhar? O que quer de nós, Humanos? O que precisa que desvendemos? Que transformemos? Porque nos usa e para quê?

Enquanto houver Arte, há Mistério.
E enquanto houver Mistério, há Vida.


Sobre a Turbulência de Van Gogh:

"É difícil exprimir com rigor" como "num período de extremo sofrimento, Van Gogh fosse de certa forma capaz de perceber e de representar um dos conceitos extraordinariamente mais difíceis que a Natureza já mais apresentou à Humanidade."