17/10/15

Ao João

Somos criaturas do tempo
Medimo-lo: os anos, os meses, os dias, os minutos e os segundos
para que, perdidos, nos situemos
para que, esvaídos de sentido, ao tempo nos agarremos
ou simplesmente para que a nossa história tenha um princípio, um meio e um fim.
Um cedo, um tarde e um por fim.

E neste tempo inventado por mim
(porque experimento a ilusão da matéria,
que nasce, que cresce, que morre por fim)
não compreendo, como todos, o cedo
temo o tarde
e desejo um tempo em que tudo seja no tempo certo para mim.

Mas o tempo não existe
(como não existe o espaço)
Existe a aprendizagem, a experiência e a passagem
E por mais que a matéria, na sua ilusão efémera
nos rompa o peito de saudade do que já não existe
nos prenda às memórias retidas pelos sentidos do que já não tem forma
não existe um antes, um agora e um depois em tudo aquilo que importa
Existem aqueles que ganhamos
Nunca aqueles que perdemos
Porque nada se perde
Senão no tempo e no espaço que não existe fora daquilo a que, ilusoriamente, chamamos existência.

E todos aqueles que perdi
Sei hoje que os ganhei
Que eles me ganharam a mim
Que ganhámos tudo o que vivemos juntos
Neste tempo e neste espaço
E que, mesmo sendo a vida uma ilusão,
Nada do que nela vivemos foi em vão...

15/10/15

O meu regime

Na direita tenho uma mão
Que aperta as mãos de toda a boa gente
À esquerda uma outra mão
Que segura alguém numa dança envolvente

Nos extremos, a ponta dos dedos
Apontam o arco-íris a quem for descrente
E ao centro, tenho-me a mim
Aquela que ama, que sonha, que sente.

Aquela que idealiza um mundo
Sem jogos de poder, arrogância, cinismo
Onde todos dão o melhor de si
Porque acreditam, sem oportunismo

Um mundo de liberdade,
Responsabilidade e civismo
Onde um regime, a vigorar
Seria um só... o Humanismo.
13/10/15

Limpeza

"A plataforma estava cheia de gente, e muito mais gente chegava. Enlameada, suja até à cintura de uma pasta nauseabunda que tinha tomado conta do planeta. Pais carregavam os filhos, mulheres e homens sem esperança, perguntavam-me como livrar-se da porcaria. O mundo estava impestado e era impossível limpá-lo.
Olhei à minha volta, atordoado. A plataforma enchia-se, à espera de uma carruagem que eu sabia que não podia levá-los. Só quem estivesse limpo poderia entrar. E os olhos dos homens, mulheres e crianças comprimiam-me o que de humano havia em mim A parte de mim que apetecia sujar-se também, para estar agora ao lado de todos aqueles que agora choravam. Mas eu escutara aquela voz. Eu fora um dos escolhidos. A carruagem surgiria e eu entraria nela para me juntar aos restantes. Enquanto todos aqueles homens, mulheres e crianças, presos na imundice do mundo, não conseguiriam mover-se. O mundo limpava-se através da sujidade..."

Muito para além da densidade

O que antes era liberdade, transformou-se em densidade. Foi assim no universo, foi assim na Terra, é assim no interior do Homem.
O colapso é necessário. Mas não necessariamente devastador, assim saibamos descobrir-nos fora da matéria.
Fora do corpo, independentemente do planeta, para além do universo.

08/10/15

Gémeas na Visão e na Sábado

Gémeas em dose dupla, hoje na Visão e no Sábado.
Obrigada!


04/10/15

Viagens pela imaginação

Estive no ano passado, a convite da Associação de Pais, na Escola Eb1 nº 2 de Abrantes, para contar aos meninos o que é isso de escrever histórias, e como eram as histórias que eu fazia com a idade deles, em folhas dobradas e agrafadas, para oferecer àqueles de quem eu mais gostava.
Os meninos do 2º ano entusiasmaram-se, a professora apoiou-os, formaram grupos e escolheram o seu talento (imaginação, ilustração, pintura, letra bonita). E o resultado foi este: pequenas-grandes histórias que me deliciaram e que eu espero que sejam as primeiras de muitas que estes meninos vão fazer.
Não sendo tudo o que importa no mundo, acredito realmente que a CRIATIVIDADE é das nossas mais poderosas ferramentas internas, que podemos colocar ao serviço da nossa vida e ao serviço de um mundo ainda com tanto, mas tanto por mudar...


25/09/15

Coisas de Mais Aventuras das Gémeas



A Oficina do Livro desafiou-me a continuar, em Portugal, a coleção "As Gémeas", da Enid Blyton, e o livro está quase, quase, quase a chegar às livrarias!

Gostava muito que lessem e que me enviassem as vossas sugestões, críticas, desenhos, ideias para livros futuros, e tudo o mais que vos apetecer. Publicarei tudinho por aqui!


E para encomendarem online, espreitem AQUI.

Vamos a isto!
Boas leituras...