22/10/15

Do tempo que virá

E o tempo virá
Quando o 17 se cumprir
Em que liderar não será opor
Liderar não será lutar
Liderar não será conduzir
Liderar será somente e poderosamente inspirar.
Amar.

Então, toda a tua humildade se transformará na tua força.
E do teu coração, pulsando no teu corpo que dança ao amanhecer,
Sairá todo o Amor que o mundo precisará para vencer.
Amen
18/10/15

Universo



Quando o pintei, aos 18 anos, chamei-lhe "Deus".
Aos 24 voltei a olhá-lo e chamei-lhe "Eus".
Hoje, depois de tudo o que descobri, dentro e fora de mim, chamo-lhe simplesmente (ou magnificamente) "Universo"...



17/10/15

Ao João

Somos criaturas do tempo
Medimo-lo: os anos, os meses, os dias, os minutos e os segundos
para que, perdidos, nos situemos
para que, esvaídos de sentido, ao tempo nos agarremos
ou simplesmente para que a nossa história tenha um princípio, um meio e um fim.
Um cedo, um tarde e um por fim.

E neste tempo inventado por mim
(porque experimento a ilusão da matéria,
que nasce, que cresce, que morre por fim)
não compreendo, como todos, o cedo
temo o tarde
e desejo um tempo em que tudo seja no tempo certo para mim.

Mas o tempo não existe
(como não existe o espaço)
Existe a aprendizagem, a experiência e a passagem
E por mais que a matéria, na sua ilusão efémera
nos rompa o peito de saudade do que já não existe
nos prenda às memórias retidas pelos sentidos do que já não tem forma
não existe um antes, um agora e um depois em tudo aquilo que importa
Existem aqueles que ganhamos
Nunca aqueles que perdemos
Porque nada se perde
Senão no tempo e no espaço que não existe fora daquilo a que, ilusoriamente, chamamos existência.

E todos aqueles que perdi
Sei hoje que os ganhei
Que eles me ganharam a mim
Que ganhámos tudo o que vivemos juntos
Neste tempo e neste espaço
E que, mesmo sendo a vida uma ilusão,
Nada do que nela vivemos foi em vão...

15/10/15

O meu regime

Na direita tenho uma mão
Que aperta as mãos de toda a boa gente
À esquerda uma outra mão
Que segura alguém numa dança envolvente

Nos extremos, a ponta dos dedos
Apontam o arco-íris a quem for descrente
E ao centro, tenho-me a mim
Aquela que ama, que sonha, que sente.

Aquela que idealiza um mundo
Sem jogos de poder, arrogância, cinismo
Onde todos dão o melhor de si
Porque acreditam, sem oportunismo

Um mundo de liberdade,
Responsabilidade e civismo
Onde um regime, a vigorar
Seria um só... o Humanismo.
13/10/15

Limpeza

"A plataforma estava cheia de gente, e muito mais gente chegava. Enlameada, suja até à cintura de uma pasta nauseabunda que tinha tomado conta do planeta. Pais carregavam os filhos, mulheres e homens sem esperança, perguntavam-me como livrar-se da porcaria. O mundo estava impestado e era impossível limpá-lo.
Olhei à minha volta, atordoado. A plataforma enchia-se, à espera de uma carruagem que eu sabia que não podia levá-los. Só quem estivesse limpo poderia entrar. E os olhos dos homens, mulheres e crianças comprimiam-me o que de humano havia em mim A parte de mim que apetecia sujar-se também, para estar agora ao lado de todos aqueles que agora choravam. Mas eu escutara aquela voz. Eu fora um dos escolhidos. A carruagem surgiria e eu entraria nela para me juntar aos restantes. Enquanto todos aqueles homens, mulheres e crianças, presos na imundice do mundo, não conseguiriam mover-se. O mundo limpava-se através da sujidade..."

Muito para além da densidade

O que antes era liberdade, transformou-se em densidade. Foi assim no universo, foi assim na Terra, é assim no interior do Homem.
O colapso é necessário. Mas não necessariamente devastador, assim saibamos descobrir-nos fora da matéria.
Fora do corpo, independentemente do planeta, para além do universo.

08/10/15

Gémeas na Visão e na Sábado

Gémeas em dose dupla, hoje na Visão e no Sábado.
Obrigada!


04/10/15

Viagens pela imaginação

Estive no ano passado, a convite da Associação de Pais, na Escola Eb1 nº 2 de Abrantes, para contar aos meninos o que é isso de escrever histórias, e como eram as histórias que eu fazia com a idade deles, em folhas dobradas e agrafadas, para oferecer àqueles de quem eu mais gostava.
Os meninos do 2º ano entusiasmaram-se, a professora apoiou-os, formaram grupos e escolheram o seu talento (imaginação, ilustração, pintura, letra bonita). E o resultado foi este: pequenas-grandes histórias que me deliciaram e que eu espero que sejam as primeiras de muitas que estes meninos vão fazer.
Não sendo tudo o que importa no mundo, acredito realmente que a CRIATIVIDADE é das nossas mais poderosas ferramentas internas, que podemos colocar ao serviço da nossa vida e ao serviço de um mundo ainda com tanto, mas tanto por mudar...


25/09/15

Coisas de Mais Aventuras das Gémeas



A Oficina do Livro desafiou-me a continuar, em Portugal, a coleção "As Gémeas", da Enid Blyton, e o livro está quase, quase, quase a chegar às livrarias!

Gostava muito que lessem e que me enviassem as vossas sugestões, críticas, desenhos, ideias para livros futuros, e tudo o mais que vos apetecer. Publicarei tudinho por aqui!


E para encomendarem online, espreitem AQUI.

Vamos a isto!
Boas leituras...
30/08/15

Somos Todos Seres Humanos

Porque somos todos Humanos...

http://mariacapaz.pt/cronicas/somos-todos-humanos-por-sara-rodi/

"Mas o que podemos fazer? – é outra pergunta que também se ouve, e que me coloco todos os dias. Não somos efetivamente ninguém para resolver os conflitos que estão a originar esta fuga em massa para a Europa. Não somos políticos, não somos ONGs. Individualmente, a maioria de nós é, de facto, impotente. Mas a impotência não se pode traduzir NUNCA em indiferença. Em distanciamento (já para não falar em atitude de superioridade!). É fundamental que sobre esta matéria (como sobre todas as outras que afetam este nosso mundo e as criaturas que nele habitam) nos informemos, partilhemos, sensibilizemos, pressionemos da forma que soubermos e pudermos. E, quando nos for dado contribuir, seja com bens, tempo, pressão, ajuda no terreno (o que for!) o façamos, também, na medida das nossas possibilidades. Termos em nós a disponibilidade possível para sermos uns pelos outros. Hoje nós por eles. Quem sabe um dia eles por nós, se o tabuleiro se inverter, como já tantas vezes a História registou."
25/08/15

Dos filhos

Quando for esse nada que é tudo
E tudo aquilo que hoje me cansa
For inequivocamente inútil, um disparate da existência
Terei eu ainda memória de todos aqueles que amei?
Dos filhos que deram sentido ao meu cansaço? Uma vontade de existir acima do tédio de existir?
Terei eu ainda memória dos seus rostos e das suas mãos pequeninas?
Dos seus dentes sempre a cair?
A pele suave e o cabelo que lhes esfregava?
O riso fácil? Os olhinhos doces?

Não exijo saber quantos filhos tive, como nasceram, que nomes lhes dei
Só não queria esquecer o seu olhar
E o amor. Ah, o amor que lhes tenho!
Dessa espécie de amor que nos faz vontade de recriar o tempo e o espaço só para viver outra vez.

E talvez nasçamos e morramos por isso mesmo…
Deus quer fazer-nos melhores.
Nós, apenas reencontrar aqueles que nos fazem desejar ser mortais
Só pelo medo de a eternidade os apagar em nós…

Sawabona

Somos muito mais do que os nossos erros.
Infelizmente, nos dias que correm, são muitas vezes eles que nos definem. Nem sempre temos quem nos rodeie e nos relembre que, para além deles, somos um mundo infinito de virtudes e potencialidades. Quando assim é, devemos ser nós a olhar-nos ao espelho e pensarmos para nós que um erro é sempre uma aprendizagem. Que é importante entender que errámos, perceber como podemos evitar os mesmos erros. Mas depois, e sempre, seguir em frente com tudo o que aprendemos.

"
SAWABONA!!!

Há uma "tribo" africana que tem um costume muito bonito.
Quando alguém faz algo prejudicial e errado, eles levam a pessoa para o centro da aldeia, e toda a tribo vem e o rodeia. Durante dois dias, eles vão dizer ao homem todas as coisas boas que ele já fez.

A tribo acredita que cada ser humano vem ao mundo como um ser bom. Cada um de nós desejando segurança, amor, paz, felicidade. Mas às vezes, na busca dessas coisas, as pessoas cometem erros.
A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro.
Eles se unem então para erguê-lo, para reconectá-lo com sua verdadeira natureza, para lembrá-lo quem ele realmente é, até que ele se lembre totalmente da verdade da qual ele tinha se desconectado temporariamente: "Eu sou bom".

Sawabona Shikoba!
SAWABONA, é um cumprimento usado na África do Sul e quer dizer:
"Eu te respeito, eu te valorizo. Você é importante pra mim"

Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA,que é:
"Então, eu existo pra você".
"

23/07/15

Dos livros nas prateleiras

Surpreendem-nos nas livrarias como alguém com quem nos cruzámos na vida e nos marcou.
Alguém que ainda nos faz corar de alegria arrebatadora, reviver pedaços de vida em que fomos um só.
Sabemos que nada do que ali está é já nosso (pertence agora a todos que o quiserem) mas sabemos também que levará sempre consigo um bocadinho de nós.
E desejamos baixinho: "Que o tratem bem, por favor..."

30/04/15

Da arte e da Saudade

A arte não nos rouba a saudade, mas materializa-a, e a materialização é sempre uma forma (a forma humana) de eternização.

Neste mundo em que nada é eterno, acredito a arte é a eternidade possível...

Ao Francisco e ao seu irmão Manuel Guerra, o meu OBRIGADA!


21/03/15

Da Poesia que descia em mim

Quando, na minha juventude, as palavras me pediam que as escrevesse, vestia um vestido branco e fugia para o terraço de minha casa, para as escrever à luz das estrelas. Era o meu vestido da poesia. Aquele que me transformava num corpo qualquer sem nome sem rosto, sem passado nem futuro, capaz de albergar, por isso mesmo, todas as vidas que nele quisessem habitar. Que através dele quisessem escrever-se neste mundo...
Enfiada no meu vestido da poesia, eu não era mais eu. Tão pouco as palavras eram minhas. Talvez por isso nunca me tenha sentido poeta, mas apenas alguém a quem, por vezes, por razões que eu desconhecia, descia da terra da poesia um qualquer poema que eu rabiscava, o melhor que podia e sabia...

A todos os Poetas (os que o são de facto, os que são às vezes, os que foram uma vez que fosse nesta vida), a todos os Poemas (melhores, piores, inacabados ou que ficaram por escrever) e a todos os Leitores (finalidade última de todas as palavras)... um Feliz Dia da Poesia!

20/03/15

Do Nada e do Tudo Perfeito-Imperfeito que Somos

Sinto em mim o odor da terra. O canto dos pássaros. O brotar das sementes.
Sou gota das chuva de Março. Sou vento morno. Bafo.
E sou Terra. Terra que gira, que sente, que dança em torno do Sol que a ilumina, de mãos dadas com a Lua. Dia, Noite, Chuva, Frio, Calor, Odor, Amor. Sou Terra que ama o que dela nasce e todas as criaturas que dela vivem. Até as criaturas que a destroem, sem entender que não são nada sem ela. Sem mim.
Sou Terra que ama também o que, fora de mim, continuará a existir, mesmo que um dia eu definhe. Sou Terra que ama o movimento dos planetas, a sintonia das galáxias, e toda a perfeição do universo a que pertenço. Quantos universos, fora deste, existirão? Quantas dimensões paralelas e tantas outras coisas que desconheço? E, nos meus 510 milhões de Km2, sinto-me uma pequena gota num poderoso oceano.
Depois volto a mim. 50 kgs de gente. E penso que nada de nada justifica o mal que se faz pela importância que se dá a tudo aquilo que, na verdade, não tem importância alguma. A experiência da Vida é este existir. Este sentir. Este usufruir. Abraçando cada canto desta Terra e Amando cada uma das criaturas que habita connosco este minúsculo cantinho do Universo.
Não sendo eu nada, creio ser esta a única forma de ser tudo aquilo que importa...
"Sinto em mim o odor da terra. O canto dos pássaros. O brotar das sementes. Sou gota das chuva de Março. Sou vento morno. Bafo. E sou Terra. Terra que gira, que sente, que dança em torno do Sol que a ilumina, de mãos dadas com a Lua. Dia, Noite, Chuva, Frio, Calor, Odor, Amor. Sou Terra que ama o que dela nasce e todas as criaturas que dela vivem. Até as criaturas que a destroem, sem entender que não são nada sem ela. Sem mim. Sou Terra que ama também o que, fora de mim, continuará a existir, mesmo que um dia eu definhe. Sou Terra que ama o movimento dos planetas, a sintonia das galáxias, e toda a perfeição do universo a que pertenço. Quantos universos, fora deste, existirão? Quantas dimensões paralelas e tantas outras coisas que desconheço? E, nos meus 510 milhões de Km2, sinto-me uma pequena gota num poderoso oceano. Depois volto a mim. 50 kgs de gente. E penso que nada de nada justifica o mal que se faz pela importância que se dá a tudo aquilo que, na verdade, não tem importância alguma. A experiência da Vida é este existir. Este sentir. Este usufruir. Abraçando cada canto desta Terra e Amando cada uma das criaturas que habita connosco este minúsculo cantinho do Universo.
Não sendo eu nada, creio ser esta a única forma de ser tudo aquilo que importa...

13/03/15

Do Mistério da Arte

O que é a Arte? Porque nos sopra ao ouvido? Nos toma a mão, o corpo, a voz e o olhar? O que quer de nós, Humanos? O que precisa que desvendemos? Que transformemos? Porque nos usa e para quê?

Enquanto houver Arte, há Mistério.
E enquanto houver Mistério, há Vida.


Sobre a Turbulência de Van Gogh:

"É difícil exprimir com rigor" como "num período de extremo sofrimento, Van Gogh fosse de certa forma capaz de perceber e de representar um dos conceitos extraordinariamente mais difíceis que a Natureza já mais apresentou à Humanidade."

Do Sonho que eu também Sonho

Sonho

Teria passado a vida
atormentado e sozinho
se os sonhos me não viessem
mostrar qual é o caminho

umas vezes são de noite
outras em pleno de sol
com relâmpagos saltados
ou vagar de caracol

quem os manda não sei eu
se o nada que é tudo à vida
ou se eu os finjo a mim mesmo
para ser sem que decida.

Agostinho da Silva, in 'Poemas'
08/03/15

Dia da Mulher

Dia para pensar sobre as Mulheres da Minha Vida. Aquelas que me deram nomes, a cor dos olhos, a perna fina, a teimosia e a alegria de viver. As que não tive oportunidade de conhecer e as que tomaram conta de mim. A que me deu um Pai, a que me deu uma Mãe, a que com todo o amor me trouxe à vida e a que cresceu comigo, partilhando casa, pais e afetos. As minhas queridas sobrinhas e aquela que saiu de dentro de mim, herdeira de tantas coisas que o tempo não conseguiu apagar. A que me deu um Marido. E todas aquelas que, antes dele, o carregaram também de formas e feitios que hoje se espelham nos meus filhos. As Tias. As Primas. As Professoras. As Amigas. As colegas. Mulheres ricas, pobres, magras, gordas, feias e bonitas, simpáticas e com mau feitio. A todas elas o meu Obrigada. Viemos ao mundo carregando o mesmo sexo, que fez parte de nós, das nossas lutas e das nossas entregas. E depois de nós outras virão. Com maior ou menor liberdade para serem o que quiserem, e se afirmarem em todo o seu esplendor, depende também de nós...
Feliz Dia da Mulher!

27/02/15

Do Pássaro que me cativou

Podia ser só um pássaro que eu observava da minha janela todos os dias. Um pássaro no céu, como tantos outros. E eu alguém que o olhava de uma janela, como tanta gente.
Mas algo naquele pássaro me cativou. Era um pássaro agitado que batia furiosamente as suas asas. Depois, deixava-se escorregar pelo vento, cansado, para logo voltar ao seu ponto inicial e retomar o bater das asas, sem parar.
“De que lhe servem as asas se não percorre o céu?”, perguntei-me. “Porque se esforça tanto, se não sai do mesmo lugar?”.
Só então percebi porque me cativara aquele pássaro. É que aquele pássaro era eu, esbracejando sem sair da cadeira, indo e regressando aos mesmos erros, arriscando mas temendo, sonhando mas desistindo. O horizonte estava além e eu estava ali. O sol chamava-me todas as manhãs para um abraço fecundo e eu fechava-lhe a cortina.
Levantei-me da cadeira, abri as janelas e gritei-lhe: “Força, Pássaro! Avança sem medo! Tens asas… não desperdices o céu!”
E quase posso jurar que o ouvi gritar-me de volta: “Salta da cadeira, Humana! Vem cá para fora. Tens pernas… não desperdices a vida!”