04/11/15

"As Gémeas" no programa "Literatura Aqui"

"O meu amor pelas crianças é a fundação de todo o meu trabalho. Eu amo-as e quero que cresçam seres humanos decentes..."
(Enid Blyton)

"Mais Aventuras no Colégio de Santa Clara", a Enid Blyton e eu, no programa "Literatura Aqui", da RTP 2 (Minuto 7'40'')

http://www.rtp.pt/play/p1990/e212283/literatura-aqui



29/10/15

Ao meu corpo

Querido corpo,

sei que eu e tu nem sempre tivemos uma relação fácil. Já te julguei como uma limitação, uma prisão, uma imperfeição, porque já houve alturas em te dei excessiva importância, por achar que eu era o meu corpo e o meu corpo era eu. Por isso já te escondi, já te transformei, já te exibi e já te maltratei. Só porque não me era de todo fácil perceber que, de facto, eu não sou tu, e tu não és eu. E que tu és de uma enorme importância para mim – e por isso te quero amar e respeitar – mas não és o que eu sou. És apenas a única forma que aquilo que eu sou tem de viver esta vida. Permites-me respirar, correr, tocar, beijar, abraçar, falar, e até, de uma forma que me comove todos os dias, gerar outros corpos que sejam moradas para outros seres. E estou-te infinitamente grata por isso. Por seres o meu aliado nesta grande aventura.
E percebo hoje, também, que não posso exigir-te o que não me podes dar. Se não te cuidar, com as minhas ações e os meus pensamentos, não posso impedir-te de adoeceres e de te magoares. Assim como não posso impedir-te de envelheceres. És um corpo na Terra, essa Terra onde tudo nasce, onde tudo cresce e onde tudo morre. Mas é um privilégio enorme habitar-te e passar por todas essas fases contigo. Continuará a custar-me, muitas vezes, aceitar a tua fragilidade, e sobretudo a tua finitide. Não sei se habitarei outros corpos depois de ti, não sei o suficiente para perceber o que se segue à aventura que tu e eu tivemos a oportunidade de vivermos juntos. Mas não quero que os meus questionamentos me roubem o prazer de viver. A vontade de acordar em ti todos os dias e abraçar mais um dia de vida. Um dia com os seus desafios, às vezes enormes, difíceis de suportar, mas que fazem parte desta aventura e deste crescimento que é a vida aqui na Terra. E a única coisa que posso prometer-me, Corpo, é que vou tentar cuidar o melhor possível de ti, para que possamos ter tempo e saúde para nos focarmos naquilo que, de mais interessante, possamos retirar desta vida. Não posso impedir tudo, não saberei tratar-te em todas as dificuldades, mas tentarei, porque o mereces. Tens sido uma boa morada. E, no dia em que tiveres de perecer, para fazeres parte da terra que te gerou, hei-de rasgar-te um sorriso nos lábios, dar-te um último abraço e dizer-te Muito, mas Muito Obrigada.

Eu
24/10/15

Da liberdade



Sem liberdade, não há evolução.
Mas é da evolução que nasce a verdadeira liberdade...

23/10/15

Da nossa História

A História não se escreve
A História não está escrita
A História reescreve-se
Dentro de uma História que tem de ser cumprida

Como um rio ao qual destruímos a água
Comprimimos as margens
O curso tentamos mudar
Que sempre ele seguirá para o mar...

Como o sangue que em nós podemos estragar
Entupir artérias
Torná-lo fluido, espesso
Que sempre ele correrá em nós, com teimoso apreço...

Até que o rio será do mar
Até que, na morte, o sangue irá secar
Porque tudo nasce e tudo morre nesta vida
Esse é o movimento que ninguém pode travar
Está escrito e há um traçado a cumprir
Caminhos por onde teremos de passar
Mas tudo o mais é nosso,
é nossa a responsabilidade
Da qualidade do que fazemos à forma como nos purificamos,
Daí advém a nossa força e a nossa dignidade
22/10/15

Do tempo que virá

E o tempo virá
Quando o 17 se cumprir
Em que liderar não será opor
Liderar não será lutar
Liderar não será conduzir
Liderar será somente e poderosamente inspirar.
Amar.

Então, toda a tua humildade se transformará na tua força.
E do teu coração, pulsando no teu corpo que dança ao amanhecer,
Sairá todo o Amor que o mundo precisará para vencer.
Amen
18/10/15

Universo



Quando o pintei, aos 18 anos, chamei-lhe "Deus".
Aos 24 voltei a olhá-lo e chamei-lhe "Eus".
Hoje, depois de tudo o que descobri, dentro e fora de mim, chamo-lhe simplesmente (ou magnificamente) "Universo"...



17/10/15

Ao João

Somos criaturas do tempo
Medimo-lo: os anos, os meses, os dias, os minutos e os segundos
para que, perdidos, nos situemos
para que, esvaídos de sentido, ao tempo nos agarremos
ou simplesmente para que a nossa história tenha um princípio, um meio e um fim.
Um cedo, um tarde e um por fim.

E neste tempo inventado por mim
(porque experimento a ilusão da matéria,
que nasce, que cresce, que morre por fim)
não compreendo, como todos, o cedo
temo o tarde
e desejo um tempo em que tudo seja no tempo certo para mim.

Mas o tempo não existe
(como não existe o espaço)
Existe a aprendizagem, a experiência e a passagem
E por mais que a matéria, na sua ilusão efémera
nos rompa o peito de saudade do que já não existe
nos prenda às memórias retidas pelos sentidos do que já não tem forma
não existe um antes, um agora e um depois em tudo aquilo que importa
Existem aqueles que ganhamos
Nunca aqueles que perdemos
Porque nada se perde
Senão no tempo e no espaço que não existe fora daquilo a que, ilusoriamente, chamamos existência.

E todos aqueles que perdi
Sei hoje que os ganhei
Que eles me ganharam a mim
Que ganhámos tudo o que vivemos juntos
Neste tempo e neste espaço
E que, mesmo sendo a vida uma ilusão,
Nada do que nela vivemos foi em vão...