Sempre sonhei com a ubiquidade. E toda a vida me culpabilizei pela minha manifesta incapacidade de a atingir. Constato-me mortal, ao final do dia. Cada vez mais mortal, na medida em que cada vez preciso mais de descansar. Desligar. Dormir (quem diria!). Penso no que ficou por fazer, nas pessoas a quem devia ter dado uma palavra, respondido, ajudado, enviado um sorriso, ou melhor ainda, abraçado. Abraçado de facto. Visitado e beijado e partilhado a vida. Não será isso a vida?
Por isso, e porque é Natal - e o Natal adensa sempre esta minha culpa, porque alimenta a minha vontade de comunhão - deixo hoje um abraço muito forte, virtual à falta de um real, a todos aqueles a que falhei durante este ano. Tenho-vos sempre comigo, acreditem. E tentarei mais e melhor no próximo ano, ainda vos falhe novamente. E um dia, quem sabe, eu descubra o segredo da omnipresença. Até lá, escrevo. Que é a melhor forma que conheço de chegar a muitos de vós de uma só vez...
Don't stop
Quando preciso de respostas, calço os ténis e corro pelas ruas da minha vila. Costumo dizer, meio a brincar, meio a sério, que o vento é um bom conselheiro. Que as nuvens se reescrevem para mim e as copas das árvores têm sempre algo para me ensinar.
Mas hoje, o que precisava de saber foi escrito por alguém como eu, de carne e de osso. O seu pequeno crime foi hoje a minha confiança. E regresso a casa com esperança de que todos os meus erros e delitos, pelas ruas da minha vida, tenham sido também, de forma sábia (a forma sábia do universo), sinais ou aprendizagens para alguém que com eles se tenha cruzado...
I'll not stop! Thank you.
Mas hoje, o que precisava de saber foi escrito por alguém como eu, de carne e de osso. O seu pequeno crime foi hoje a minha confiança. E regresso a casa com esperança de que todos os meus erros e delitos, pelas ruas da minha vida, tenham sido também, de forma sábia (a forma sábia do universo), sinais ou aprendizagens para alguém que com eles se tenha cruzado...
I'll not stop! Thank you.
Do nosso abraço
Esta noite sonhei que tinha uma fila de pessoas à minha frente, que abraçava, comovida, uma a uma. Cada abraço era uma explosão de energia, chorávamos e ríamos e o tempo perdia toda a sua importância.
Não sei se elas ali estavam para receber o meu abraço, ou para me dar o abraço que eu precisava. Não foi o importante do sonho, se o abraço é sempre (ou quase sempre) recíproco.
O importante foi a sensação com que acordei, a de que o que tenho de melhor para dar ao mundo, talvez o melhor que todos tenhamos para dar ao mundo, são mesmo os nossos abraços...
Não sei se elas ali estavam para receber o meu abraço, ou para me dar o abraço que eu precisava. Não foi o importante do sonho, se o abraço é sempre (ou quase sempre) recíproco.
O importante foi a sensação com que acordei, a de que o que tenho de melhor para dar ao mundo, talvez o melhor que todos tenhamos para dar ao mundo, são mesmo os nossos abraços...
Da nossa evolução
Esta noite sonhei que percorria a rua de uma cidade e todas as pessoas eram macacos. Macacos a conduzir motorizadas, a guinchar dentro de carros, alguns engravatados a entrar em prédios, de smartphones na mão, outros que eu podia ver da janela, sentados ao computador. Lembro-me de ter vontade de me olhar e não ter coragem para o fazer, por receio de me ver tal e qual como todos os outros que passavam por mim.
Deixei-me cair por terra... e chorei.
E, quando acordei, era felizmente humana, ou o que quer que seja que isso quererá dizer. Racional, ou o que quer que seja que isso poderá explicar.
E pensei para comigo como fora estranha essa metáfora do mundo que me havia calhado nos sonhos, essa em que erguemos cidades e civilizações tecnológicas, sobre ilusões de riqueza e de poder, com tanto ainda da nossa própria evolução pessoal por cumprir...
Deixei-me cair por terra... e chorei.
E, quando acordei, era felizmente humana, ou o que quer que seja que isso quererá dizer. Racional, ou o que quer que seja que isso poderá explicar.
E pensei para comigo como fora estranha essa metáfora do mundo que me havia calhado nos sonhos, essa em que erguemos cidades e civilizações tecnológicas, sobre ilusões de riqueza e de poder, com tanto ainda da nossa própria evolução pessoal por cumprir...
"As Gémeas" no programa "Literatura Aqui"
"O meu amor pelas crianças é a fundação de todo o meu trabalho. Eu amo-as e quero que cresçam seres humanos decentes..."
(Enid Blyton)
"Mais Aventuras no Colégio de Santa Clara", a Enid Blyton e eu, no programa "Literatura Aqui", da RTP 2 (Minuto 7'40'')
http://www.rtp.pt/play/p1990/e212283/literatura-aqui
(Enid Blyton)
"Mais Aventuras no Colégio de Santa Clara", a Enid Blyton e eu, no programa "Literatura Aqui", da RTP 2 (Minuto 7'40'')
http://www.rtp.pt/play/p1990/e212283/literatura-aqui
Ao meu corpo
Querido corpo,
sei que eu e tu nem sempre tivemos uma relação fácil. Já te julguei como uma limitação, uma prisão, uma imperfeição, porque já houve alturas em te dei excessiva importância, por achar que eu era o meu corpo e o meu corpo era eu. Por isso já te escondi, já te transformei, já te exibi e já te maltratei. Só porque não me era de todo fácil perceber que, de facto, eu não sou tu, e tu não és eu. E que tu és de uma enorme importância para mim – e por isso te quero amar e respeitar – mas não és o que eu sou. És apenas a única forma que aquilo que eu sou tem de viver esta vida. Permites-me respirar, correr, tocar, beijar, abraçar, falar, e até, de uma forma que me comove todos os dias, gerar outros corpos que sejam moradas para outros seres. E estou-te infinitamente grata por isso. Por seres o meu aliado nesta grande aventura.
E percebo hoje, também, que não posso exigir-te o que não me podes dar. Se não te cuidar, com as minhas ações e os meus pensamentos, não posso impedir-te de adoeceres e de te magoares. Assim como não posso impedir-te de envelheceres. És um corpo na Terra, essa Terra onde tudo nasce, onde tudo cresce e onde tudo morre. Mas é um privilégio enorme habitar-te e passar por todas essas fases contigo. Continuará a custar-me, muitas vezes, aceitar a tua fragilidade, e sobretudo a tua finitide. Não sei se habitarei outros corpos depois de ti, não sei o suficiente para perceber o que se segue à aventura que tu e eu tivemos a oportunidade de vivermos juntos. Mas não quero que os meus questionamentos me roubem o prazer de viver. A vontade de acordar em ti todos os dias e abraçar mais um dia de vida. Um dia com os seus desafios, às vezes enormes, difíceis de suportar, mas que fazem parte desta aventura e deste crescimento que é a vida aqui na Terra. E a única coisa que posso prometer-me, Corpo, é que vou tentar cuidar o melhor possível de ti, para que possamos ter tempo e saúde para nos focarmos naquilo que, de mais interessante, possamos retirar desta vida. Não posso impedir tudo, não saberei tratar-te em todas as dificuldades, mas tentarei, porque o mereces. Tens sido uma boa morada. E, no dia em que tiveres de perecer, para fazeres parte da terra que te gerou, hei-de rasgar-te um sorriso nos lábios, dar-te um último abraço e dizer-te Muito, mas Muito Obrigada.
Eu
sei que eu e tu nem sempre tivemos uma relação fácil. Já te julguei como uma limitação, uma prisão, uma imperfeição, porque já houve alturas em te dei excessiva importância, por achar que eu era o meu corpo e o meu corpo era eu. Por isso já te escondi, já te transformei, já te exibi e já te maltratei. Só porque não me era de todo fácil perceber que, de facto, eu não sou tu, e tu não és eu. E que tu és de uma enorme importância para mim – e por isso te quero amar e respeitar – mas não és o que eu sou. És apenas a única forma que aquilo que eu sou tem de viver esta vida. Permites-me respirar, correr, tocar, beijar, abraçar, falar, e até, de uma forma que me comove todos os dias, gerar outros corpos que sejam moradas para outros seres. E estou-te infinitamente grata por isso. Por seres o meu aliado nesta grande aventura.
E percebo hoje, também, que não posso exigir-te o que não me podes dar. Se não te cuidar, com as minhas ações e os meus pensamentos, não posso impedir-te de adoeceres e de te magoares. Assim como não posso impedir-te de envelheceres. És um corpo na Terra, essa Terra onde tudo nasce, onde tudo cresce e onde tudo morre. Mas é um privilégio enorme habitar-te e passar por todas essas fases contigo. Continuará a custar-me, muitas vezes, aceitar a tua fragilidade, e sobretudo a tua finitide. Não sei se habitarei outros corpos depois de ti, não sei o suficiente para perceber o que se segue à aventura que tu e eu tivemos a oportunidade de vivermos juntos. Mas não quero que os meus questionamentos me roubem o prazer de viver. A vontade de acordar em ti todos os dias e abraçar mais um dia de vida. Um dia com os seus desafios, às vezes enormes, difíceis de suportar, mas que fazem parte desta aventura e deste crescimento que é a vida aqui na Terra. E a única coisa que posso prometer-me, Corpo, é que vou tentar cuidar o melhor possível de ti, para que possamos ter tempo e saúde para nos focarmos naquilo que, de mais interessante, possamos retirar desta vida. Não posso impedir tudo, não saberei tratar-te em todas as dificuldades, mas tentarei, porque o mereces. Tens sido uma boa morada. E, no dia em que tiveres de perecer, para fazeres parte da terra que te gerou, hei-de rasgar-te um sorriso nos lábios, dar-te um último abraço e dizer-te Muito, mas Muito Obrigada.
Eu
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