08/07/16

Escrever

Se um dia alguém te perguntar porque fazes o que fazes,
Sorri.
Sabes lá tu porque escreves o que escreves...
E se um dia achares que sim,
Imagina a escrita sem ti
E saberás que não importa a mão
Nem qualquer explicação que sossegue a razão
Estiveste apenas no momento certo à hora certa
A ouvir a voz do mundo no teu coração.

07/06/16

Ao luar

Se um dia achares que sabes o que é a vida...
Duvida!



09/05/16

Da fusão

Tenho, nos limites do meu corpo, a fronteira do que posso ser. Nunca do que posso sonhar. E, nos meus sonhos, sonhei cantar, pintar, dançar, tocar, representar, tanto quanto escrevia.
A vida tem-me ensinado, no entanto, que nos limites do meu corpo estão os corpos de todos os outros. Aqueles que me complementam. Aqueçes precisam das minhas palavras como eu preciso da sua voz. da sua dança. Do seu corpo e do seu traço.D tudo aquilo que o meu corpo, só nos meus sonhos, poderia alcançar.
Nos limites do meu corpo, aprendi a graça da partilha. A magia da complementariedade. O dom da entreajuda. E a arte é ou pode ser tudo isso. Fusão.
23/01/16

Do medo

O medo tem um cheiro fétido
entranha-se-nos, corrói-nos
e faz-nos estranhar o mundo
como se estranha a vida ao primeiro sopro
como se estranha a morte no último adeus

Às vezes o medo entranha-se-me sem avisar
Chega do nada, por razão nenhuma
Nem sequer por coisa alguma
Sufoca-me
Questiona-me
Rouba-me a alegria da coragem
A felicidade da inconsciência
Vou, não vou
Faço, não faço
Sou, não sou
E ainda que vá e faça e seja
Será no medo do que deixei para trás
No medo do que não sei para a frente

Medo, não te quero, medo
Dispo-me e deixo-te na berma da estrada
Olho-te e confronto-te, já sem medo.
Medo... e tu de que tens medo?
E sigo, avanço
Vou
Faço
Sou
E prometo a mim mesma que, se algum medo tiver de me restar
será somente o medo de um dia voltar a ter medo

Medo... e tu de que tens medo?
07/01/16

Perdida nos meus sonhos

Passo muitas noites perdida nos meus sonhos.
Vagueio, sem saber quem sou.
Procuro uma casa que não sei onde é.
Às vezes tenho chaves que não sei para que portas são.
Ou deparo-me com portas para as quais não tenho chave.

Às vezes angustia-me, o esquecimento.
Pergunto-me como foi possível esquecer-me? Perder-me de quem sou? Desencontrar-me do lugar onde me esperam?
Como é possível, depois de tantas noites perdidas, não ter ainda descoberto onde pertenço?

Desperto na cama de sempre. O mesmo corpo, o mesmo cheiro, o mesmo calor, a mesma casa, a mesma chave, a mesma rua, a mesma vida.
Regresso a esta que sou, levanto-me para a vida que não esqueci.
Sem saber, no entanto, se é mais verdade esta certeza do que cada noite de dúvida.
Se sou realmente o que sou ou o que ainda não descobri ser.
Se sou da casa onde moro ou do lugar que procuro.
Mais perdida de noite? Ou de dia?
Mais esquecida a dormir? Ou acordada?




23/12/15

Peludim a caminho...

Novidades fresquinhas para o início do próximo ano...
E umas boas festas!



"Chega em 2016 um projecto muito especial, que vai ajudar as crianças a conhecerem melhor as diferenças do seu corpo, que as vai sensibilizar para a igualdade de género, ajudando a prevenir a violência sexual. Uma iniciativa no âmbito da educação sexual que contamos que seja tão importante para crianças como educadores. Uma ferramenta única, divertida, que vai apoiar a comunidade educativa nessa difícil tarefa que é responder à curiosidade dos mais novos.

Fiquem atentos! Mais informações em breve!

olapeludim@gmail.com

Sara Rodi, Vânia Beliz, Célia Fernandes"

21/12/15

Um Abraço Virtual

Sempre sonhei com a ubiquidade. E toda a vida me culpabilizei pela minha manifesta incapacidade de a atingir. Constato-me mortal, ao final do dia. Cada vez mais mortal, na medida em que cada vez preciso mais de descansar. Desligar. Dormir (quem diria!). Penso no que ficou por fazer, nas pessoas a quem devia ter dado uma palavra, respondido, ajudado, enviado um sorriso, ou melhor ainda, abraçado. Abraçado de facto. Visitado e beijado e partilhado a vida. Não será isso a vida?
Por isso, e porque é Natal - e o Natal adensa sempre esta minha culpa, porque alimenta a minha vontade de comunhão - deixo hoje um abraço muito forte, virtual à falta de um real, a todos aqueles a que falhei durante este ano. Tenho-vos sempre comigo, acreditem. E tentarei mais e melhor no próximo ano, ainda vos falhe novamente. E um dia, quem sabe, eu descubra o segredo da omnipresença. Até lá, escrevo. Que é a melhor forma que conheço de chegar a muitos de vós de uma só vez...